Em entrevista ao RDCast desta quinta-feira (13/08) o deputado estadual Teonilio Barba (PT), candidato a reeleição, criticou o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também tenta reeleição, por não adesão do Estado de São Paulo ao Pacto Nacional contra o Feminicídio, do governo federal. O petista também destacou o simbolismo do lançamento da candidatura do presidente Lula, no Estádio 1° de Maio, neste domingo (16/08).
Ao falar do projeto de lei que apresentou na Assembleia Legislativa que cria o sistema paulista de prevenção ao feminicídio, proposta essa assinada também por Ana Carolina Serra (Cidadania) e outros deputados, Barba criticou o governador. “Oito estados ainda não assinaram o pacto nacional contra a violência que atinge as mulheres, situação que aumentou com o bolsonarismo, que liberou para qualquer um comprar arma. Temos no Brasil uma mulher assassinada a cada seis horas, são quatro por dia, como no caso que aconteceu no shopping Golden Square, em que o agressor passou o dia todo na tocaia até que conseguiu matar a Cibelle. O Tarcísio não assinou e então eu apresentei um projeto. O programa Alerta Mulher Segura cria mecanismos de proteção como o uso de tornozeleira eletrônica no agressor e um relógio no pulso da mulher que dá o alerta de aproximação e tem um botão do pânico que aciona as autoridades”, explica o deputado sobre a propositura que segue ainda trâmite nas comissões da Alesp.
“O Tarcísio não assinou porque ele cortou verbas no orçamento para a proteção da mulher. De janeiro a junho aumentou o feminicídio no Estado em torno de 10%. Isso surgiu no período da liberação de armas no país e quem trouxe isso foi o bolsonarismo e o Tarcísio, ao não assinar, está contribuindo pra a violência contra a mulher”, continua o deputado.

Enquanto a medida tramita na Alesp, Barba tem usado seu apoio político para que projetos com o mesmo teor, sejam apresentados nas Câmaras Municipais por vereadores petistas. Na região ele já foi apresentado em São Bernardo, pela vereadora Ana Nice, em Diadema por Patty Ferreira e em Ribeirão Pires pela parlamentar Fernanda Henrique, onde, inclusive já foi aprovado e falta apenas a regulamentação”.
Este mês, quando a Lei Maria da Penha completa 20 anos, Barba levou a proposta também para Santo André, através do vereador Wagner Lima, e para Mauá através de Júnior Getúlio. Em outras cidades como Campinas e São Paulo a propositura também já chegou. “Estou pedindo para qualquer vereador, independente da coloração partidária, que queira apresentar, que nós enviamos. Esse é um movimento educativo de discussão da sociedade civil organizada no debate da violência contra a mulher”.
Lobos e cordeiros
Em busca do seu quarto mandato como deputado estadual, Teonilio Barba, diz que o PT solicitou que continuasse como deputado e que a candidatura faz parte do plano do petismo para derrubar Tarcísio. “Sou candidato para ajudar o presidente Lula e o Fernando Haddad a mudarem a história do Estado. Queremos derrotar o Tarcísio, que é um verdadeiro bolsonarista, que quer se vestir de pele de cordeiro e os bolsonaristas não têm pele de cordeiro, têm pele de lobo mau. O partido pediu para que eu continuasse candidato e tenho uma história política desde a redemocratização do Brasil. Sou um jovem de 68 anos de idade e passei por tudo, desde a fundação do PT, das lutas do movimento sindical, todo enfrentamento que fizemos na assembleia legistlativa como deputado de oposição o tempo todo. Dessa vez espero ser um deputado da situação”, disse sobre a sua candidatura.
Para o candidato a luta no Estado entre Tarcísio e Haddad está no mesmo nível de Lula e Flávio Bolsonaro na esfera federal. “Está no mesmo nível a polarização, é uma disputa de nós progressistas contra uma extrema direita totalmente reacionária é só olhar os programas de governo. Enquanto o nosso programa apresenta a defesa da classe trabalhadora eles têm programa que apresenta a defesa do direito dos empresários. Eu não tenho nada contra os empresários sou um defensor da indústria até porque trabalhei nela mais de 40 anos, sendo 11 na indústria de móveis, cinco na Volks e 25 na Ford. A Alesp tem uma frente parlamentar da defesa da indústria paulista, e dos trabalhadores da indústria porque a indústria remunera bem, melhor que os outros setores”, analisa.
Cadeia automotiva
Ao analisar que hoje a indústria brasileira representa apenas 11% do PIB (Produto Interno Bruto), contra 39% de representação nas riquezas do país na década de 90, Barba diz que o ABC, se destaca e é onde a indústria ainda está muito presente. Somando a indústria de transformação, mais a construção civil e o agronegócio a região chega perto dos 30%, que seria o nível ideal para o país. Mas o deputado defende que o governo precisa proteger a indústria, principalmente a cadeia automotiva, da transição energética para o carro elétrico muito rápida.
“A indústria do Estado de São Paulo ainda é a mais forte do Brasil, responde por 26%, mais de um quarto no PIB do Brasil. No ABC tivemos a saída da Ford e da Toyota e estamos enfrentando problema da transição energética com a entrada dos carros elétricos. Tem que que olhar com cuidado temos capacidade de transição para o carro elétrico em até 30 anos, pois temos uma matriz energética muito limpa. Nosso Etanol é um dos mais baratos do mundo, mais barato que o de milho dos EUA e nós temos capacidade de fazer o carro híbrido. A transição de imediato para o elétrico pode ser uma pancada muito forte na cadeia. Não dá para ser contra, mas podemos ter paciência”.
