
A Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres (SPPM) da Prefeitura de Mauá foi o cenário do debate ‘Mauá com Elas: Ocupar, Falar, Transformar: Enfrentamento à Violência Política de Gênero’, realizado nesta terça-feira (02/12), com cerca de 50 mulheres cujo perfil é de liderança comunitária e formadoras de opinião.
Este público tem potencial para que sejam multiplicadoras dos debates desenvolvidos na agenda de 21 dias, em Mauá, pelo ativismo da campanha mundial de mobilização contra a violência de gênero, que no Brasil serão desenvolvidos de 20 de novembro a 10 de dezembro.
“Respeitar as mulheres é fortalecer a democracia e Mauá está comprometida com o enfrentamento à violência política de gênero”, afirma a secretária Cida Maia.
Entre as participantes estavam advogadas, ex-candidata a vice-presidenta da República, vereadoras de Diadema e Ribeirão Pires, lideranças comunitárias e políticas, assistidas pela Rede Viva Maria, de combate à violência contra mulheres em Mauá, representantes do Conselho Municipal da Mulher e de serviços com interface com mandatários, entre outras.
A ex-vereadora Diva Alves, de 81 anos, destacou que a cidade constrói a igualdade racial e lembrou que a primeira delegada mulher em Mauá era negra. Ela afirmou que “foram anos de luta para que a região do ABC finalmente tivesse uma casa-abrigo para mulheres vítimas de violência e que essa luta feminista salva vidas.” A advogada eleitoralista Fernanda Valone Esteves despertou grande interesse nas presentes ao apresentar a pesquisa transformada no livro “Violência Política contra a Mulher: Os limites da competência da Justiça Eleitoral.”
Ela provocou reflexão sobre como o poder judiciário brasileiro pode lidar com a violência política de gênero sem abrir mão da especialização de suas instâncias e das competências quando este tipo de crime busca prejudicar o exercício do mandato fora do período eleitoral.
Ao final, as participantes aprovaram uma carta-documento para a cidade, que solicita participação segura e plena, na qual são tratados os desafios e caminhos em defesa da democracia, partindo do princípio de que expressam preocupação com a violência permanente contra mulheres, indígenas, negras, periféricas, com deficiência, jovens, idosas e LGBTs, considerada grave violação ao Estado Democrático de Direito. Esta carta foi apresentada na XXX Cúpula das Mercocidades “Caminhos para Cidades Resilientes, Pacíficas e Sustentáveis”, realizada em Niterói/RJ.
O encontro abordou inicialmente a história de luta para a emancipação de Mauá feita por mulheres, nos anos 1950, apresentada num trabalho desenvolvido em conjunto entre as professoras Cecília Camargo e Daniele Alves. Cecília descreveu o empenho do Grupo Cruzada Bandeirante, em que Nathércia Perrella, Gerty Fink, Zeni Chiarotti e Lourdes Tamagnini, esposas de emancipadores, além de desenvolverem atividades assistenciais contribuíram diretamente na emancipação política de Mauá, apesar de não terem este reconhecimento.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
