
As sete cidades da região registraram 6,2 mil violações de direitos de pessoas idosas entre janeiro e maio de 2026. Os dados, divulgados pelo Painel de Dados da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, reforçam a importância das ações de conscientização e combate à violência contra a população idosa, tema em destaque durante a campanha Junho Violeta.
No período, foram contabilizadas 1.030 denúncias relacionadas a casos de violência e violação de direitos. A partir desses registros, os órgãos responsáveis realizaram 679 atendimentos e identificaram 6.226 violações, entre elas situações de negligência, abuso psicológico, violência física e exploração financeira.
Entre os municípios da região, Santo André lidera o número de ocorrências, com 1.747 violações registradas. Na sequência aparecem São Bernardo (1.584), Mauá (978), São Caetano (747), Diadema (637), Ribeirão Pires (413) e Rio Grande da Serra (120).
O cenário ganha ainda mais relevância diante do envelhecimento da população brasileira. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o país conta atualmente com 35,2 milhões de pessoas com 60 anos ou mais, grupo que representa 16,6% da população.
Para a coordenadora do curso de Direito da Faculdade Anhanguera, Marcela Soares, ampliar o debate sobre o tema é fundamental para fortalecer a rede de proteção aos idosos. “Essa é a proposta do Junho Violeta: chamar a atenção para as diferentes formas de violência praticadas contra a pessoa idosa e incentivar a prevenção e o combate a essas situações”, afirma.
Tipos de violência
Entre os tipos de violência mais frequentes estão agressões físicas, abuso psicológico, negligência, abandono, violência patrimonial e financeira, violência sexual, discriminação e violência institucional.
Segundo a especialista, a condição de vulnerabilidade de parte da população idosa exige atenção redobrada da sociedade. “Em muitos casos, a pessoa idosa depende de terceiros para atividades básicas do dia a dia, o que pode aumentar sua exposição a situações de abuso. Por isso, é importante que familiares, vizinhos e a comunidade estejam atentos aos sinais de violência”, destaca.
A coordenadora também ressalta a importância da denúncia para interromper os ciclos de violência e garantir proteção às vítimas. “A denúncia permite a atuação das autoridades, contribui para responsabilizar os agressores e ajuda a evitar que novos casos aconteçam. O cuidado com a pessoa idosa é uma responsabilidade coletiva, não apenas dos órgãos públicos, mas de toda a sociedade”, reforça.
A legislação brasileira prevê mecanismos específicos para a proteção dos direitos da população idosa. Casos suspeitos ou confirmados podem ser denunciados por meio do Disque 100, que funciona 24 horas por dia, além dos canais da Polícia Militar (190), Polícia Civil (197) e Ministério Público.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
