
A família de Maria Vandernilda Sales Fauquet, questiona a postura médica que liberou a mulher para ir para casa, no dia 4/07, depois de 11 dias internada no hospital Santa Helena de São Bernardo. Segundo a família ela está com um tipo de infecção, ainda não identificada, e voltou para casa com confusão mental e com um dos dedos do pé roxo. Em casa ela piorou e voltou a ser internada, desta vez no hospital do convênio médico em Santo André e agora deve ter o dedo amputado, diante da piora do seu estado. A Santa Helena Saúde nega falha de procedimentos e que o atendimento seguiu protocolos.
O marido de Maria, Marcelo Aparecido Fauquet, conta que a esposa foi liberada com confusão mental, tontura e muito debilitada, e nada tinham falado sobre o dedo roxo. “Ela saiu sem nenhuma medicação indicada. Mandaram ela para casa não sei porque. Tinham que fazer exames para saber o que estava acontecendo. Em casa ela foi piorando e levamos para Santo André. Ninguém sabe dizer que infecção é essa. O médico disse que ela formou água no pulmão e o coração dela está fraco. Disseram que ela está com sepse que é infecção generalizada, mas não descobriram de onde vem, se é uma bactéria ou uma doença rara que ela tem. Hoje (16/07) fizeram um exame de coração e agora ela está se recuperando na UTI”, relata o esposo.
Segundo Fauquet a esposa não deveria ter sido liberada da primeira internação e em casa só piorou. “Porque não olharam o dedo dela, não fizeram nada, agora disseram que vão ter que amputar, mas com essa gravidade, ainda assim disseram que só vão fazer depois de tratar a infecção, mas e se piorar, se essa gangrena passar do dedo para o pé depois para a perna? Tudo porque não cuidaram antes”.
Em nota, a Santa Helena Saúde disse que quando a paciente deixou o hospital em São Bernardo, ela tinha sido avaliada sobre o dedo do pé roxo e que todo o atendimento seguiu critérios técnicos compatíveis com o quadro apresentado e com as comorbidades que a paciente tem. O marido diz que a esposa tem pressão alta e diabetes.
Para o o advogado José Santana Júnior, especialista em Direito da Saúde, a família precisa tomar providências, cercar-se de cuidados e buscar canais para encaminhar dúvidas ou reclamações sobre os procedimentos médicos. “Quando um paciente deixa um hospital ele tem que sair com o prontuário em mãos, que explica tudo que foi feito, os profissionais que atenderam deste a internação até a saída, bem como os medicamentos que tomou e os exames realizados, isso é um direito do paciente. O prontuário pertence ao paciente e o hospital não pode negar”, explica. Além disso o paciente e a família precisam ter as informações claras sobre o quadro de saúde e os procedimentos, o prontuário atesta tudo isso.
“Se a família desejar pode levar o paciente a outro médico, apresentar os prontuários para ver se a conduta médica está dentro dos protocolos e, em caso de divergência, um advogado pode ajudar a orientar e, se for o caso, mover uma ação para garantir o atendimento que o paciente precisa”, explica Santana Júnior. O marido da paciente disse que recebeu o prontuário da primeira internação, mas são poucas informações que constam nesta documentação.
O advogado especializado em causas relacionadas à saúde explica que a tensão da família, que quer o melhor atendimento, e os funcionários de hospitais, pode levar a desentendimentos e essa situação deve ser evitada. “Isso não vai ajudar, inclusive esses desentendimentos fazem também parte do prontuário médico. A família deve procurar a ouvidoria do hospital, do convênio médico, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) no caso de convênio. Se for no SUS (Sistema Único de Saúde) a assistência social do hospital e a secretaria de saúde, que são os órgãos oficiais que podem dar respostas. Jamais a família deve se indispor com funcionários. Em último caso a justiça é o caminho e um advogado especialista pode ajudar”, aponta.
Veja a íntegra da nota do convênio Santa Helena Saúde:
“O Hospital Santa Helena São Bernardo esclarece que a paciente esteve internada para tratamento de infecção abdominal, com boa evolução clínica, entre os dias 22 de junho e 4 de julho. Ainda durante a internação, foi avaliada por cirurgião vascular, que identificou o estreitamento reativo dos vasos sanguíneos como causa provável de uma coloração alterada nos dedos dos pés. Foi mantida a anticoagulação e o fluxo arterial estava normalizado. Na alta, recebeu encaminhamentos para avaliação com cirurgia vascular e reumatologia. O hospital reitera que a conduta seguiu protocolo técnico compatível com o quadro apresentado e com as comorbidades pré-existentes. No momento, a paciente está internada na unidade de Santo André, com toda atenção da equipe especializada”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
