
Nesta quarta-feira (21/01) o grupo de 60 merendeiras que atua em escolas estaduais de Ribeirão Pires teve uma reunião com integrantes da Secretaria de Educação do Estado, com o Sindicato das Merendeiras do ABC e com a empresa CML Alimentação contratada pelo governo para o serviço de merenda escolar. As trabalhadoras estão com salários atrasados, entraram em férias sem receber, reclamam de que as parcelas do Fundo de Garantia não estão sendo depositadas e denunciam falta de uniformes, EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e até material de limpeza. Na reunião a empresa contratada pelo governo garantiu que vai pagar os atrasados e, se isso acontecer, pode evitar a greve prevista para iniciar no dia 2 de fevereiro, quando começam as aulas na rede estadual.
O sindicato protocolou na CML, com cópia para a Secretaria de Educação, na terça-feira (20/01) o comunicado de greve que poderá ter início em 72 horas à partir do aviso. Se a empresa não começar a cumprir a convenção coletiva de trabalho, pagar os atrasados e resolver as demais pendências a paralisação terá início e afetará o funcionamento das escolas estaduais da cidade que ficarão sem merenda.
“Eu quero acreditar que a empresa vai cumprir o acordo, mas sinceramente não acredito. Essa empresa em todo lugar que ela entra dá trabalho. O Estado tinha que analisar melhor a capacidade financeira da empresa antes de contratar, mas só olham o menor preço e contratam”, disse o diretor do sindicato, Genivaldo Barbosa da Silva, que acompanha as negociações.
“Mesmo com essa reunião, que foi chamada pelo governo, o prazo de 72 horas está contando e a empresa tem que começar a resolver. Durante a reunião mesmo o jurídico e a direção da CML já começaram a resolver os depósitos de Fundo de Garantia e algumas merendeiras já confirmaram o recebimento. Mas tem a questão das férias. A empresa disse que vai anular as férias, vai marcar outra e fazer o pagamento. Também disse que vai contratar mais pessoal para cobrir as que estiverem de férias. Se não cumprirem no dia 2 vamos parar”, disse Silva.
As merendeiras estão preocupadas, porque os atrasos de pagamento ocorrem há cerca de dois anos e a empresa tem a prática de anunciar datas para fazer a quitação, mas não cumpre os prazos. “Estamos com receio de uma demissão coletiva, porque já anunciaram que vão contratar pessoal para cobrir a gente enquanto estivermos de férias”, preocupa-se uma das trabalhadoras que conversou com a reportagem.
“Mesmo com as negociações as funcionárias ainda não acreditam mais na empresa. A empresa contratará novas funcionárias para cobrirem as mais de 50 que entrarão de férias; o sindicato deu até 6 de fevereiro pra empresa fazer o depósito e ir ajeitando tudo o que está pendente, como a PLR (Participação nos Lucros e Resultados), o Fundo de Garantia, a compra de uniformes e dar um basta nestes atrasos é o governo dizer que não sabia que a empresa estava nesse caminho”, disse a merendeira.
O governo de São Paulo diz que não tem nenhuma pendência com a CML e que os pagamentos estão em dia. Disse também que notificou a empresa a prestar esclarecimentos. A CML foi procurada pelo RD, através do seu e-mail institucional, mas não respondeu aos questionamentos. O espaço segue aberto.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
