
Depois de acabar com pancadões, a prefeitura de Diadema vai investir R$ 1 milhão para comprar caminhão justamente para combater os bailes clandestinos de rua. A verba vem de emenda parlamentar do deputado federal Mário Palumbo Júnior, o Delegado Palumbo (MDB). A administração municipal marcou para o dia 28 o pregão para a compra do veículo que tem a finalidade de controle de distúrbios civis e utiliza jatos de água para dispersar multidões. O veículo será batizado de Tsunami, numa referência ao “Tempestade”, veículo similar que foi adotado pelo ex-prefeito Lauro Michels, porém o veículo, já com anos de uso pelos bombeiros, acabou sucateado.
Em outubro, a prefeitura de Diadema, em nota enviada ao RD sobre o combate aos pancadões, já dizia que esse tipo de situação estava superada e que não havia mais pontos viciados de bailes funk na cidade. No ABC, como em bairros da periferia da Capital, essas festas clandestinas de rua são dificuldades encontradas pelas prefeituras, por conta da interrupção do tráfego em vias sem autorização, som alto que incomoda moradores que não participam da festa e a comercialização de bebidas sem qualquer controle, além da presença de menores. Santo André, São Bernardo, Diadema e Mauá concentram os maiores números para pancadões, sendo que Diadema há anos registrava os maiores bailes em pontos persistentes. A situação se agravou na pandemia, onde a aglomeração era proibida por facilitar a transmissão do vírus da covid-19.
Na nota de outubro prefeitura garantiu que essas festas clandestinas não acontecem mais. “Diadema não tem mais pontos críticos de pancadões, após as operações da GCM (Guarda Civil Municipal) visando coibir a prática. Já nos finais de semana, a GCM atende a chamados que envolvem casos pontuais de perturbação do sossego público, como barulho de bares, de carros e outros, com som acima do permitido. Ocorrência de pancadão está praticamente zerada”, diz nota da administração. Promessa de campanha do prefeito Taka Yamauchi (MDB), o combate aos pancadões passou pela demolição de comércios irregulares e também a compra de um super drone, capaz de lançar bombas de gás em multidões, que foi comprado, sem licitação, por R$ 365 mil. Essa compra foi alvo de pedido de informações pelo Ministério Público.
Caminhão
A compra do caminhão Tsunami, segue um rito diferente, já que a verba vem de uma emenda parlamentar federal que consta no orçamento municipal deste ano, no valor de R$ 1 milhão. A verba, encaminhada por Palumbo, tem o destino específico para a compra de caminhão para controle de multidões. Segundo a prefeitura, trata-se de um caminhão antimotim de pequeno porte, tração 4×2, equipado com tanque auto-bomba leve e equipado com jatos de água bidirecionais que podem ser acionados enquanto o veículo está em movimento.
Indagada sobre a compra de um veículo para combater os distúrbios civis que já não acontecem mais, a prefeitura alega que ele será usado para manter a cidade livre dos pancadões. “O investimento é fundamental e continua sendo necessário porque tão importante como zerar as festas clandestinas é zelar pela manutenção do mesmo cenário: não haver pancadões em Diadema. Tanto o drone como o caminhão são ferramentas que vão auxiliar a GCM a preservar vidas, minimizando riscos à integridade física de frequentadores desse tipo de festas não autorizadas, bem como a dos operadores de segurança pública da cidade”, diz o paço diademense.
Sobre os protocolos a serem seguidos para a utilização do caminhão Tsunami, a prefeitura se amparou no Estatuto das Guardas Municipais em seu artigo 5° incisos IV e V, que dizem: “colaborar, de forma integrada com os órgãos de segurança pública, em ações conjuntas que contribuam com a paz social; colaborar com a pacificação de conflitos que seus integrantes presenciarem, atentando para o respeito aos direitos fundamentais das pessoas”.
A prefeitura diz que a divisão IOPE (Inspetoria de Operações Especiais) da GCM será encarregada de operar o veículo e que os guardas terão treinamento específico para a utilização do equipamento.
O antigo caminhão Tempestade foi usado poucas vezes, mas enquanto funcionou causou impacto. Veja abaixo vídeo do uso do Tempestade contra o pancadão no Morro do Samba em 2020.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
