
Muitas doenças crônicas, como diabetes, hipertensão, obesidade, doenças cardiovasculares e alguns tipos de câncer, estão relacionadas a hábitos que podem ser modificados ao longo da vida. Pode-se dizer que há um grupo de comportamentos que associados aumentam significativamente o risco de adoecimento e reduzem a expectativa e a qualidade de vida.
Segundo Mariana Cristina Cabral Silva, professora e coordenadora do curso de Biomedicina do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), conhecer esses fatores é o primeiro passo para prevenir doenças e promover um envelhecimento mais saudável.
“A maioria das doenças crônicas não surge de forma repentina. São resultado de anos de exposição a fatores de risco que, muitas vezes, podem ser prevenidos por meio de mudanças simples no estilo de vida”, destaca.
Os seis vilões da saúde
De acordo com a especialista, o chamado grupo de comportamentos é composto por hábitos que frequentemente atuam em conjunto. A má alimentação é um dos grandes fatores, o consumo excessivo de alimentos ultraprocessados, ricos em açúcar, gordura saturada, sódio e calorias, favorece o desenvolvimento de obesidade, diabetes, colesterol elevado e doenças cardiovasculares. “Uma alimentação equilibrada continua sendo um dos pilares da prevenção em saúde”, comenta Mariana Cristina.
Outro ponto é o sedentarismo, a falta de atividade física está associada ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, perda de massa muscular, osteoporose e alterações metabólicas. A Organização Mundial da Saúde recomenda que adultos pratiquem, em média, 150 minutos semanais de atividade física moderada.
O cigarro permanece entre os principais fatores evitáveis de morte no mundo. Além do câncer de pulmão, o tabagismo aumenta o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC), doenças respiratórias crônicas e diversos outros tipos de câncer.
O consumo excessivo de bebidas alcoólicas também é prejudicial, embora associado ao lazer, seu consumo em excesso pode provocar doenças hepáticas, pancreatite, hipertensão, aumento do risco de alguns tipos de câncer e dependência química. “Quanto menor o consumo de álcool, menores tendem a ser os riscos para a saúde”, destaca a doutora.
Sono e estresse
Outra coisa que pode ser prejudicial é o sono inadequado. Dormir poucas horas ou ter um sono de baixa qualidade interfere no funcionamento do organismo, entre as consequências estão a queda da imunidade, alterações da imunidade, aumento do apetite, dificuldade de concentração e o maior risco de doenças cardiovasculares e metabólicas.
O estresse persistente também é prejudicial, já que mantém o organismo em estado constante de alerta, o que favorece alterações hormonais e inflamatórias. Isso pode contribuir para ansiedade, depressão, hipertensão, doenças cardiovasculares e redução da imunidade.
Segundo a professora Mariana Cristina, raramente esses fatores aparecem de forma isolada. “Uma pessoa sedentária pode também alimentar-se mal, dormir pouco e apresentar altos níveis de estresse. Esse conjunto potencializa os danos ao organismo e acelera o aparecimento de doenças”, relata.
Pequenas mudanças fazem diferença
A biomédica destaca que não é necessário transformar completamente a rotina de uma só vez. Mariana recomenda adotar algumas atitudes simples, como consumir mais frutas, verduras e legumes, praticar atividade física regularmente, manter horários regulares de sono, evitar o cigarro, reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, reservar momentos para lazer, descanso e convivência social, realizar consultas e exames preventivos periodicamente.
“A prevenção é construída diariamente. Pequenas mudanças, mantidas ao longo do tempo, podem produzir grandes benefícios para a saúde”, comenta. Além do diagnóstico laboratorial, a biomedicina também contribui para a promoção da saúde por meio do estudo dos fatores de risco, da prevenção de doenças e da educação em saúde.
“Conhecer como o organismo responde aos hábitos de vida permite desenvolver estratégias mais eficazes para prevenir doenças e promover qualidade de vida. A informação é uma das ferramentas mais importantes para que as pessoas façam escolhas mais saudáveis”, completa a biomédica.
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