
O índice de preços Ceagesp caiu 1,63% ante uma alta de 3,15% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o índice havia apresentado queda de 0,13% e, com o resultado obtido, encerrou o período apresentando um acumulado de 4,26% no ano e 8,52% em 12 meses.
Neste contexto, o destaque ficou com o setor de legumes, que mudou a tendência de alta observada no mês anterior e apresentou a maior queda percentual entre todos os setores analisados, puxado principalmente pela redução nos preços dos tomates e pimentões coloridos.
Análise setorial
O setor de frutas caiu 0,51% ante uma queda de 0,02% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de 0,22% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 7,72% no ano e de 3,60% em 12 meses. Dos 49 itens cotados nesta cesta de produtos, 47% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de mamão Havaí (-31,84%), melancia (-27,43%), laranja lima (-15,50%), carambola (-14,40%) e uva crimson (-13,57%). As principais altas ocorreram nos preços de pitaia (+109,10%), manga Tommy Atkins (+43,87%), acerola (+32,02%), ameixa importada (+31,68%) e banana-maçã (+28,06%).
Frutas
O setor de frutas encerrou o mês de junho com uma leve retração de 0,51%, aprofundando de forma sutil a queda de 0,02% observada no mês anterior. O comportamento deflacionário foi condicionado principalmente pelo desaquecimento da demanda doméstica, um reflexo direto do clima frio, que diminuiu o consumo de frutas com alto teor de água e características refrescantes.
O mamão Havaí liderou as baixas do setor com um recuo de 31,84% nas cotações. Esse movimento decorre da recuperação gradual do volume mensal de oferta nas principais praças fornecedoras do Espírito Santo e Bahia. Contudo, a demanda no mercado atacadista do Entreposto Terminal São Paulo (ETSP) arrefeceu devido às baixas temperaturas, o que acabou gerando menor ritmo de vendas.
A melancia ilustra de forma nítida o choque de demanda induzido pelo clima frio. Apesar da diminuição no volume mensal de oferta, o preço da fruta teve redução de 27,43%. O avanço da produção de inverno garantiu o fluxo de entrada no entreposto, mas as baixas temperaturas registradas na capital inviabilizaram a sustentação dos preços.
Os preços da laranja lima caíram, enquanto o volume mensal de oferta aumentou. Essa movimentação é sazonalmente esperada, dado o aumento da oferta com a entrada da safra 2026/2027. A maior disponibilidade do produto no mercado atacadista, combinada com a tendência de migração do consumo de sucos naturais para bebidas quentes em dias frios, contribuiu para a redução dos preços. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 2,18/kg, com variação de preço em 12 meses de 18,3%.
Com o período de maior volume de oferta entre os meses de maio a julho no ETSP, a carambola encontra-se em seu ciclo sazonal de colheita. Além disso, as reduções na demanda pelo produto devido ao frio e às festividades juninas do período estão entre os fatores que contribuíram para a redução de preço do produto no mercado atacadista.
Já a uva Crimson, cuja origem predominantemente é o Vale do São Francisco, registrou uma severa queda no volume mensal de oferta (-49,9%) no ETSP. Mesmo com a redução mensal de oferta, os atacadistas precisaram reduzir as margens para escoar os estoques remanescentes como forma de estimular a comercialização do produto em um mês desfavorável para o consumo de uvas de mesa sem sementes.
Legumes
O setor de legumes caiu 8,94% ante uma alta de 12,95% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado alta de 11,16% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 64,93% no ano e de 30,46% em 12 meses. Dos 32 itens cotados nesta cesta de produtos, 41% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de tomate Sweet Grape (-29,71%), tomate cereja (-24,73%), pimentão vermelho (-18,32%), tomate Carmem (-17,95%) e tomate Pizzad’oro (-16,04%). As principais altas ocorreram nos preços de pimenta cambuci (+54,23%), jiló (+39,47%), abóbora japonesa (+15,03%), berinjela japonesa (+12,47%) e pimentão verde (+10,59%).
O forte movimento de correção de preços no setor foi estruturado principalmente pelo início da colheita da safra de inverno nas principais regiões produtoras. O clima predominantemente seco e frio reduziu de maneira acentuada as perdas no campo, favorecendo o rendimento das lavouras de tomate e pimentão, acelerando a entrada desses produtos no ETSP.
