
O dia começa em frente ao computador. Depois vêm as reuniões online, o almoço rápido e mais algumas horas sentado entre tarefas, estudos ou compromissos. No fim do dia, para relaxar, mais um tempo no celular ou na televisão. Para muitos brasileiros, essa rotina se repete cinco dias por semana e, muitas vezes, sem pausas para levantar da cadeira. O resultado é um estilo de vida cada vez mais sedentário, que acende um alerta para a saúde vascular.
No Brasil, 47% dos adultos são sedentários e, entre os jovens, esse índice chega a 84%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a Dra. Gabriella Casais, cirurgiã vascular e professora da Afya Unigranrio, permanecer muitas horas consecutivas sem se movimentar compromete a circulação sanguínea e, quando esse comportamento se associa a fatores como obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais, predisposição genética ou outras condições clínicas, aumenta o risco de tromboembolismo venoso (TEV), condição que engloba a trombose venosa profunda (TVP) e a embolia pulmonar.
“Nosso corpo foi feito para se movimentar. Hoje, passamos boa parte do dia alternando entre computador, celular e televisão, quase sempre sentados. Quando esse comportamento se torna rotina, a circulação das pernas fica mais lenta. Em pessoas que já apresentam outros fatores de risco, esse cenário favorece a formação de coágulos”, explica a médica.
A trombose venosa profunda ocorre quando um coágulo se forma, geralmente nas veias das pernas, dificultando a circulação do sangue. Os principais sinais incluem dor persistente na panturrilha, inchaço em apenas uma das pernas, vermelhidão, aumento da temperatura local e sensação de peso. Se esse coágulo se desprender e migrar para os pulmões, pode provocar uma embolia pulmonar, considerada uma emergência médica.
Embora seja mais frequente em idosos, a doença também pode acometer adultos jovens quando diferentes fatores de risco se acumulam. Entre eles estão obesidade, tabagismo, uso de anticoncepcionais hormonais contendo estrogênio, gravidez, puerpério, histórico familiar de trombose, trombofilias hereditárias, doenças inflamatórias e, principalmente, longos períodos de imobilidade.
Movimento não acontece só na academia
Fazer atividade física regularmente continua sendo uma das principais recomendações para a saúde cardiovascular e vascular. Mas especialistas chamam a atenção para outro hábito igualmente importante: reduzir o tempo passado sentado. Esse conceito é conhecido como NEAT (Non-Exercise Activity Thermogenesis), termo utilizado para descrever todos os movimentos realizados fora da prática estruturada de exercícios físicos, como subir escadas, levantar para buscar água, caminhar enquanto fala ao telefone ou fazer pequenas pausas durante o expediente.
“Esses movimentos podem parecer simples, mas fazem diferença para a circulação. Eles ajudam a interromper longos períodos de imobilidade, ativam a musculatura das pernas e estimulam o retorno do sangue ao coração. Não substituem a prática de atividade física, mas complementam um estilo de vida mais saudável e contribuem para reduzir o risco de diversas doenças associadas ao sedentarismo, incluindo a trombose”, afirma a Dra. Gabriella Casais.
Cinco hábitos que ajudam a proteger a circulação no dia a dia
Levante-se antes que o corpo peça
Se a rotina exige muitas horas sentado, programe pausas a cada 60 minutos para caminhar por dois ou três minutos. Pequenas interrupções ajudam a ativar a circulação das pernas.
Aproveite o NEAT no dia a dia
Prefira escadas ao elevador, caminhe enquanto fala ao telefone, levante para buscar água ou vá até a mesa de um colega em vez de enviar uma mensagem. Pequenos deslocamentos, repetidos ao longo do dia, fazem diferença.
Durante viagens, movimente as pernas
Em voos, ônibus ou viagens longas de carro, procure levantar sempre que possível. Quando isso não for viável, faça movimentos com os tornozelos e flexione os pés para estimular a circulação.
Conheça seus fatores de risco
Pessoas com obesidade, fumantes, usuárias de anticoncepcionais hormonais, gestantes, puérperas ou com histórico familiar de trombose devem conversar com um médico sobre medidas preventivas individualizadas.
Fique atento aos sinais de alerta
Dor persistente, inchaço, vermelhidão ou sensação de calor em apenas uma das pernas não devem ser ignorados, especialmente após longos períodos de imobilidade. O diagnóstico precoce reduz o risco de complicações graves.
“A prática de exercícios continua sendo essencial para a saúde. Mas também precisamos olhar para o restante do dia. Pequenas pausas para caminhar, subir escadas ou simplesmente levantar da cadeira fazem parte de uma rotina mais ativa e ajudam a cuidar da circulação. São mudanças simples, que podem trazer benefícios importantes para a saúde vascular ao longo da vida”, conclui a Dra. Gabriella Casais.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
