
Apesar do alto nível de endividamento das famílias brasileiras, os consumidores do ABC pretendem gastar mais no Dia dos Namorados deste ano. Pesquisa da Strong Business School, realizada em parceria com a Acisa, estima que a data deverá movimentar aproximadamente R$ 91 milhões na região, um crescimento real de 8% em comparação com 2025.
O levantamento ouviu 745 consumidores das sete cidades do ABC entre os dias 7 e 29 de maio. Entre os entrevistados, 460 afirmaram que pretendem comprar presentes para celebrar a data.
Os dados apontam uma maior disposição para gastar. O desembolso médio planejado com presentes chegou a R$ 384, representando crescimento real de aproximadamente 5% em relação ao Dia dos Namorados de 2025. Já o valor médio que os consumidores pretendem pagar por item alcançou R$ 335, alta real de cerca de 11%.
Para o economista do Centro de Inteligência de Mercado (CIM) da Strong Business School, professor Sandro Maskio, o resultado reforça a força das datas comemorativas nas decisões de consumo.
“O Dia dos Namorados possui uma característica emocional muito forte, que reduz a sensibilidade ao preço e amplia a busca por produtos de melhor qualidade e experiências mais significativas. É uma data em que a decisão de compra é fortemente influenciada por fatores afetivos”, afirma.
A pesquisa mostra que 44% dos entrevistados pretendem gastar mais neste ano do que em 2025. Outros 39% planejam manter um nível semelhante de despesas, enquanto apenas 16,6% afirmaram que devem reduzir os gastos.
Entre os principais presenteados estão namorados e namoradas, citados por 52,5% dos participantes. Em seguida aparecem cônjuges, com 34,5%, e noivos e noivas, com 10,5%. Juntos, esses grupos representam praticamente a totalidade dos presentes adquiridos para a data.
Na lista dos itens mais procurados, vestuário e calçados lideram as intenções de compra, com 24,9%. Perfumes e cosméticos aparecem na sequência, com 19,4%, seguidos por flores (10,3%), joias e bijuterias (7,4%) e cestas de café da manhã e doces (7%).
Outro destaque do levantamento é a crescente importância da qualidade dos produtos. O desejo da pessoa presenteada continua sendo o principal fator na escolha do presente, citado por 35,1% dos entrevistados. Logo depois aparece a qualidade, mencionada por 31%, à frente do preço, que foi apontado por 15,3%.
As compras online seguem na preferência dos consumidores da região. Cerca de 43,9% pretendem adquirir os presentes por meio de sites, plataformas digitais ou redes sociais. Os shopping centers aparecem em segundo lugar, com 33,5% das intenções, enquanto o comércio de rua reúne pouco mais de 22%.
Os consumidores que planejam comprar em shoppings também registraram os maiores gastos médios. Nesse grupo, o desembolso previsto chega a R$ 425, acima dos R$ 403 estimados entre aqueles que pretendem realizar as compras pela internet.
Formas de pagamento
O cartão de crédito permanece como principal meio de pagamento para a data. Aproximadamente 51% dos entrevistados afirmaram que pretendem utilizar essa modalidade, sendo que 31,7% devem parcelar as compras. “Mesmo em um ambiente de juros ainda elevados e de famílias bastante comprometidas com dívidas, o consumidor do ABC demonstra disposição para gastar no Dia dos Namorados”, destaca Maskio.
O Pix aparece em segundo lugar, com 23,2% das preferências, seguido pelo cartão de débito, com 20,6%.
Além dos presentes, os casais também pretendem celebrar a data em restaurantes. Segundo a pesquisa, 56,8% dos entrevistados afirmaram que planejam sair para jantar no Dia dos Namorados, enquanto 40,7% devem comemorar em casa.
O gasto médio previsto com o jantar é de R$ 275, valor que representa crescimento real de aproximadamente 6,5% em relação ao ano anterior. A maior parte dos consumidores estima desembolsar entre R$ 100 e R$ 500 na celebração.
“Os resultados indicam que a melhora do mercado de trabalho e o crescimento da renda têm contribuído para preservar a capacidade de consumo das famílias. O avanço dos gastos planejados e a expectativa de movimentação superior a R$ 90 milhões mostram que o comércio regional deve ser beneficiado não apenas pela venda de presentes, mas também pelos segmentos de serviços, alimentação e lazer”, avalia o economista.
Para o presidente da Acisa, Evenson Robles Dotto, os números reforçam o otimismo do setor. “A intenção de compra identificada pela pesquisa fortalece a confiança do consumidor e cria expectativas positivas para o comércio. Este é o momento de os empresários oferecerem diferenciais competitivos, fortalecerem o relacionamento com os clientes e impulsionarem as vendas”, afirma.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