A cadeia produtiva do tomate desempenhou papel importante na redução de preços do setor observada no período. O incremento no volume mensal de oferta do tomate Carmem (+35,9%) pressionou por ajustes de preços, refletindo o avanço da safra de inverno em praças importantes como São Paulo e Minas Gerais.
Nos segmentos especiais de mesa, o tomate Sweet Grape e o tomate cereja também apresentaram melhora no volume mensal de oferta. A alta produtividade das áreas de cultivo protegido garantiu a regularidade no fluxo de entrada desses produtos no mercado atacadista.
Por sua vez, o tomate Pizzad’oro registrou um movimento de queda nos preços mesmo diante de um recuo no volume mensal de oferta. Sob a perspectiva da análise microeconômica, esse fenômeno explicita o efeito da elasticidade-preço cruzada da demanda. Com a abundância do tomate Carmem a preços mais vantajosos, o mercado promoveu uma substituição de compra. Essa migração reduziu a liquidez de venda do tomate Pizzad’oro, o que acabou forçando os atacadistas a diminuírem as cotações para evitar perdas.
A redução no preço do pimentão vermelho representa um reequilíbrio nas cotações haja vista a sobrevalorização observada em períodos anteriores. O item, com produção frequentemente realizada em estufas, apresentou ligeira alta no volume mensal de oferta que, associada à redução da demanda, contribuiu ainda mais para o arrefecimento dos preços. No ETSP, o produto encerrou o período cotado a R$ 6,35/kg.
Verduras
O setor de verduras subiu +6,67% ante uma alta de 4,44% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado variação de -7,16% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 48,77% no ano e de 35,38% em 12 meses. Dos 39 itens cotados nesta cesta de produtos, 67% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de alface crespa (+36,72%), alface lisa (+26,91%), coentro (+23,94%), alface crespa hidropônica (+17,88%) e alface lisa hidropônica (+13,19%). As principais quedas ocorreram nos preços de salsa (-27,35%), brócolos ramoso (-25,17%), couve-flor (-12,75%), acelga (-11,33%) e repolho verde/liso (-9,93%).
O avanço dos preços no setor de Verduras foi promovido por um choque de oferta, principalmente entre as alfaces, decorrente de fatores climáticos que afetaram a produção no Cinturão Verde Paulista. A atuação de massas de ar polar manteve as temperaturas mínimas abaixo de 10°C nas madrugadas, retardando o ciclo de desenvolvimento das hortaliças folhosas. A baixa temperatura desacelerou o metabolismo das plantas, impedindo-as de atingirem a qualidade padrão exigida pelo mercado.
Além do fator climático, a área plantada com alface para este ciclo de produção foi reduzida significativamente pelos agricultores. Segundo as informações de mercado, essa decisão foi motivada pela baixa rentabilidade e, consequentemente, pelos prejuízos operacionais gerados durante a safra 2025/2026.
No fluxo mercadológico, a inelasticidade-preço da demanda de reposição (diária) do setor alimentício acelerou a alta de preços à medida que se acirrava a disputa por lotes de melhor qualidade.
É importante ressaltar que, embora o sistema hidropônico em estufas mitigue os danos causados por intempéries diretas do solo e da chuva, a menor insolação e o frio intenso das madrugadas também limitaram a taxa de crescimento das hortaliças folhosas protegidas, reduzindo o volume de colheita e elevando as cotações.
Diversos
O setor de diversos subiu 1,06% ante uma alta de 21,74% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de 2,90% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 49,24% no ano e de 8,83% em 12 meses. Dos 11 itens cotados nesta cesta de produtos, 55% apresentaram alta de preço.
As principais altas ocorreram nos preços de batata escovada (+15,45%), cebola nacional (+11,59%), coco seco (+10,97%), alho nacional (+1,70%) e ovos vermelhos (+1,35%). As principais quedas ocorreram nos preços de batata asterix (-8,82%), batata lavada (-3,66%), amendoim sem pele (-2,79%), ovos de codorna (-0,94%) e ovos brancos (-0,55%).
