
A Unidade Básica de Saúde (UBS) Paineiras se tornou alvo de reclamações dos moradores de Diadema por falta de médicos e uma fila de espera de três meses para uma consulta. Usuários relatam que a unidade está sempre lotada e que chegam a passar com profissionais que nem olham o prontuário
Procurada pelo RD, a Prefeitura afirma que não há falta de médicos na unidade e que a UBS Paineiras, assim como as outras da cidade, segue o modelo de atendimento Saúde da Família. Em que, o primeiro atendimento é realizado pelo médico generalista e, se houver necessidade, o paciente é encaminhado ao especialista.
Para o morador e líder comunitário Cosmo Maciel da Silva, no entanto, a situação com médicos não se limita ao clínico geral. O mesmo afirma que especialistas como ginecologistas estão limitados a atender gestantes e o restante das mulheres sofrem com a espera.
O morador ainda ressalta que a situação é mais complicada quando se trata de atendimento a domicílio. “Não tem pessoal suficiente para atender as pessoas nas casas. A diretora falou para mim que só tem um médico para atender mais de 90 pessoas nas casas”, comenta.
Cosmo destaca que não é por falta de demanda e que a unidade está sempre lotada. O morador ainda compartilhou um caso que aconteceu recentemente com uma mãe e uma filha na UBS Paineiras. “Chegou uma moça lá com suspeita de covid-19 na UPA, a UPA não quis fazer o teste na moça, ela teve que voltar para a UBS e a UBS falou que não fazia. Tava a mãe e a filha, ela teve que virar as costas e ir embora”, comenta.
Cosmo ainda afirma que muitas vezes os munícipes passam com profissionais que nem olham o prontuário e que se tentam um encaixe muitas vezes ficam horas na fila. “Eu chego lá às 7h da manhã se eu vou passar em um encaixe, não tem previsão de encaixe, se tiver, se não eu tenho que ir embora para casa”, destaca.
“Eu espero das 7h da manhã até 12h, depois volto às 14h e espero até 18h para ver se tem algum encaixe, se não tiver eu tenho que esperar a consulta que é daqui a três meses”, relata o morador.
Outra moradora, que preferiu não se identificar, relata que esteve na unidade recentemente e enfrentou um problema com os agendamentos de consulta e com medicamentos. “A gente vai e não tem remédio, tá um absurdo, esses dias eu fui e não tinha dipirona. Não tinha dipirona e não tem médico”.
“Eu mesma briguei com ela, porque ela me atendeu e não colocou pra médica. Demorou aí eu falei pra ela, vem cá, a médica não vai me chamar. Como eu estava lá, como eu tinha consulta, e ela não tinha colocado, eu falei, vou passar e subi, passei mesmo, passei na médica. A médica também achou um absurdo” , comentou a moradora.
O líder comunitário Cosmo também comentou que o problema na saúde de Diadema não é somente na unidade e que com o fechamento do Centro de Atenção Psicossocial (Caps) III Leste, localizado na rua Santo Amaro, 92, bairro Centro, todos os pacientes tiveram que ser realocados para outras unidades, que agora estão sobrecarregadas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
