
O Governo de São Paulo anunciou que vai inaugurar nesta terça-feira (23/12) o Piscinão Jaboticabal com as presenças do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Natália Resende, secretária da Semil (Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística) e da presidente da agência SP Águas, antigo DAEE, Camila Viana. A obra, que custou R$ 573 milhões e capacidade para reter 900 mil metros cúbicos das águas do Córrego Jaboticabal, Ribeirão dos Meninos e Ribeirão dos Couros, evitando enchentes na Via Anchieta, na Capital, em São Caetano e em São Bernardo.
Segundo a Semil o empreendimento amplia a capacidade de controle de cheias e contribuirá para a prevenção de enchentes em uma área de até 100 km². Localizado na divisa entre São Paulo, São Caetano e São Bernardo, o piscinão beneficiará cerca de 1,5 milhão de pessoas no ABC e na Capital e segundo a pasta “reforçando a segurança hídrica e a proteção das áreas mais vulneráveis durante períodos de chuvas intensas. A obra é uma das principais intervenções de macrodrenagem da Região Metropolitana de São Paulo”, diz a Semil em nota.
A solenidade de inauguração e início da operação está marcada para as 10h desta terça-feira.
Críticas
Em recente entrevista ao RD, o professor e coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo da Fundação Santo André, Enrique Staschower, tece críticas à forma como os governos tratam a questão da drenagem e os rios, considerando apenas transformar atacar no efeito e não na causa. “Os piscinões são tentativa de solucionar um problema antigo de canalização e retificação de rios, que se mostrou ineficiente, além da ocupação de áreas de várzea”, diz.
Staschower explica que a Região Metropolitana fica numa área de campina, onde os rios correm da serra para dentro, não seguem para o mar. O ABC é recortado por córregos que sempre foram tratados como se pudessem ser domados. Áreas de espraiamento, naturais dos rios, foram ocupadas e ao longo de décadas os rios foram canalizados, retificados e, com isso, esses cursos de água, que eram lentos e preguiçosos, se tornaram rápidos em direção à foz. “Então, o problema não é a quantidade de água e sim como impedir ela chegar tão rápido. Se confinou os rios e quando chove muito eles saem da sua calha e mostram todo o seu poder. Há soluções baseadas na natureza, mas que foram descobertas após a urbanização das cidades que, agora, tentam fazer remendos”, destaca.
O advogado, ambientalista e fundador do MDV (Movimento em Defesa da Vida do ABC), Virgílio Alcides de Farias, também não é simpático aos piscinões, embora admita que, em curto prazo eles podem evitar enchentes, mas perdem sua eficácia ao longo dos anos. “Os prefeitos só querem canalizar e fazer piscinão, mas onde está o tratamento? Piscinão é um ralo de gastar dinheiro, que só evita a enchente no começo, gasta-se muito para construir e a limpeza e manutenção também são muito caras. E não se tratam as causas da enchente só o efeito delas. Qual será a primeira prefeitura a ‘descanalizar’ um rio? Acabaram com as curvas, com as margens e a mata ciliar deles, ocuparam as várzeas, que são as áreas para o extravasamento dos rios na época de cheias. Aí quando acontece uma enchente vem o prejuízo para as pessoas que perdem suas coisas, para os comércios, além das perdas vem doenças, mortes, mas aí a tempestade passa e os prefeitos param de falar disso”, lamenta Farias. Ambos consideram que a articulação regional entre as prefeituras e o governo paulista, fazendo intervenções menores ao longo dos cursos dos rios, áreas de absorção, os chamados jardins de chuva seriam soluções mais baratas, rápidas de fazer e com melhores efeitos.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
