
Com a chegada do inverno neste domingo (21/6) e a queda nas temperaturas, cresce a preocupação com o avanço das doenças respiratórias no ABC. Só começou a estação e os municípios da região já registram mais atendimentos por gripes, resfriados, crises alérgicas, sinusites e pneumonias. Levantamento feito pelo RD mostra que, no primeiro semestre de 2026, houve aumento de 32,9% nos atendimentos em comparação com o mesmo período de 2025.
No total, São Bernardo, Santo André, Diadema, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra registraram 19.627 atendimentos relacionados a problemas respiratórios em 2026, contra 14.760 no ano anterior. Somente neste ano, a região já contabiliza 2.388 internações.
Rio Grande da Serra registrou 1.135 notificações de síndrome respiratória em 2026, ante 480 em 2025, a maior alta entre os municípios, de cerca de 136%.
Ribeirão Pires também registrou crescimento tanto nos atendimentos quanto nas internações. Os atendimentos passaram de 85 no primeiro semestre de 2025 para 104 em 2026, alta de cerca de 22%. Já as internações passaram de 50 para 78 no mesmo período, o que representa uma alta de 56%.
Diadema e São Bernardo lideram os atendimentos
Entre os municípios analisados, Diadema e São Bernardo concentram a maior parte dos registros., com 66,1% dos atendimentos por doenças respiratórias na região neste ano.
Diadema registrou 8.293 atendimentos por síndromes respiratórias em 2026, ante 8.262 no mesmo período de 2025, o que representa uma leve alta de aproximadamente 0,37%, com volume elevado de casos. No Hospital Municipal de Diadema (HMD), as internações por sintomas respiratórios somaram 237 no primeiro semestre de 2026. Em 2025, foram 391 internações no mesmo período.
Em São Bernardo, foram registrados 4.695 atendimentos por síndromes gripais no primeiro semestre de 2026. O município contabilizou 558 internações por doenças respiratórias no mesmo período. A Prefeitura não forneceu dados de 2025 para comparação.
Grupos mais atingidos
Santo André registrou 5,4 mil atendimentos por problemas respiratórios no primeiro semestre de 2026. No mesmo período de 2025, foram 5.930 atendimentos, o que indica leve redução. O município registrou 1.515 internações por doenças respiratórias no primeiro semestre de 2026. As principais causas de internação foram os diferentes tipos de pneumonia, que somaram 1.048 internações no período.
Do total, 59,24% dos atendimentos foram de pacientes do sexo feminino (3.513 registros) e 40,73% do sexo masculino (2.415 registros). A faixa etária com maior concentração foi de 0 a 10 anos, com 1.530 registros, equivalente a 25,8% do total.
Diante desse cenário, em entrevista ao RDcast, a pneumologista Mônica Lapa, professora assistente do Centro Universitário Faculdade de Medicina do ABC (FMABC) e docente da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), reforça que idosos, crianças menores de 2 anos e portadores doenças crônicas, devem ter cuidado redobrado no inverno.
As condições típicas da estação favorecem o agravamento de doenças respiratórias. “A mudança de estação impacta diretamente o organismo. O ar seco e a poluição, que fica mais concentrada na atmosfera porque não chove, são agressores diretos para a nossa mucosa respiratória”, explica.
Além das mudanças climáticas, o comportamento das pessoas também contribui para o aumento dos casos. Ambientes pouco ventilados facilitam a transmissão de vírus e bactérias. “No frio, as pessoas tendem a fechar tudo. O problema não é o frio em si, mas o ambiente fechado, que favorece a transmissão de vírus pelo ar”, orienta.
A pneumologista alerta para os sinais que indicam a necessidade de procurar atendimento médico. “Se o paciente apresentar febre persistente, cansaço, falta de ar ao fazer pequenos esforços ou tosse contínua, é hora de procurar o pronto-socorro ou o médico de confiança”, orienta.
Cuidados e prevenção
A pneumologista destaca que a prevenção das doenças respiratórias passa por uma série de hábitos simples no dia a dia. Um dos principais é a ingestão adequada de água. “A hidratação de dentro para fora faz com que o muco fique menos espesso e seja mais fácil para o organismo limpar as impurezas”, revela.
Outro cuidado essencial é a lavagem nasal, considerada um método simples, acessível e eficaz. Para evitar desconforto, a recomendação é usar o soro em temperatura ambiente ou levemente morno e aplicá-lo com dispositivos como seringa ou frascos próprios. A prática deve ser realizada ao menos duas vezes ao dia. “Não é só quando está doente; deve ser um hábito diário, como escovar os dentes, para manter a mucosa hidratada e limpa”, orienta Monica.
Além dessas medidas, o uso de máscara e a higienização das mãos com álcool em gel seguem como importantes formas de prevenção. A especialista também reforça a necessidade de manter a caderneta de vacinação atualizada, especialmente contra a gripe e a covid-19. “A vacina não impede que você pegue, por exemplo, um resfriado, mas protege contra as formas graves da gripe e as complicações que levam à internação”, explica.
A prática de exercícios físicos também é apontada como aliada importante para a saúde respiratória. Manter o corpo ativo contribui para o fortalecimento do sistema imunológico e melhora a capacidade pulmonar. “O futuro é músculo. Quem tem mais músculo vive melhor e com mais qualidade de vida”, destaca a médica.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
