
Por Fernando Calmon
Estudo global da Economist Enterprise, que faz parte da prestigiada revista e site ingleses The Economist, expõe um
descompasso preocupante entre a percepção do motorista em relação a acidentes e a avaliação técnica de especialistas em
segurança viária. Enquanto 90% dos motoristas em 10 dos principais mercados automobilísticos declaram sentir-se seguros,
apenas 45% dos profissionais do setor compartilham desse otimismo. A discrepância ameaça desacelerar ao estimado a 1,2
milhão de mortes em acidentes a cada ano, no mundo.
O assunto foi destaque em publicação recente do site Automotive News Europe, em artigo do jornalista italiano Luca Ciferri. O
alerta partiu do francês Jean Todt, que já comandou equipes Ferrari, de F-1 e Peugeot, no Mundial de Resistência, presidiu a
FIA (Federação Internacional do Automóvel e inclui Automobilismo) e hoje é enviado especial do secretário-geral das Nações
Unidas para segurança viária.
Mais de 6.100 pessoas na Alemanha, Brasil, China, Coreia do Sul, EUA, França, Índia, Itália, Japão e Reino Unido foram
entrevistadas. A lacuna de confiança atinge o ápice no Brasil, China e Índia. Nestes países, 94% dos usuários afirmam sentir-se
seguros, embora a taxa média de mortalidade viária alcance 16,2 óbitos por 100 mil habitantes (o dobro da média mundial, de
8,1 óbitos por 100.000).
Defeitos mecânicos perderam relevância no mapa de acidentes. Apenas 3% dos especialistas os apontam como causa principal.
Foco deslocou-se para a eletrônica de bordo. Para 30% dos profissionais, o risco crítico reside no uso incorreto ou
desconhecimento acerca dos sistemas avançados de assistência ao motorista (Adas). Outros 24% dos especialistas citam
distração por recursos de infotenimento: GPS, áudio com qualidade cada vez maior e conexão com o celular ao responder ou
fazer chamadas. Representam grande potencial de acidentes por excesso de confiança e desatenção.
Consultor prevê mais crescimento de chineses no mercado
Murilo Briganti, (Executivo-Chefe de Operações) da Bright Consult, publicou artigo em que afirmava: “E se eu dissesse que,
até 2030, o mercado automotivo brasileiro deve crescer cerca de 500 mil veículos, enquanto as marcas chinesas podem
adicionar mais de 700 mil unidades no mesmo período? À primeira vista, a conta parece não fechar. Mas ela revela justamente
uma das principais transformações em curso no setor: o crescimento do mercado já não será suficiente para acomodar todos os
competidores.”
Ele escreveu hipoteticamente, mas há potencial de realmente acontecer. Marcas chinesas podem partir para construir unidades
produtivas a partir do zero (comprar terrenos, erguer fábricas, contratar equipamentos para as linhas de montagem e
desenvolver fornecedores locais) ou acertar com fabricantes aqui instalados e assim preencher capacidade ociosa destes. Além
disso, ainda há duas fábricas fechadas: uma agora em julho, da Toyota, em Indaiatuba (SP) e outra da Caoa Chery, em Jacareí
(SP), paralisada desde 2022. Esta segunda sujeita a desapropriação pela prefeitura.
Pelo menos 11 já anunciaram planos: Geely, GWM (segunda fábrica), Wuling, MG, Jetour, Leapmotor, Dongfeng, Chery,
GAC, Changan e BYD. Com imposto de importação de 35% para veículos completos (já em vigor) e desmontados, a partir de
janeiro de 2027, devem obrigar a produção local
Também há informações de que a Kia assumirá as importações e também produzir no Brasil, sem participação do Grupo
Gandini (a ser indenizado) com especulações sobre o local da fábrica. Toda a negociação vem sendo conduzida pela Kia, não
pela Hyundai. O grupo sul-coreano só tem uma fábrica no mundo, a Metaplan America, na Georgia, onde os modelos das duas
marcas são fabricados desde que elétricos ou híbridos. Operações comerciais seguem sempre separadas e competidoras uma
com a outra.
