
A cada edição da Copa do Mundo, além dos gols e das disputas dentro de campo, outro tema ganha destaque nos bastidores: a recuperação física dos atletas. Em uma competição de alto nível, na qual os jogadores são submetidos a intenso desgaste físico e emocional, a fisioterapia desempenha papel fundamental para garantir o retorno seguro ao esporte e prevenir novas lesões.
Para o especialista em fisioterapia esportiva e professor do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), André Setti, a reabilitação de atletas de alto rendimento evoluiu significativamente nos últimos anos.
“Atualmente, buscamos retirar o atleta dos treinamentos o mínimo possível. Dependendo da lesão, é possível manter atividades que preservem o condicionamento físico, como exercícios para outros grupos musculares, trabalhos na piscina e atividades aeróbicas de baixa carga”, explica.
A estratégia é importante porque a perda do condicionamento físico pode prolongar o tempo necessário para o retorno às competições. Em grandes competições, a expectativa de torcedores, clubes e patrocinadores frequentemente aumenta a pressão para que os atletas retornem rapidamente às atividades.
No entanto, acelerar etapas da recuperação pode trazer consequências importantes. “Acelerar a recuperação pode gerar efeitos tanto a curto quanto a longo prazo. O esporte de alto rendimento tem suas exigências e cobranças, mas é preciso respeitar o tempo biológico do organismo para evitar novos problemas”, alerta Setti.
O retorno precoce está associado a maiores índices de reincidência de lesões musculares e articulares, especialmente em modalidades que exigem explosão, velocidade e mudanças bruscas de direção, como o futebol.
Entre os problemas mais comuns no futebol estão as lesões musculares, especialmente na região posterior da coxa. Embora geralmente apresentem recuperação mais rápida do que algumas lesões ligamentares, elas exigem atenção devido ao elevado risco de recorrência.
Já lesões como a ruptura do ligamento cruzado anterior (LCA), uma das mais temidas pelos atletas, costumam demandar meses de tratamento e reabilitação. Em alguns casos, mesmo após a recuperação clínica, o atleta pode encontrar dificuldades para retornar ao mesmo nível de desempenho.
Diferenças entre atletas e praticantes
Apesar dos princípios fisiológicos da recuperação serem semelhantes, existem diferenças importantes entre atletas profissionais e praticantes comuns de atividade física. O metabolismo mais eficiente e o acompanhamento especializado permitem que atletas recuperem força e desempenho com maior rapidez.
Ainda assim, o professor da FMABC ressalta que a fisioterapia não deve ser vista apenas como tratamento para lesões. “Ela é recomendada para toda a população. Além de auxiliar na recuperação, tem papel importante na prevenção, no fortalecimento muscular e no desenvolvimento da consciência corporal, contribuindo para uma melhor qualidade de vida”, destaca.
Além do trabalho realizado pelos fisioterapeutas, outros fatores são fundamentais para o sucesso da recuperação. “O sono adequado e a alimentação balanceada são fatores fundamentais para auxiliar na recuperação”, reforça Setti.
A privação de sono pode comprometer a regeneração muscular, aumentar o risco de lesões e reduzir o desempenho físico. Da mesma forma, uma nutrição adequada ajuda na reparação dos tecidos e na manutenção da energia durante o processo de reabilitação.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
