
Na última segunda-feira (06/07), Tony Bellotto foi o entrevistado da semana no programa Roda Viva, da TV Cultura. Entre os assuntos tratados, o músico e escritor falou sobre o diagnóstico de câncer no pâncreas, como tem lidado com o tratamento e deu detalhes de seu estado de saúde.
Durante o programa, Edgard Piccoli trouxe à tona a questão da doença de Bellotto e questionou se o enfrentamento do câncer poderia motivá-lo a escrever um personagem que passe pelas mesmas questões que o artista.
Diagnóstico e carreira
“Essa questão da doença é muito nova na minha vida. Eu fui diagnosticado com câncer de pâncreas vai fazer dois anos agora. E é uma experiência transformadora, obviamente”, disse. O músico explicou que escrevia um livro à época do diagnóstico e acabou por abandonar o projeto em decorrência do tratamento. No entanto, ele já retornou ao trabalho. “É a primeira coisa que eu faço depois de passar por essa experiência do câncer.”
Apesar de o diagnóstico ter um grande papel em sua vida, o artista admite ainda não saber qual será o impacto de tudo isso sobre seu trabalho e, em resposta à pergunta de Edgard Piccoli, ressaltou: “Você tem razão, eu sempre gosto, nos meus livros, de exercitar uma frustração, uma tragédia, situações que não me acontecem na vida real. Aí eu escrevi tanto que acabou acontecendo mesmo”, disse, em tom de brincadeira.
Levar a vida com otimismo
O músico ainda comentou que o diagnóstico mudou alguns aspectos de sua vida, como os pensamentos em torno do fim. “A doença te coloca a presença da finitude muito objetiva, muito clara na tua frente. Isso me transformou. E você ganha uma coragem para enfrentar essa doença. No meu caso, com muita positividade”, disse.
Bellotto também falou sobre a forma como a sociedade lida com o câncer. Segundo o músico, ele tenta se afastar de uma questão mais dramática e até mesmo “épica” que envolve a doença, com expressões como “lutava contra o câncer”. “Eu, como pacifista, não luto contra o câncer, busco negociar uma convivência pacífica”, afirmou.
O artista refletiu sobre como a enfermidade é percebida por outras pessoas: “É uma doença muito estigmatizada. E desde o início eu vi que era mais fácil lidar com ela sem esse estigma”, comentou, antes de acrescentar que lidar com o diagnóstico de outra maneira lhe era mais “positivo”.
Tony Bellotto está bem?
“Eu estou bem, me sentindo ótimo hoje, mas eu acho que assim, um câncer de pâncreas é um câncer muito grave. Então eu não posso dizer que eu estou livre da doença. Tem algumas consequências que não são nem da doença em si, mas dos próprios tratamentos”, comentou sobre seu estado de saúde atual.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
