O presidente da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), André Passos, participou da Assembleia de Prefeitos do Consórcio Intermunicipal Grande ABC, nessa terça-feira (12/5), em Santo André. A intenção foi chamar os sete prefeitos para o debate sobre o setor em meio à disputa global entre Estados Unidos e China pela liderança. A ideia é que a região possa auxiliar nas mudanças propostas para o mercado interno ser mais competitivo.
“O Brasil é um mercado de 220 milhões de habitantes. É o sexto maior mercado do mundo. Portanto, está em disputa. Chineses e americanos já ganharam território na Europa. Praticamente, destruíram a indústria petroquímica local europeia. Nós não queremos que isso aconteça com o Brasil. Mas nós estamos sob ataque no Brasil, no meio desse conflito geoeconômico no mundo”, disse Passos.
A primeira medida que o presidente da Abiquim defende é uma posição de soberania do Brasil, evitar que a “concorrência desleal” possa reduzir a participação brasileira no setor. A intenção é que se crie condições para uma competitividade justa e que evite que o nosso mercado seja dependente dos chineses ou dos estadunidenses.
Passos relembra que o Brasil já passa por tal situação ao não apostar no mercado de fertilizantes. Sem um setor forte no ambiente nacional, 90% desse tipo de produto é importado. Com os conflitos no Oriente Médio, existe uma preocupação sobre a falta de fertilizantes, o que vai gerar problemas para a economia, principalmente no agronegócio.
Insumos
“Nós não queremos que isso se estenda para outros produtos importantes para o Brasil, que são o insumo para fazer roupas, calçados, produtos de limpeza, shampoo, cosméticos, detergentes etc. Não queremos que essa dependência se estenda ao ponto de o Brasil perder sua soberania econômica, sua soberania produtiva”, comentou.
A segunda medida é tentar reduzir o custo da matéria-prima usada no setor petroquímico. O custo do gás natural é o que mais preocupa. Segundo André, enquanto no Brasil se paga 14 dólares para cada um milhão de BTUs, os Estados Unidos pagam 3 dólares. Para o presidente da Abiquim, tal cenário não deveria acontecer, pois o governo federal é dono da Petrobras, maior produtora de óleo e gás do País.
A terceira medida está atrelada ao governo do Estado de São Paulo. O preço da tarifa de distribuição de gás é a maior do Brasil, custa 2 dólares por milhão de BTUs. Enquanto nos Estados Unidos o custo é de 60 centavos de dólar e na Europa é de 40 centavos de dólar. “Não há justificativa para uma tarifa tão cara como essa no Estado de São Paulo. E é a mais cara em relação à Bahia, Rio de Janeiro, Paraná e ao Rio Grande do Sul. É uma das mais caras, se não a mais cara, do nosso País”, diz André.
Participação do ABC

“A gente deve articular o conjunto de zonas territoriais onde há produção química no Brasil, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Pernambuco. Fazer um bloco dos prefeitos, Consórcio do ABC com esses prefeitos, para a gente e o governo federal fortalecer essa agenda de redução de custos de produção e de defesa comercial. E de incentivo também para a indústria enfrentar essa estrutura de incentivos que existe especialmente na China”, inicia Passos.
O executivo acrescenta a segunda agenda. Mover uma discussão com o governo do Estado sobre política tarifária de distribuição de gás e de água, que tem pesado demais também no custo de produção, reduzido competitividade e gerando ociosidade na indústria.
“A gente tem 35% da nossa capacidade produtiva aqui no Estado de São Paulo que podia ser usada”, segue Passos ao alegar que com um cenário mais competitivo São Paulo poderia arrecadar mais R$ 20 bilhões em ICMS.
Consórcio
“Então é importante a gente valorizar essa indústria, se conectar mais com essa indústria e entender as demandas. Por isso, vamos trabalhar nesses dois eixos, com o governo federal, sobre o custo da produção, sobre as ações de defesa comercial, como aqui no Estado de São Paulo, a questão das tarifas. É importante, o que o André falou, a gente avançar nesse debate também, quanto à tarifa do gás, a tarifa da água, que subiu muito no último período”, comentou Aroaldo Silva, presidente da Agência de Desenvolvimento Econômico do Grande ABC e secretário-executivo do Consórcio ABC.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