A batata escovada apresentou um comportamento atípico, registrando alta de preço mesmo com aumento no volume mensal de oferta. Esse movimento de mercado reflete a transição entre o fim da safra na região Sul e o início, lento e gradativo, das primeiras colheitas das safras dos estados de Minas Gerais, Goiás e São Paulo. Nessas condições, o mercado acaba priorizando a batata do tipo escovada (comum) devido à sua maior resistência de estocagem, o que acaba permitindo o avanço nos preços.
Com o término do escoamento de cebola nacional oriunda da região Sul, o mercado atacadista de São Paulo passou a depender da produção de regiões do Sudeste. Contudo, o início da temporada de colheita nessas regiões acabou sendo prejudicado por chuvas que geraram problemas de umidade e de qualidade dos bulbos. A menor disponibilidade de cebola de qualidade no mercado atacadista foi fator determinante para a alta de preço observada. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 4,14/kg.
A sazonalidade cultural das festas juninas provocou um choque de demanda sobre o coco seco. No mês de junho, a comercialização do produto é intensa para a produção de pratos e doces típicos nesta época do ano.
O alho nacional segue enfrentando concorrência do alho importado, que entra no mercado nacional e acaba estabelecendo um limite para as altas de preço do produto. Esse limite de preço estabelecido pela concorrência dos importados levou, segundo informações de mercado, a uma redução da área plantada. Assim, a redução na disponibilidade mensal ajudou a segurar as cotações do produto.
Pescados
O setor de pescados caiu 2,00% ante uma alta de 1,00% no mês anterior. No mesmo período do ano passado, o setor havia apresentado queda de 5,41% e, com o resultado obtido, encerrou o mês com um acumulado de 3,56% no ano e de 18,23% em 12 meses. Dos 30 itens cotados nesta cesta de produtos, 57% apresentaram queda de preço.
As principais quedas ocorreram nos preços de tainha (-37,65%), anchova (-14,11%), pescada amarela (-10,40%), pescada maria-mole (-8,47%) e xaréu (-6,84%). As principais altas ocorreram nos preços de espada (+23,23%), namorado (+9,79%), bagre água salgada (+6,80%), corvina água salgada (+6,52%) e cavalinha (+4,54%).
Destaque entre os itens que apresentaram redução de preço, a tainha tem como período de maior entrada no ETSP os meses de março a junho. A alta considerável no volume mensal de oferta (+38,8%) favoreceu o arrefecimento de preço. Esse aumento na oferta foi impulsionado por frentes frias que estimularam a rota de migração da espécie, coincidindo com o período de pesca artesanal em Santa Catarina, onde a safra ocorre tradicionalmente entre maio e julho, quando os cardumes migratórios buscam águas mais quentes. A pesca da tainha no litoral catarinense é uma atividade essencialmente artesanal, que mobiliza comunidades inteiras. O aumento da oferta no ETSP (+38,8%) reflete, portanto, o pico da safra catarinense, o que naturalmente exerceu pressão de baixa sobre os preços da tainha no atacado paulistano.
A anchova é uma espécie relevante para a atividade pesqueira nas regiões do Sul e Sudeste durante o período outono-inverno. O avanço das águas gélidas atrai grandes cardumes, marcando uma época de grande volume de oferta do produto. Com isso, os preços tendem a diminuir no mercado atacadista. No ETSP, o item encerrou o período cotado a R$ 20,09/kg, registrando variação de preço de -44,2% nos últimos 12 meses.
Os preços mais em conta da tainha e da anchova no mercado atacadista provocaram um efeito substituição envolvendo pescada amarela e pescada maria-mole. Bares e restaurantes, principais demandantes delas, optaram por substituir ambas, aumentando a comercialização das espécies sazonais. A perda de liquidez forçou a redução no preço das pescadas, mesmo apresentando um volume mensal de oferta menor.
Contudo, a alta taxa de captura artesanal e industrial da tainha levou o Ministério da Pesca e Aquicultura a decretar o encerramento preventivo das atividades no dia 7 de junho de 2026. Esse fechamento preventivo da pesca da tainha deve reduzir a presença dessa espécie no mercado atacadista em meados de julho, limitando a pressão de baixa. Isso poderá levar, no curto prazo, a uma recuperação de preço de outras espécies mais nobres.
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