
Com a chegada das baixas temperaturas, os hemocentros do ABC enfrentam o desafio de manter os estoques de sangue em níveis seguros. Às vésperas do Dia Mundial do Doador de Sangue, celebrado em 14 de junho, as reservas da região são suficientes para apenas sete dias de atendimento e operam cerca de 20% abaixo da necessidade diária.
A situação preocupa, principalmente diante da alta demanda por transfusões. Para se ter ideia, todos os meses, entre 4,5 mil e 5 mil procedimentos são realizados em hospitais abastecidos pela Colsan (Associação Beneficente de Coleta de Sangue), responsável pelo fornecimento de hemocomponentes para 10 unidades de saúde do ABC e também para hospitais da Baixada Santista.
Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP), os meses mais frios costumam registrar redução nas doações em razão do aumento dos casos de doenças respiratórias, das mudanças na rotina da população e dos períodos de férias e feriados prolongados. A queda no número de doadores ocorre justamente quando a necessidade de sangue permanece constante nos hospitais.
A comerciante Angélica Santos Cruz é uma das doadoras frequentes da região. Em entrevista ao RD, Angélica conta que a decisão de doar regularmente surgiu após vivenciar, dentro da própria família, a importância do gesto para salvar vidas. “Já perdi um sobrinho que sofreu um acidente de moto em 2015 e precisou de transfusões de sangue. Depois dessa experiência, passei a entender ainda mais a importância da doação. Por isso, sempre que posso, venho fazer a minha parte”, relata.
Mais de 75 mil bolsas coletadas
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES-SP) mostram que, nos últimos 12 meses, foram coletadas aproximadamente 75.823 bolsas de sangue nas unidades da Colsan que atendem o ABC. No mesmo período, mais de 44,7 mil transfusões foram realizadas nas dez unidades hospitalares abastecidas pela instituição na região.
Apesar dos números expressivos, a gerente regional da Colsan ABC, Solange Rios, destaca que a necessidade de sangue é constante e exige reposição contínua dos estoques. “Pode parecer muito, mas sempre precisamos de mais. O sangue tem prazo de validade e a demanda dos hospitais não para. Todos os dias há pacientes que precisam de transfusões para cirurgias, tratamentos e atendimentos de emergência”, afirma.
Segundo Solange, o sangue coletado pela Colsan abastece hospitais de Santo André, São Bernardo, São Caetano e Mauá, além de unidades da Baixada Santista. Entre os equipamentos atendidos estão o Hospital Nardini, em Mauá; o Hospital da Mulher, o Centro Hospitalar Municipal e o Hospital Estadual Mário Covas, em Santo André; quatro hospitais em São Bernardo e duas unidades em São Caetano.
Estoque cerca de 20% abaixo da necessidade diária
Atualmente, os estoques encontram-se em estado de atenção. Segundo a Colsan, as doações estão cerca de 20% abaixo da necessidade diária para manter as reservas em níveis considerados ideais. A situação exige mobilização constante para evitar o comprometimento do atendimento a pacientes que dependem de transfusões.
Embora todos os tipos sanguíneos sejam importantes, alguns grupos exigem atenção especial dos hemocentros. O sangue O negativo (O-) é considerado doador universal e pode ser utilizado em situações de emergência quando não há tempo para identificar a tipagem do paciente. Já o O positivo (O+) está entre os mais requisitados por ser o tipo mais comum entre os brasileiros. Outros grupos com menor número de doadores, como B negativo (B-) e AB negativo (AB-), também costumam demandar reforço nos estoques.
A necessidade por sangue é permanente e envolve desde vítimas de acidentes e pacientes submetidos a cirurgias até pessoas em tratamento contra o câncer ou portadoras de doenças hematológicas. Apenas na rede municipal de Diadema, por exemplo, foram realizadas 3.037 transfusões nos últimos 12 meses. O município registra uma média de 95 pacientes por mês necessitando de algum tipo de hemocomponente.
Doação
Para estimular as doações, a Prefeitura de Diadema mantém ações permanentes no Hospital Municipal, incentivando familiares de pacientes que recebem transfusões a se tornarem doadores. O município também promove campanhas de conscientização nos equipamentos de saúde ao longo do ano.
Em Rio Grande da Serra, a mobilização ocorre por meio de iniciativas como o Junho Vermelho e da Campanha de Incentivo à Doação de Sangue, incluídas no calendário oficial da cidade. Embora o município não possua hemocentro próprio, a Secretaria de Saúde apoia o abastecimento regional por meio de parcerias e ações de divulgação.
Já em São Bernardo, uma ação especial pretende ajudar a reforçar os estoques neste período de maior necessidade. Na próxima segunda-feira (15), a Câmara Municipal recebe mais uma edição do Projeto Sangue Bom, campanha realizada em parceria com a Colsan e com apoio da Prefeitura.
A iniciativa integra as ações do Junho Vermelho e busca ampliar o número de doadores em um momento considerado crítico pelos hemocentros. Além de contribuir para o abastecimento dos bancos de sangue, a mobilização também participa de um movimento nacional que busca ampliar o número de doações realizadas em campanhas promovidas por câmaras municipais.
A Secretaria de Estado da Saúde reforça que uma única doação pode beneficiar até quatro pessoas. O sangue coletado é separado em diferentes componentes, que podem ser utilizados em tratamentos e procedimentos distintos, ampliando o alcance do gesto solidário.
Quem deseja doar deve estar em boas condições de saúde, pesar mais de 50 quilos, ter entre 16 e 69 anos de idade – menores precisam de autorização dos responsáveis – e apresentar documento oficial com foto. Também é recomendado estar alimentado e evitar o consumo de bebidas alcoólicas nas 12 horas que antecedem a doação.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
