
Na madrugada desta quarta-feira (15/04) Carlos Eduardo Correa Zamora, de 22 anos foi morto com um tiro o peito em uma travessa da rua Santa Cruz, o Jardim Canhema, em Diadema. O autor do disparo que matou o rapaz é um GCM (Guarda Civil Municipal). O caso é investigado pelo 3° Distrito Policial de Diadema. Após a morte, moradores do bairro fecharam ruas com barricadas e um ônibus foi depredado durante o protesto.
A morte ocorreu durante uma ação de repressão ao bailes funk. Segundo a versão dos guardas civis Zamora sacou uma arma e apontou para os guardas que atiraram, os mesmos GCMs disseram que somente depois souberam que a arma era falsa. Mas há relatos de populares que contaram que Zamora estava rendido e mesmo assim foi baleado, disseram ainda que o falso armamento foi colocado junto a ele depois do tiro.
O caso foi registrado como homicídio e morte decorrente de intervenção policial, tendo como autor o GCM Antonio Rômulo Rocha Martins, de 47 anos. A arma utilizada por ele, uma pistola calibre 380 foi apreendida para perícia. A arma falsa que estaria com Zamora também foi apreendida.
De acordo com o autor do disparo e os demais guardas civis que estavam na operação denominada “Fecha Bar”, durante a patrulha pelo local conhecido pelos bailes funk, receberam a informação de que em um bar na travessa Montes Claros, um homem de bermuda e boné branco estaria armado. Ao chegarem no local encontraram com o indivíduo com as características informadas que correu ao ver as viaturas e não obedeceu a ordem de parada. Ainda segundo a versão dos guardas, o GCM Martins perseguiu Zamora à pé e, em dado momento a vítima levou a mão à cintura, tirou o que parecia uma arma e apontou para o guarda que atirou. Populares que estavam em grande número na rua se revoltaram e começaram a atirar garrafas e outros objetos nos guardas.
Mesmo com o tumulto, os guardas afirmam que socorreram Zamora até o Hospital Público de Diadema, onde ele teria chegado com vida, mas faleceu pouco depois. Em nota, a prefeitura de Diadema disse que o guarda autor do disparo foi afastado enquanto o caso é apurado pela polícia. “A Prefeitura de Diadema informa que durante essa madrugada a GCM recebeu uma denúncia de que um indivíduo estaria armado em um estabelecimento na Travessa Peabiru, região das Torres. Ao chegarem ao local, a PM já estava no atendimento. Parte da GCM quando saía do local encontrou um rapaz nas mesmas características do indivíduo da denúncia. Ao o abordarem, o mesmo sacou uma arma de fogo em direção ao GCM. Para se defender, o GCM disparou um tiro e quando o rapaz caiu os guardas foram realizar os primeiros socorros. Foi aí que constataram que era um simulacro de arma. O rapaz chegou com vida no hospital, mas não resistiu. De acordo com informações da Guarda Municipal de Diadema, em casos como da ocorrência de ontem, é protocolo apreender a arma utilizada pelo GCM, assim como seu afastamento até o fim das investigações”, diz a administração municipal.
Protesto
Os atos que se seguiram após a morte de Zamora, precisaram de mais interferência das forças policiais. Nas primeiras horas da manhã os moradores, revoltados, montaram barricadas na rua Santa Cruz com madeira e material em chamas. Um ônibus da viação Suzantur foi parado pelos manifestantes que fizeram o motorista e os passageiros desceram. O coletivo foi depredado e pichado com as palavras “GCM Assassino”. Os manifestantes também tentaram atear fogo ao veículo, mas não conseguiram. Nem o funcionário da empresa, nem os passageiros se feriram.
A Suzantur informou que o coletivo sofreu sérios danos com vidros e bancos destruídos, porém não houve perda total do veículo que já está no pátio da empresa, em Mauá, para os reparos. A empresa de ônibus informa que outro coletivo da reserva técnica foi colocado em operação para não prejudicar os passageiros. A viação informou, ainda, que está fazendo o levantamento dos danos causados ao veículo e não se sabe ainda quanto a depredação vai custar, mas reafirmou que os usuários não serão prejudicados.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
