
Por Jean Gorinchteyn
De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, foram confirmados 19 casos de febre maculosa até julho e acenderam um novo alerta para uma doença que, apesar de rara, apresenta uma das maiores taxas de letalidade entre as infecções transmitidas por animais. Os óbitos estão concentrados principalmente nas regiões de Piracicaba, Americana, Sorocaba, Campinas, São José dos Campos, Santo André e São Bernardo. Embora o Alto Tietê não tenha casos neste ano, o risco existe para quem frequenta áreas rurais, sítios, trilhas e regiões de mata.
Jean Gorinchteyn, professor da disciplina de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-secretário de Estado da Saúde de São Paulo, alerta que o diagnóstico precoce é decisivo para evitar complicações graves.
Transmitida pela picada de carrapatos infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, a febre maculosa pode atingir pessoas de qualquer idade. “Os cães podem entrar em áreas de mata, retornar para casa com carrapatos presos ao corpo e levar o vetor para o ambiente doméstico. O carrapato também pode permanecer em camas e roupas, aumentando o risco de exposição”, explica.
Os primeiros sintomas são inespecíficos e frequentemente confundidos com dengue, viroses ou leptospirose. Febre alta, dores no corpo, dor de cabeça e mal-estar costumam surgir nos primeiros dias. A partir do terceiro dia, podem aparecer manchas avermelhadas na pele, seguidas de pequenas lesões arroxeadas, principalmente nas mãos e nos pés, indicando a evolução para uma fase mais grave da doença.
“Nesse momento ocorre uma inflamação dos vasos sanguíneos que pode comprometer rins, fígado e cérebro. Quem apresentar febre após visitar áreas de mata deve informar esse histórico ao médico imediatamente”, orienta Gorinchteyn.
Segundo ele, a mortalidade pode chegar a 80% quando o tratamento antibiótico não é iniciado rapidamente. Outro desafio é que a confirmação laboratorial pode levar até duas semanas, daí o alerta do médico: “Pensou em febre maculosa, o tratamento deve começar imediatamente. Não se deve esperar o resultado dos exames, porque o atraso pode permitir a progressão para formas graves”, afirma o professor da UMC.
Para reduzir o risco de infecção, a recomendação é utilizar calças compridas, botas e roupas claras em áreas de mata, evitar contato com gramados e vegetação alta, inspecionar o corpo e as roupas após passeios e proteger cães com coleiras e produtos repelentes específicos: “A prevenção depende da atenção aos ambientes frequentados e da identificação precoce dos carrapatos”, conclui Jean Gorinchteyn.

Jean Gorinchteyn é professor da disciplina de Doenças Infecciosas da Faculdade de Medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (UMC), médico infectologista do Hospital Israelita Albert Einstein e ex-secretário de Estado da Saúde de São Paulo.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