Além da indústria automotiva, para trazer de volta as fábricas para a região, Barba defende incentivos no momento do investimento inicial, apenas. “Nossa defesa é do fortalecimento da indústria, não só a automotiva. Seria um único incentivo para as indústrias na hora do investimento novo. Nesse momento o governo tem fazer a desoneração para o investimento que vai gerar emprego e avanço tecnológico. Não dá para assistir, como foi feito na reforma tributária. O governo propôs que o imposto fosse de, no máximo, 20% e virou 26,5% porque tem uma renúncia fiscal para grandes grupos empresariais de R$ 800 bilhões de setores que já estão aqui, não é nada de produto novo. O lobby é forte”, critica.
Privatizações
Como oposição Barba engrossa o coro contra as privatizações feitas por Tarcísio, como a da Sabesp e da CPTM. Sendo que a companhia de água deve ser a mais importante a ser analisada pela oposição no sentido de reverter a venda da empresa para a iniciativa privada.
“Não dá para aceitar é fazer o que o Tarcísio fez no Estado de São Paulo. A Sabesp foi privatizada em 2024, no ano anterior o faturamento dela foi R$ 2,2 trilhões, então é empresa que tinha saúde financeira boa, não precisava ser privatizada. Isso foi feito para o saneamento chegar a mais 10 milhões de pessoas no Estado e a água está chegando barrenta nas periferias de Santo André, de todo ABC, nas periferias falta água, mas na Paulista não. Também aumentou o número de acidentes fatais na Sabesp, mais de 500%. Esse é o compromisso do Tarcísio, pegar uma empresa com saúde financeira boa e entregar na mão dos empresários. Na privatização da CPTM teve trem pegando fogo, trabalhadores em greve. (Tarcísio) autorizou 118 pórticos freeflow e os trabalhadores dos pedágios serão demitidos. Nós começamos a pressionar e ele recuou, só vai apresentar o programa em 2027”, enumera o petista.
Teonilio Barba diz que a prioridade do PT na reversão das privatizações será a Sabesp, depois a CPTM e diz que no Metrô nem se pensa em deixar privatizar. “No debate ele (Tarcísio) falou que está indo tudo muito bem; é mentira porque se soltar ele sem GPS ele não sabe andar pelo Estado. Ele recua porque é período eleitoral e depois não vai conseguir fazer porque nós vamos derrotar”, planeja.
Mentiras
O candidato a reeleição diz que o ABC vem sendo vítima de mentiras desde 2008, quando o governador ainda era João Doria pelo PSDB. Ele citou projeto, que chegou a ser licitado, da Linha 18 Bronze do Metrô. Que depois se converteu no BRT ABC, orçamento bem menor, com a mudança o investimento caiu de R$ 6 bilhões para R$ 600 milhões segundo a conta do deputado. “No ABC estamos sendo vítimas de mentiras. Vocês se lembram em 2008 quando aprovou o primeiro plano de construção do metrô para o ABC, região com quase 3 milhões de habitantes e sete cidades. Ali começou a grande mentira do João Doria, que depois virou o BRT e de R$ 6 bilhões passou para o orçamento de R$ 600 milhões então eles fazem campanha e na hora de cumprir não cumprem”.
Para a defesa de pautas importantes para a região Barba destacou o papel do Consórcio Intermunicipal, disse que já encaminhou emenda de R$ 300 mil para economia solidária à entidade regional e que participa das reuniões e falou do peso da região e do apoio dos deputados para viabilizara propostas.
Barba falou da capacidade de Fernando Haddad, que segundo ele ficou demonstrada no papel dele como ministro da Educação e também no comando da Fazenda. Por fim ele falou do simbolismo do lançamento da campanha de Lula no Estádio Primeiro de Maio, em São Bernardo, neste domingo (16/08), em clara alusão aos discursos históricos durante greves na região que fizeram parte do movimento de redemocratização do país no final dos anos 70.
“O 1° de Maio foi onde tudo começou. A primeira greve começa em 1978, com a Scania e depois os trabalhadores da Ford entram também em uma paralisação de 11 dias, que só acabou quando o Lula foi lá. Em 1979 foi a grande greve que marca a história do Estádio da Vila Euclides, hoje é Estádio 1° de Maio em homenagem a luta dos trabalhadores por causa da grande assembleia com mais de 100 mil trabalhadores. Lula é o melhor presidente que esse país já teve. Ele fará 81 anos em setembro e retorna para fazer o lançamento neste domingo. Acho que vai ser uma grande festa em defesa da Democracia pois estávamos em greve pelos direitos dos trabalhadores e luta pela redemocratização contra a ditadura militar. Importânica é desse lançamento é que Lula vai mostrar para o Brasil que ele não esqueceu suas origens, ele tem lado que é o da classe trabalhadora que precisa muito mais do governo do que os ricos. Para ele é simbólico ele voltar no ABC. Talvez última eleição que ele dispute como candidato, vai discutir outros processos eleitorais. Lula fará 81 anos em setembro e deve ser sua última eleição, mas ele está bem e poderá ajudar outras campanhas”, completa Teonilio Barba.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
