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Coceira nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos e secreção ocular. Com a chegada das temperaturas mais baixas e do tempo seco, os casos de irritação ocular e conjuntivite voltam ao foco nos consultórios oftalmológicos. Segundo dados do Conselho Brasileiro de Oftalmologia, cerca de 20% da população sofre com algum tipo de alergia ocular.
Apesar da associação frequente entre conjuntivite e estações frias, o oftalmologista Hallim Feres Neto, membro do Conselho Brasileiro de Oftalmologia e diretor da Prisma Visão, explica que o problema pode surgir em qualquer época do ano, mas encontra condições mais favoráveis no outono e no inverno. “Além de o ar mais seco irritar naturalmente os olhos, esse período também aumenta a circulação de vírus respiratórios, que podem desencadear conjuntivites virais extremamente contagiosas. Ao mesmo tempo, a baixa umidade favorece crises alérgicas oculares”, afirma o médico.
O especialista alerta para um dos erros mais comuns: tratar todos os os quadros da mesma forma. Segundo Hallim, existem três tipos principais de conjuntivite e cada um exige cuidados específicos.
A conjuntivite viral é a mais frequente e também a mais contagiosa. O quadro costuma provocar olhos vermelhos, lacrimejamento intenso e secreção aquosa. Já a bacteriana apresenta secreção mais espessa, amarelada ou esverdeada. Há ainda a conjuntivite alérgica, que não é contagiosa e costuma causar coceira intensa, ardência e irritação ocular. “É muito comum as pessoas recorrerem à automedicação ou utilizarem colírios indicados por conhecidos. Isso pode agravar o quadro e até mascarar doenças mais graves. O ideal é sempre buscar avaliação oftalmológica”, reforça Hallim.
Outro ponto de atenção envolve as crianças, mais vulneráveis à transmissão da doença, principalmente pelo hábito frequente de levar as mãos aos olhos e pelo compartilhamento de objetos em escolas e ambientes coletivos. Hallim destaca que pequenas mudanças na rotina ajudam a reduzir significativamente o risco de contaminação e crises oculares nesta época do ano.
Cuidados ajudam na prevenção
Evitar levar as mãos aos olhos é uma das principais medidas de prevenção, já que o contato direto facilita a transmissão da conjuntivite viral e bacteriana. Também é importante não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, fronhas, maquiagem, colírios e lenços, itens que favorecem o contágio.
A higiene das mãos segue como uma das formas mais eficazes de proteção. Ambientes fechados, ventiladores e ar-condicionado também exigem atenção, pois aumentam a irritação ocular em períodos de baixa umidade. Outro hábito que merece cuidado é coçar os olhos, prática que intensifica a irritação e eleva o risco de infecções. Quando os sintomas aparecem, algumas medidas simples ajudam no alívio até a avaliação médica.
Compressas frias, lavagem dos olhos com água filtrada ou soro fisiológico gelado, uso de colírios lubrificantes prescritos pelo oftalmologista e a suspensão do uso de maquiagem e lentes de contato durante o quadro estão entre as principais orientações. “Em muitos casos, água gelada e higiene correta já ajudam bastante no conforto ocular. Mas o principal é evitar automedicação e impedir a transmissão para outras pessoas”, conclui Feres Neto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
