
O autor Benedito Ruy Barbosa morreu na manhã desta terça-feira (07/07), aos 95 anos, devido a complicações de insuficiência renal crônica. Ele estava internado no HCor, em São Paulo, que confirmou a informação.
“O HCor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”, informou, em nota.
Ao longo de mais de 60 anos de carreira, Ruy Barbosa tornou-se um dos grandes nomes da teledramaturgia brasileira. Suas novelas ficaram marcadas por contar histórias que retratam o Brasil rural, com personagens ligados à terra, à tradição e à cultura. Suas tramas abordaram temas como imigração, meio ambiente, relações familiares e os desafios da vida no campo.
Trajetória
Nascido em Gália, no interior de São Paulo, em 1931, Benedito Ruy Barbosa passou a infância na cidade vizinha de Vera Cruz, região de cafezais que concentrava muitos imigrantes, especialmente italianos e japoneses. Mais velho de cinco irmãos, Benedito perdeu o pai, Otávio Barbosa, aos 11 anos, e precisou começar a trabalhar cedo para ajudar no sustento da família.
Mudou-se sozinho para São Paulo, onde conciliou trabalho e estudos. Atuou como auxiliar de guarda-livros, feirante, faxineiro, bancário e, mais tarde, em 1954, como revisor no Estadão. Também atuou como repórter na editoria de Esportes do jornal Última Hora, trabalhou na Gazeta Esportiva e como redator publicitário na Radial Propaganda, até receber um convite para ser roteirista na agência J.W. Thompson.
Sua estreia na televisão foi em 1966, na TV Tupi, com a novela Somos Todos Irmãos. Nos anos seguintes, passou por emissoras como Excelsior, Record e Band. Em 1976, foi contratado pela Globo, onde estreou com O Feijão e o Sonho. No horário das 18h, escreveu ainda À Sombra dos Laranjais (1977) e Cabocla (1979).
Depois de uma breve passagem pela Band, onde escreveu Os Imigrantes (1981), voltou à Globo e assinou sucessos como Paraíso (1982), Voltei pra Você (1983), Bandeirantes (1985), Sinhá Moça (1986) e Vida Nova (1988).
Em 1990, escreveu Pantanal para a TV Manchete, novela que se tornou um marco da teledramaturgia brasileira. O sucesso o levou de volta à Globo, onde assinou Renascer (1993), O Rei do Gado (1996) e Terra Nostra (1999).
Nos anos 2000, escreveu a novela Esperança (2002), a minissérie Mad Maria (2005), sobre a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, na região amazônica, e assinou os remakes de Sinhá Moça (2006) e Meu Pedacinho de Chão (2014). Seu último trabalho inédito foi Velho Chico (2016), novela que também contou com a colaboração do neto Bruno Luperi.
Fora dos roteiros, Benedito teve uma vida pessoal marcada pela discrição. Foi casado por 56 anos com a atriz Marilene Barbosa, que morreu em 2014, vítima de câncer. Juntos, tiveram quatro filhos: Edmara Barbosa, Edilene Barbosa, Ruy Maurício Tranquilli Barbosa e Marcelo Barbosa.
A família seguiu os passos do escritor na televisão. Edmara, a filha mais velha, também ingressou no mundo das telenovelas. Trabalhou nas versões dos anos 2000 de Cabocla e Sinhá Moça e esteve por trás de Paraíso, de 2009. Além disso, Edmara é mãe de Bruno Luperi, autor que escreveu a segunda parte de Velho Chico e os remakes de Pantanal e Renascer, baseados no texto original do avô.
Edilene, a filha mais nova, também colaborou com Bruno Luperi em Renascer e Pantanal. Ela também é responsável, ao lado do pai, por Meu Pedacinho de Chão (2014), que fez sucesso na faixa das 18h da Globo.
Já Marcelo Barbosa, músico e produtor, e o irmão, Ruy Maurício, têm uma vida mais reclusa e não são atores.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
