
Um jovem de 18 anos foi atingido por um objeto pontiagudo, no dia 24 de abril, na avenida XV de Novembro, região central de Santo André. O caso foi registrado como lesão corporal no 1º Distrito Policial do município, e a vítima segue sob cuidados no Centro Médico de Especialidades.
De acordo com a SSP (Secretaria da Segurança Pública de São Paulo), a vítima caminhava pela via quando foi atingida por uma mulher que portava um objeto semelhante a uma agulha. Após o ataque, o jovem procurou atendimento médico e registrou a ocorrência.
A Prefeitura de Santo André diz que o paciente deu entrada na UPA Perimetral no mesmo dia. A equipe de atendimento realizou testes rápidos e iniciou o protocolo de PEP (Profilaxia Pós-Exposição) dentro do prazo recomendado. O tratamento inclui o uso de medicação por cerca de 30 dias, com acompanhamento especializado no Centro Médico de Especialidades, referência em infectologia.
Ainda conforme a administração municipal, não há registro recente de ocorrências semelhantes na cidade. A Prefeitura também destacou que a Guarda Civil Municipal não foi acionada para o caso. A gestão ressaltou que a região central conta com ações integradas de segurança, com patrulhamento preventivo e videomonitoramento.
As autoridades não divulgaram informações sobre a possível motivação do ataque. O RD tentou contato com a família do garoto, na qual não respondeu.
Infectologista avalia risco de contaminação
Para o infectologista Renato Grinbaum, professor de Medicina da USCS (Universidade Municipal de São Caetano), o episódio exige atenção, mas apresenta baixo risco de contaminação quando há resposta médica rápida. Classifica o caso como grave do ponto de vista da exposição. “É uma situação lamentável, uma situação de risco indesejável, sem qualquer justificativa”, afirma. Ainda assim, destaca que a probabilidade de infecção é reduzida.
Com base em dados de acidentes com profissionais de saúde, o risco de transmissão do HIV por perfuração com agulha gira em torno de 0,2%. “A cada 500 exposições, em média uma pode resultar em contaminação, e esse é um cenário de risco máximo, que pode ser ainda menor”, explica. O médico ressalta que o início da PEP em até 72 horas reduz esse risco de forma significativa. “O uso precoce do coquetel antiviral leva esse risco praticamente a zero”, diz.
Sobre hepatite B, ele destaca a proteção oferecida pela vacinação. “Se houve resposta adequada à vacina, o risco se aproxima de zero. Em caso de dúvida, há medidas complementares que reduzem ainda mais essa possibilidade”, afirma. Em relação à hepatite C, o risco é considerado intermediário, mas com baixa incidência atual e tratamento eficaz.
Segundo o especialista, apesar do impacto emocional e da necessidade de acompanhamento, a tendência é de evolução favorável quando o atendimento ocorre de forma rápida, como no caso registrado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
