Em entrevista ao RDCast, desta quinta-feira (20/08) o candidato a deputado federal pelo PDT, Nilson Bonome, diz que sua experiência como secretário municipal e Santo André e São Caetano, só para citar as cidades do ABC, lhe dão a experiência necessária para uma gestão no Legislativo federal. O pedetista diz que o diálogo deve superar diferenças políticas pelo bem das cidades e critica deputados eleitos pela mesma cidade que não se conversam e citou como exemplos Rômulo Fernandes (PT) e Atila Jacomussi (PRD).
“A região tem mais de dois milhões de eleitores e um grande potencial na esfera estadual e nacional, por isso temos que ter pessoas, tanto na Assembleia Legislativa de São Paulo, quanto na Câmara Federal defendendo os interesses da nossa região. Eu já fui secretario em Santo André, São Caetano e em Paulínia e entendo que temos que ter pessoas que entendam, que vão para cima, para trazer recursos para a população da nossa região. Tanto no governo estadual como no federal as portas estão abertas, dinheiro tem o que precisa é apresentar projetos. Eu quero mais uma vez colocar meu nome e se a população me confiar o mandato efetivamente estarei brigando por mais recursos”, diz o candidato.
Bonome diz que tem uma relação muito boa tanto no governo paulista como em Brasília e esse bom trânsito pode valer esses recursos a mais que a região do ABC precisa. “Sem presunção da minha parte eu tenho experiência e provei quando fui secretário que a interlocução com o Legislativo dependia muito do diálogo. Quando eu estava nas secretarias e fazendo essa gestão 98% de tudo que foi aprovado, foi por unanimidade, mesmo tendo vereadores de oposição. Conquistamos várias vitórias, a minha experiência, a minha participação nos governos me dá uma bagagem muito grande que faz a diferença” sustenta.

Apadrinhamento
O candidato cita a proximidade com o ex-presidente Michel Temer, que ele considera seu padrinho político e, mesmo não estando mais no MDB, mantém esse contato. Sua chegada ao PDT veio por convite e ele diz que a sigla lhe garante liberdade para dialogar com o governo federal, já que o partido está alinhado com as candidaturas de Lula e Fernando Haddad. “Recebi um convite presidente Carlos Lupi e enxerguei que é partido que tem condição muito maior de diálogo com o governo federal, que tem ministério no governo e me dará interlocução grande. Não que eu precise do PDT para essa interlocução, pois tenho amizade com o Ministro do Trabalho, Luiz Marinho, mas o partido nos proporciona mais liberdade de trabalho. No número de votos estamos numa condição muito bacana, com linha de corte menor”, diz sobre a escolha o aceite de sair candidato pela legenda.
Seguindo a linha da defesa das pautas progressistas e a linha do seu partido, Bonome defende o fim da escala 6×1 justificando que o trabalhador precisa de mais tempo com a família e que essa mudança é possível de ser feita trazendo ganho para empresários e trabalhadores. “Se eu chegar lá, já estou afirmando aqui que eu defendo”, garante.
O candidato diz que a luta contra o feminicídio passa por penalidades mais duras, mais restrições para os condenados por esse tipo de crime e mais amparo social para as vítimas de violência doméstica para que possam reconstruir suas vidas. “Se cometer o crime ele tem que encontrar uma punição severa”, diz no caso de morte da mulher. Para os casos em que a mulher sobrevive a essa violência ele defende mais acesso a programas sociais. “O amparo para a mulher que já está sofrendo começa numa secretaria de inclusão social, que é a primeira porta que ela encontra na cidade ela precisa do acolhimento. As mulheres vítimas de violência não saem de casa porque são 100% dependentes, então continuam sofrendo porque não têm para onde ir”.
Saúde
O desafio dos prefeitos em garantir o investimento constitucional de 25% na Educação e 15% na Saúde é realmente muito difícil sem amparo das emendas parlamentares. “O deputado federal tem emendas, recursos que ele pode direcionar e vamos trabalhar para que isso aconteça. Temos obrigação de investir 15% na Saúde e 25% na Educação mas nunca é esse valor, todos passam de 30%, tem prefeitos inelegíveis por aí que não investiram os 25% na educação, mas na saúde sempre passa de 30%. Quando fui secretário do prefeito Aidan (Ravin) investi 33% na saúde, reformamos todas as unidades de saúde, aumentamos em 50% o programa saúde da família, fizemos o remédio em casa e, em parceria com o governo federal construímos três UPAS (Sacadura Cabral, Centro e do Jardim Santo André). Quando assumi a secretaria de saúde a espera era de seis horas quando saí era 40 minutos, mais rápido o atendimento na rede pública do que no Hospital Brasil em 2010. Essas ações que temos que usar como experiência”, reflete.
Bancada do ABC
Bonome diz que já esteve com a maior parte dos prefeitos do ABC, só não conseguiu falar ainda com Tite Campanella (Republicanos) e Marcelo Lima (Podemos). “Isso é primordial, estar num cargo e saber quais são as necessidades dessas prefeituras, interagir e cobrar como bancada do ABC. Porque um deputado não pode conversar com outro de outro partido? Quem elegeu a gente foi o povo, não o partido. Da minha parte nunca vai ter problema eu dialoguei com todos os partidos”, sustenta para em seguida criticar a postura dos deputados com domicílio eleitoral em Mauá; Rômulo Fernandes e Atila Jacomussi. “A disputa não é benefício para a cidade, estão sempre se discutindo a próxima eleição para o Executivo, o outro candidato está disputando agora e pensando em 2028. Só faz falas contra o prefeito. Mas o governador Tarcísio não deixou de atender Mauá com algum tipo de recurso e o prefeito não deixou de pedir recursos. A questão do partido tem que ficar de lado”, critica.
O candidato do PDT à Câmara, sustenta que o Consórcio Intermunicipal do ABC é fundamental para articulação dos deputados estaduais e federais com os prefeitos. “Acho que o Consórcio é fundamental para conduzir esse processo. Não pode ser consórcio só de prefeitos, com deputados participando pode ter muito mais força”.
Bonome defende maior regulamentação das casas de aposta virtuais, as BETs, e diz que é possível envolver o trabalho social das igrejas e entidades sociais, desde que conveniadas e amparadas pelas prefeituras para que possam receber recurso de emendas. “Nas BETs teria que ter um freio. Tem que defender isso no Congresso se não essa doença mental tende só a aumentar. O Estado tem instituições séries que podem abrir a porta e acolher a pessoa. Se regulamentada junto ao governo municipal o deputado pode direcionar verbas”, sugere.
Bonome diz ser a favor de concessão desde que haja forte fiscalização. Nessa linha fez críticas à Sabesp. “Eu não tinha conhecimentos de tanta falta de água, de tanto buraco. Teria que ter um estudo sobre o que iria enfrentar lá”.
Eleição
O candidato diz que a polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro deve se atenuar ao longo da campanha com o crescimento das candidaturas de Ronaldo Caiado e Renan Santos, mas ele aposta em vantagem para o candidato a reeleição. “O desemprego é o menor da história e tem coisas feitas pelo governo Lula que a população vai entender que ele tem que continuar. Da mesma forma em São Paulo o Haddad é candidato que foi ministro, que fez um grande trabalho que tem grandes projetos. O Estado tem muito a ganhar com Lula e Haddad”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
