
Seja após um longo dia de trabalho, horas em frente às telas ou até mesmo ao acordar, a dor nas costas faz parte da rotina de milhões de brasileiros. Apesar de muitas pessoas associarem o problema ao envelhecimento ou ao excesso de esforço, conviver com esse desconforto não é saudável nem deve ser considerado normal.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), cerca de 619 milhões de pessoas no mundo convivem com algum tipo de dor lombar. A estimativa é de que esse número alcance 843 milhões até 2050, impulsionado pelo envelhecimento da população, pelo sedentarismo e pelo aumento da obesidade. Atualmente, a lombalgia é a principal causa de incapacidade no mundo.
O ortopedista especialista em cirurgia da coluna Luciano Miller, do Einstein Hospital Israelita, chama a atenção para o aumento das queixas entre adultos jovens. “Antigamente, os problemas de coluna eram mais associados ao envelhecimento. Hoje vemos pacientes cada vez mais jovens com dores provocadas pelo sedentarismo, excesso de tempo sentado, uso frequente de tecnologias, má postura e sobrepeso”, afirma.
Quatro doenças que mais afetam a coluna
Lombalgia
A lombalgia é a principal causa de dor nas costas e representa a queixa mais frequente nos consultórios médicos. Estima-se que até 80% das pessoas terão pelo menos um episódio de dor lombar ao longo da vida.
Os sintomas mais comuns incluem dor na região lombar, rigidez ao levantar, dificuldade para permanecer muito tempo em pé ou sentado e limitação dos movimentos. A condição pode surgir a partir dos 20 ou 30 anos e está relacionada ao sedentarismo, à obesidade, à permanência prolongada na posição sentada, à má postura, ao esforço físico repetitivo e ao estresse. O tratamento pode envolver medicamentos, fisioterapia, fortalecimento muscular e mudanças nos hábitos de vida.
Hérnia de disco
A hérnia de disco afeta cerca de 15% da população brasileira e figura entre as doenças que mais afastam trabalhadores de suas atividades. O problema ocorre quando o disco entre as vértebras sofre desgaste ou ruptura e passa a comprimir estruturas nervosas.
Os principais sintomas são dor intensa na coluna lombar ou cervical, irradiação da dor para braços ou pernas, formigamento, perda de força muscular e dificuldade para caminhar ou realizar determinados movimentos. “Embora seja mais comum entre pessoas de 30 e 50 anos, a hérnia de disco também pode surgir em pacientes mais jovens, principalmente quando existem fatores de risco como tabagismo, sedentarismo, excesso de peso e atividades que exigem levantamento frequente de cargas”, destaca o especialista.
Escoliose
Cerca de 6 milhões de brasileiros convivem com algum grau de escoliose, muitas vezes sem diagnóstico. A doença é caracterizada por uma curvatura anormal da coluna vertebral e costuma surgir na infância ou adolescência, embora também possa aparecer na vida adulta.
Em muitos casos, a evolução ocorre de forma silenciosa e sem dor nas fases iniciais. Os principais sinais de alerta são curvatura da coluna em formato de “S” ou “C”, ombros ou quadris desnivelados, cintura desalinhada, um lado das costas mais elevado que o outro e inclinação do tronco. “Mesmo que a maioria dos casos de escoliose seja idiopática, ou seja, sem uma causa específica conhecida, existem situações em que a condição está relacionada a doenças neuromusculares, lesões traumáticas e alterações congênitas”, explica o médico.
O tratamento varia conforme o perfil do paciente e a gravidade do quadro, com opções que incluem acompanhamento médico, fisioterapia, uso de colete ortopédico e cirurgia.
Artrose da coluna
A artrose da coluna resulta do desgaste das articulações ao longo dos anos. A doença é mais comum após os 50 anos, mas fatores como histórico familiar, obesidade e atividades que sobrecarregam a coluna podem antecipar seu aparecimento. Os sintomas mais frequentes são dor crônica, rigidez ao acordar, dor após longos períodos em pé e redução da mobilidade. O tratamento inclui fortalecimento muscular, fisioterapia, controle do peso e medicamentos para aliviar os sintomas.
Quando a dor merece atenção?
A dor nas costas exige avaliação médica quando persiste por mais de quatro semanas, desperta o paciente durante a noite, irradia para braços ou pernas, vem acompanhada de formigamento frequente, perda de força muscular, dificuldade para caminhar ou aparece após quedas e acidentes. “O diagnóstico precoce faz toda a diferença. Quanto antes identificamos a origem do problema, maiores são as chances de controlar a doença e aliviar a dor”, ressalta Miller.
Embora nem todas as doenças da coluna possam ser prevenidas, alguns hábitos ajudam a reduzir o risco de dores e lesões. Entre eles estão a prática regular de atividade física, a manutenção do peso adequado, a adoção de boa postura e pausas ao longo do dia para evitar longos períodos na posição sentada, além do uso correto de computadores, celulares e outros dispositivos eletrônicos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
