
O Ministério das Relações Exteriores da Suíça confirmou nesta quinta-feira (18/06), que Estados Unidos e Irã iniciam nesta sexta-feira (19), em território suíço, a fase de implementação do acordo de paz assinado pelos presidentes dos dois países. O entendimento encerra o conflito iniciado em 28 de fevereiro, após ataques de Israel e dos EUA contra o Irã, e abre um processo de negociações técnicas que definirá os mecanismos de execução do acordo.
Fim da guerra?
Apesar da assinatura do acordo, o texto não representa o encerramento definitivo das pendências entre Washington e Teerã. Um tratado final ainda depende de novas rodadas de negociação e será submetido à ratificação do Conselho de Segurança da ONU.
Até a conclusão desse processo, as partes mantêm o chamado status quo. Isso significa que o Irã preserva seu programa nuclear nos termos atuais, enquanto os Estados Unidos se comprometem a não impor novas sanções nem ampliar sua presença militar no Oriente Médio.
Aplicação das medidas do acordo
Agora, as delegações passam a detalhar como serão aplicadas as medidas previstas no memorando, em um cronograma de pelo menos 60 dias, com possibilidade de prorrogação. As conversas serão mediadas por Paquistão e Catar e contarão com negociadores de alto escalão dos dois países.
Infraestrutura estratégica e energia
Entre os primeiros pontos da implementação está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o comércio global de petróleo. A passagem havia sido impactada durante o conflito e será objeto de definição operacional, com regras de navegação e possíveis mecanismos de cobrança.
O acordo também prevê a suspensão gradual das sanções econômicas contra o Irã, especialmente no setor de energia. Caso haja avanço para um tratado definitivo, os Estados Unidos se comprometem a eliminar integralmente as restrições, o que viabiliza a retomada plena das exportações de petróleo iraniano.
Programa nuclear sob supervisão da AIEA
O núcleo das negociações envolve o programa nuclear iraniano. O protocolo prevê a diluição do urânio enriquecido sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), além da criação de mecanismos de verificação e controle que serão detalhados ao longo da fase técnica.
A AIEA estima que o Irã mantinha cerca de 440 quilos de urânio enriquecido a 60% antes da escalada do conflito, nível próximo ao necessário para produção de uma arma nuclear. A agência participará diretamente da definição das etapas operacionais do acordo.
Reconstrução e ativos bloqueados
O entendimento também prevê a criação de um fundo de reconstrução de US$ 300 bilhões para o pós-guerra e a liberação de ativos iranianos mantidos no exterior. As condições de financiamento, gestão e execução ainda serão definidas nas próximas rodadas de negociação.
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