A FMABC (Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC), em Santo André, passa a oferecer a primeira graduação tecnológica em IA (Inteligência Artificial) com ênfase em saúde do Brasil. O curso, aprovado pelo MEC (Ministério da Educação), terá duração de dois anos, será realizado na modalidade presencial e nasce para atender uma demanda crescente por profissionais qualificados em um mercado que ainda enfrenta forte escassez de mão de obra especializada.
Segundo estudo da Manpower citado pela instituição, o Brasil registra um déficit estimado de 87% de profissionais de Inteligência Artificial atuando na área da saúde. A proposta da FMABC é formar tecnólogos capazes de desenvolver, implementar e validar soluções de IA voltadas ao setor, aliando conhecimentos em computação, ciência de dados, engenharia de software e fundamentos da saúde.

De acordo com o professor Jorge Echeimberg, coordenador do Niace (Núcleo de Inteligência Artificial e Computação em Educação), a presença da inteligência artificial já se tornou realidade em diferentes etapas da assistência médica. “A IA está presente desde a gestão hospitalar, no controle de estoques e na análise de dados para tomada de decisão, até o atendimento clínico, com apoio aos médicos em diagnósticos, definição de terapias e planejamento de tratamentos. A tecnologia encontrou na saúde um ambiente onde consegue gerar ganhos importantes de eficiência”, afirma em entrevista ao RDtv.
Apesar do avanço da tecnologia, o professor ressalta que a supervisão humana continua indispensável. Segundo o especialista, modelos de inteligência artificial ainda podem apresentar falhas ou produzir informações incorretas, especialmente quando utilizados sem critérios. “Os sistemas evoluem rapidamente e hoje já apresentam as referências das informações utilizadas. Além disso, existem plataformas específicas para pesquisa científica. Ainda assim, o profissional continua essencial para validar os resultados e tomar decisões com segurança”, explica.
Curso surgiu de demandas reais
A criação da graduação teve origem dentro do próprio Niace. O núcleo foi implantado inicialmente para fortalecer ações de inovação tecnológica e capacitar docentes no uso da inteligência artificial.
Durante os programas de formação surgiram dezenas de projetos aplicados à saúde, o que evidenciou a necessidade de profissionais especializados para desenvolver e colocar essas soluções em prática. “Hoje temos mais de 30 projetos na área de inteligência artificial aplicada à saúde. Percebemos uma lacuna entre quem domina tecnologia e quem conhece os processos da área da saúde. O curso foi criado justamente para formar profissionais capazes de atuar nessa interface”, destaca Echeimberg.
Segundo o coordenador, a proposta vai além da formação técnica tradicional. A graduação terá projetos integradores em todos os semestres, atividades de extensão, estágios supervisionados e participação direta nas iniciativas do Niace.
Embora tenha foco na saúde, a graduação poderá ser cursada por qualquer estudante que tenha concluído o ensino médio. Não é necessário possuir formação prévia em tecnologia ou na área da saúde. O curso também pode servir como complemento para profissionais já graduados ou estudantes de outras áreas. “Recebemos interesse de pessoas da tecnologia, da saúde e até de profissionais do Direito. A inteligência artificial transforma praticamente todos os setores e essa formação amplia muito as possibilidades de atuação”, afirma o professor.
A formação também permitirá a participação dos estudantes em projetos multidisciplinares ao lado de alunos de Medicina, Fisioterapia, Biomedicina e outros cursos da instituição, o que proporciona contato com situações reais desde os primeiros semestres.
Mercado além dos hospitais
Embora o curso tenha ênfase em saúde, Echeimberg destaca que a formação permite atuação em diversos segmentos. “O aluno poderá trabalhar em hospitais, clínicas, laboratórios, empresas de tecnologia, indústria de equipamentos médicos, startups e também em qualquer outro setor que utilize inteligência artificial. O diferencial é que sairá preparado para compreender tanto a linguagem tecnológica quanto as necessidades específicas da saúde”, diz.
A instituição mantém ainda parcerias com empresas como Google e Huawei, que permitirão aos estudantes realizar treinamentos e obter certificações durante a graduação. Os alunos também poderão participar de projetos desenvolvidos em conjunto com o Parque Tecnológico de Santo André, o que aproxima os futuros profissionais do ambiente de inovação e do mercado de trabalho.
Primeira turma inicia no segundo semestre
A primeira turma será oferecida inicialmente no período noturno, com 50 vagas. A partir do próximo ano, a expectativa é abrir também uma turma matutina, totalizando 100 vagas anuais. As matrículas permanecem abertas até o início de agosto, e a mensalidade promocional para a primeira turma será de R$ 595.
Além da nova graduação, a FMABC também lançará uma pós-graduação em Ciência de Dados aplicada à Saúde, voltada a profissionais que desejam utilizar análise de dados e inteligência artificial em processos de gestão e tomada de decisão no setor. Para se candidatar ao vestibular, basta acessar o site https://vestibular.fmabc.br. Mais informações sobre os cursos são consultadas no site da FMABC: https://www.fmabc.br/.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
