
A Argentina conseguiu mais uma virada na Copa do Mundo ao vencer a Inglaterra por 2 a 1, nesta quarta-feira, e garantir vaga na final do torneio disputado na América do Norte. Além da classificação, o confronto reacendeu uma grande rivalidade, diretamente ligada a um conflito histórico entre os dois países. Os atletas argentinos aproveitaram as comemorações para provocar e aumentar uma polêmica geopolítica.
A relação entre argentinos e ingleses vai muito além das quatro linhas. A principal origem da rivalidade está na Guerra das Malvinas, em 1982, quando Argentina e Reino Unido disputaram o controle do arquipélago localizado no Atlântico Sul. Os britânicos mantiveram a posse do território, chamado de Falklands pelos ingleses e de Malvinas pelos argentinos. Cenário não aceito pelos sul-americanos até hoje.
Após a vitória, os jogadores aproveitaram o momento para provocar o adversário. Parte do elenco foi flagrada comemorando com uma faixa estampada com a frase “As Malvinas são argentinas”. Em uma das imagens, é possível identificar o meia Giovani Lo Celso ao lado de outros atletas segurando o objeto.
O conflito deixou 907 mortos, segundo estimativas: 649 militares argentinos, 255 soldados britânicos e três civis que viviam no local. Localizadas a cerca de 550 quilômetros da costa da Argentina, o território ultramarino possui aproximadamente 12,2 mil km². O arquipélago é composto pelas duas ilhas principais, Gran Malvina e Soledad, além de mais de 700 ilhas menores.
O local possui sua autonomia, com governo e legislação próprios. O Reino Unido responde pela defesa e pelas relações exteriores. O rei Charles III é seu chefe de Estado. A Organização das Nações Unidas (ONU) considera a disputa de soberania um caso ainda não resolvido e defende uma solução via diálogo.
A rivalidade também é alimentada pelo histórico de confrontos em Copas do Mundo. Antes da semifinal desta edição, as seleções haviam se enfrentado cinco vezes no torneio, com três vitórias da Inglaterra e duas da Argentina. Agora, o retrospecto passa a registrar três triunfos para cada lado.
O duelo mais emblemático aconteceu nas quartas de final da Copa de 1986, quando Diego Maradona marcou um golaço e também fez o polêmico gol conhecido como a “Mão de Deus”, conduzindo a Argentina à vitória por 2 a 1. O triunfo ganhou um significado geopolítico por ter ocorrido apenas quatro anos após o conflito. Naquele torneio, a Argentina conquistou seu segundo título mundial.
Atual campeã do mundo, a equipe de Lionel Messi busca o tetracampeonato. A Argentina enfrentará a Espanha no próximo domingo, às 16h (de Brasília), no MetLife Stadium, em East Rutherford, nos Estados Unidos.
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