Teste Boreal Techno: bom desempenho e equipamentos
Apesar de se tratar de uma versão intermediária, o SUV médio da Renault vem bem equipado. Claro que teto solar elétrico
(opcional na Techno), câmera 360º graus, rodas de 19 pol. (18, nesta versão), bancos com memória e massagem, sistema de
som Harman Kardon e tampa elétrica do porta-malas estão reservados para o topo de linha Iconic.
No entanto, a cabine apresenta materiais de acabamento muito bons, duas telas de 10 pol. com reprodução do mapa de
navegação no centro do quadro de instrumentos (Waze e Google Maps), carregador de celular por indução, console refrigerado
e sensores de estacionamento bastante úteis. O pacote de assistência Adas inclui ainda frenagem autônoma de emergência,
alerta de tráfego traseiro transversal, aviso de saída dos ocupantes e monitor de ponto cego entre outros.
Dimensões (mm): comprimento, 4.556; entre-eixos, 2.702; largura, 1.841 (2.082 com espelhos); altura, 1.646. Volumes (L):
porta-malas, 522; tanque, 50. Massa: 1.438 kg. Motor 4-cilindros turbo 1,3 L flex: potência 163/156 cv (E)/(G); torque 27,5
kgf·m (E)/(G). Consumo (Inmetro km/L, cidade/estrada): 7,8/9,4 (E); 11,2/13,6 (G). Alcance (Inmetro km, cidade/estrada):
390/470 (E); 560/680 (G). Tração dianteira. Câmbio automatizado, seis marchas. Aceleração 0 a 100 km/h (s): 10 (E)/10,5 (G).
Ao volante do Boreal, duas características destacam-se: suspensões muito bem calibradas e respostas imediatas do acelerador
em todas as situações do dia a dia, tanto em trânsito urbano quanto rodoviário, além de trocas de marchas rápidas. Os três
passageiros do banco traseiro têm bom espaço para pernas e ombros. Chama atenção por porte e estilo, além do porta-malas
que supera 500 litros. Também conta com freio eletromecânico de imobilização e liberação automáticas nas paradas (auto
hold), indispensável nos congestionamentos que hoje alcançam até estradas.
Itens interessantes são os clipes opcionais atrás do encosto de cabeça do banco dianteiro com suportes para celular, tablet,
copos, cabide, quepe e até lanterna.
Preço: 199.990.
Impressões: Jetour T2 4×4 foca no fora-de-estrada severo
Versão XWD 4×4 da Jetour amplia a gama T2 com a topo de linha do SUV híbrido plugável chinês. Atende a uma fatia de
mercado bem definida. Embora 90% das vendas de SUVs de aspeto aventureiro se concentrem em configurações 4×2 para uso
urbano e rodoviário, cerca de 10% dos compradores exigem capacidade real para superar terrenos difíceis.
Maior evolução está no conjunto mecânico. Ao motor 1,5 L turbo a gasolina e dois motores elétricos dianteiros, o XWD
adiciona um terceiro motor elétrico no eixo traseiro. O sistema integrado desenvolve 597 cv e nada menos que 91,7 kgf·m de
torque. Aceleração de 0 a 100 km/h em 5,5 s, apesar de sua impressionante massa de 2.362 kg. A bateria de 43,24 kW⋅h
garante até 106 km de alcance no modo 100% elétrico e alcance combinado de até 1.300 km. Suporta carregamento rápido em
corrente contínua (DC).
Para o fora de estrada, o SUV adota tração integral inteligente, bloqueio eletrônico do diferencial traseiro e oito modos de
condução. Destacam-se o Tank Turn (redução do diâmetro de giro em manobras por frenagem automática da roda traseira
interna à curva) e o Crawl Mode (gestão automática de aceleração e frenagem em baixa velocidade). O chassi recebeu
proteções reforçadas para a bateria e órgãos mecânicos, além de maiores vão livre ao solo e capacidade de vau.
No percurso rodoviário de São Paulo a Bragança Paulista, destacou-se pela transição imperceptível entre motores e pelo
refinamento de rodagem. Retomadas são vigorosas e estabilidade irrepreensível para o seu porte. No circuito fora de estrada —
sob lama, erosões e inclinações laterais — a distribuição eletrônica de torque atuou de forma rápida, quando duas rodas
diagonalmente opostas perdem o contato com o chão.

RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
