ABC - sexta-feira , 23 de outubro de 2026

Tarifas de ônibus variam até 14% no ABC em 2026 e pesam no bolso do trabalhador

Em Mauá, o aumento também entra em vigor em 6 de janeiro (Foto: Evandro Oliveira/PMM)

As tarifas do transporte coletivo municipal no ABC terão variações significativas em 2026, com reajustes que chegam a até 14% em algumas cidades, enquanto outras mantêm valores congelados ou adotam a tarifa zero. O cenário mostra a desigualdade regional sobre o acesso à mobilidade urbana e amplia o peso do transporte no orçamento do trabalhador, especialmente para quem depende diariamente do ônibus para se deslocar.

Levantamento realizado pelo RD junto às prefeituras mostra que Ribeirão Pires, Mauá e Rio Grande da Serra já confirmaram aumentos, enquanto São Bernardo manterá a tarifa congelada, São Caetano segue com tarifa zero e Diadema ainda analisa sua política tarifária para o próximo ano. Em Santo André, a administração não respondeu aos questionamentos até o fechamento da matéria, mas informações preliminares indicam manutenção do valor atual.

Reajustes confirmados elevam custo mensal

Em Rio Grande da Serra, a tarifa integral passará a R$ 5,50, conforme decreto municipal nº 3.252, publicado em 29 de dezembro. O novo valor entra em vigor a partir de 1º de fevereiro de 2026. Para amenizar os gastos e aumentar a comodidade do trabalhador, a Prefeitura afirma estudar a integração tarifária com cidades vizinhas e promete modernização da frota, ampliação de linhas e melhorias no atendimento ao usuário.

Alta de 6,7% em Ribeirão Pires

A Estância Turística do ABC também terá reajuste a partir de 6 de janeiro. Em nota, a prefeitura de Ribeirão Pires informou que a passagem paga pelo aplicativo Bus Pay subirá de R$ 5,40 para R$ 5,70 (alta de R$ 0,30), enquanto o pagamento em dinheiro passará de R$ 6,00 para R$ 6,40 – alta de até 6,7%. O vale-transporte será fixado em R$ 7,50 por viagem, valor que impacta diretamente empresas e trabalhadores.

Em Mauá, o aumento também entra em vigor em 6 de janeiro, conforme decreto publicado nesta terça-feira (30/12). A tarifa paga com cartão SIM passará de R$ 4,60 para R$ 4,90, enquanto o pagamento em dinheiro subirá de R$ 5,50 para R$ 5,90, reajuste que chega a 7,3%. O vale-transporte será reajustado de R$ 7,00 para R$ 7,50. O município mantém gratuidades legais e desconto de 50% para professores da rede municipal.

Congelamento e tarifa zero ampliam contraste regional

Na contramão dos reajustes, São Bernardo informou que não haverá aumento da tarifa em 2026, mantendo o valor congelado. Ainda sim, a Prefeitura destaca investimentos na modernização do sistema, com a entrega de 115 novos ônibus equipados com ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas USB, elevadores de acessibilidade e maior capacidade de passageiros.

Já São Caetano segue operando com tarifa zero, com subsídio integral do sistema pela Prefeitura. O transporte municipal atende cerca de 70 mil passageiros por dia útil, com custo mensal aproximado de R$ 3 milhões, modelo viabilizado pelo alto adensamento urbano e viagens curtas e frequentes.

Em Diadema, a definição da política tarifária para 2026 segue em análise. Segundo a Prefeitura, o tema está sendo discutido internamente e também no âmbito do Consórcio Intermunicipal do Grande ABC, com base em estudos técnicos e jurídicos e no debate regional.

Santo André não responde, mas informação preliminar aponta congelamento

Já Santo André não respondeu aos questionamentos do RD sobre reajuste tarifário. No entanto, informações preliminares indicam que a tarifa deverá ser mantida sem reajuste em 2026, repetindo a política adotada por São Bernardo. Caso haja posicionamento oficial, a reportagem será atualizada.

Cidade Situação da tarifa Valores em 2026 Variação
São Bernardo Tarifa congelada Mantém valor atual 0%
Santo André Sem resposta oficial Informações preliminares indicam manutenção —
São Caetano Tarifa Zero Gratuito —
Ribeirão Pires Reajuste confirmado R$ 5,70 (cartão) / R$ 6,40 (dinheiro) Até +6,7%
Mauá Reajuste confirmado R$ 4,90 (cartão) / R$ 5,90 (dinheiro) Até +7,3%
Rio Grande da Serra Reajuste confirmado R$ 5,50 —
Diadema Em análise Não definido —

Peso no bolso do trabalhador

Se levarmos em conta que um trabalhador utiliza ônibus duas vezes por dia, cinco dias por semana – cerca de 40 viagens mensais -, o gasto pode ultrapassar R$ 250 por mês nas cidades com tarifas mais altas, o que compromete até 16% do salário mínimo. Este percentual mostra o impacto direto do transporte coletivo no orçamento das famílias de menor renda, especialmente em uma região que é marcada por deslocamentos intermunicipais frequentes.

Reajuste no Metrô e CPTM

Além do transporte municipal, o trabalhador do ABC também sente o peso do reajuste nas tarifas do transporte metropolitano. A partir de 1º de janeiro de 2026, a passagem do Metrô e da CPTM passou de R$ 5,00 para R$ 5,70, aumento de 14%, percentual acima da inflação acumulada no período.

O reajuste afeta diretamente milhares de moradores da região que dependem diariamente dos trens e do metrô para se deslocar até a capital e outras cidades da Grande São Paulo

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