
Mauá inaugurou, nesta sexta-feira (17/4), a primeira Horta dos Saberes no Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) da Vila Falchi, com a participação de usuários do serviço, lideranças indígenas e representantes municipais.
“O contato com a terra cura. Juntos, vamos plantar até colher o que nos fortaleça”, afirmou a coordenadora técnica de atividades Maura Akã Mbareté. Ao lado dela estava a prima, a coordenadora de curadoria e pesquisa Silvia Monica Muiramomi, ambas indígenas da etnia Guaianá-Muiramomi. Elas iniciaram um canto, acompanhado por batidas do pé adornado com um chocalho de sementes, que marcou o ritmo dos participantes até o local da horta.
A cerimônia de plantio marcou o início do projeto, que reúne práticas de cultivo e saberes tradicionais. “É uma alegria contagiante. Cresci na roça e mexer na terra traz muitas memórias afetivas. A horta trará inúmeras possibilidades para todos que ajudarem a cuidar e manter”, disse a secretária de Assistência Social, Fernanda Oliveira. “É uma obrigação retomar a ancestralidade porque, embora o progresso traga avanços, também impõe desafios. A sabedoria popular pode ajudar”, afirmou o secretário de Segurança Alimentar e Nutricional, Hélio Tomaz Rocha.
A Horta dos Saberes Ancestrais integra a Estratégia Alimenta Cidades, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. A iniciativa apoia municípios na produção, no acesso e no consumo de alimentos frescos e saudáveis, especialmente em áreas urbanas vulneráveis, além de promover educação alimentar e ambiental.
Nina Brito participou da atividade e plantou mudas de cebolinha. “Amei. Já sou voluntária aqui e ensino artesanato. Todas as quartas-feiras venho para aguar e cuidar”, afirmou.
A horta foi cultivada por usuários do CRAS Falchi. A implantação resulta de parceria entre as secretarias de Assistência Social e de Segurança Alimentar e Nutricional, com apoio da Secretaria de Serviços Urbanos da Prefeitura de Mauá, além da assessoria do Instituto Comida do Amanhã e do Projeto Ubuntu, do Instituto Diversidade, que atua no fortalecimento de vínculos comunitários e na ocupação positiva dos territórios.
“Inicialmente, 60 municípios foram selecionados em 2024. Em 2025, foram mais 24. Em 2026, mil municípios aderiram à Estratégia Alimenta Cidades. Mauá é uma referência; já conhecemos várias experiências aqui e vamos levá-las para outros municípios”, explicou a gerente de projetos do Instituto Comida do Amanhã, Raquel Hunger.
A participação das indígenas também tem como objetivo valorizar a cultura, com a incorporação de práticas de cultivo baseadas em conhecimentos tradicionais.
O pequeno Enzo Hiroshi demonstrou curiosidade durante a atividade e foi lavar as mãos após o contato com a terra. “Ele disse que estava ansioso para ver os indígenas”, contou a avó, Edne Maria da Silva. Ele também plantou mudas e, ao retornar com a avó às atividades do CRAS, ajudará a cuidar das plantas.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
