
A Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS) participa, por meio do projeto IPH (Índice de Poluentes Hídricos), do XXVI Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos, que acontece entre 23 e 28 de novembro, em Vitória, no Espírito Santo.
Além de participarem das atividades da Semana, no dia 27 a pesquisadora e coordenadora do projeto IPH/USCS, Marta Marcondes, e a pesquisadora do Projeto IPH/USCS e discente do Mestrado de Ensino em Saúde da Universidade, Renata Borges Franchi, apresentaram o estudo “Análise de Microorganismos Patogênicos em Água de Enchente no Jardim Pantanal (São Paulo-SP): desafios ambientais e de saúde pública”.
Sob o tema “A Água como Agente de Transformação: conectando pessoas, saberes e territórios” e uma programação diversificada, com palestras, minicursos, lançamento de livros e premiações, o Simpósio visa também o encontro de profissionais da academia, órgãos de governos, empresas, setores usuários de água e sociedade em geral para debates sobre os mais diversos temas relacionados aos recursos hídricos.
“A presença da USCS, representada pelo projeto IPH, neste simpósio, que é um dos eventos mais importantes da América Latina e do Brasil, é de grande importância tanto para a região do ABC e São Paulo, quando trazemos dados a serem apresentados e debatidos com autoridades, pesquisadores, ambientalistas, empresários e comunidades, quanto para nós da Universidade, que trocamos conhecimentos e atualizações na área para que possamos aprimorar, cada vez mais, nosso trabalho e nossos estudos”, explica a pesquisadora e coordenadora do projeto IPH da USCS, Marta Marcondes. O trabalho apresentado no encontro é de autoria da docente, além de Renata Borges Franchi, Camila Menezes de Souza, Nathalia Magarotto Gardinal e Pedro Santos Hackel.
O Jardim Pantanal está localizado na região extremo leste de São Paulo, Distrito do Jardim Helena, Subprefeitura de São Miguel Paulista, São Paulo – SP. Por meio do estudo “Análise de Microorganismos Patogênicos em Água de Enchente no Jardim Pantanal: desafios ambientais e de saúde pública”, desenvolvido pelo projeto IPH da USCS, foi realizada uma campanha de coleta no período em que as águas que encheram o bairro estavam paradas por 10 dias (janeiro/fevereiro de 2025), para a verificação dos principais microrganismos causadores de doenças e agentes químicos presentes nessas águas, e qual a relação com as queixas de doenças associadas às enchentes.
As etapas do estudo foram: campanha de coleta (5/2/25), escolha dos Pontos de Coleta com o auxílio dos moradores, escolha dos parâmetros para estudo, com base no IQA (índice de Qualidade de Água), análises em campo (seguindo o Guia Nacional de Coleta e Preservação de Amostras: Água, Sedimento, Comunidades Aquáticas e Efluentes Líquidos- Cetesb/ANA), análises de Laboratório (de acordo com o Standard Methods for the Examination of Water and Wastewater, 23rd Edition), confecção do Relatório Técnico, devolutiva para a Sociedade Civil e ação em saúde com a comunidade.
Foram encontradas nas amostras diversos tipos de bactérias. Por exemplo, estavam presentes, em todos os nove pontos coletados, as bactérias escherichia coli, salmonella spp e enterobacter spp. “A identificação dessas e de outras bactérias nas águas de enchente do Jardim Pantanal revela não apenas o risco imediato de infecções, mas também um alerta sobre a necessidade urgente de medidas de controle sanitário e monitoramento da qualidade da água em áreas afetadas por enchentes”, explica Marta.
Em Unidades Formadoras de Colônia (UFC), unidade de medida usada para estimar o número de bactérias ou fungos viáveis em uma amostra, utilizada em estudos relacionados a saúde pública e pesquisas científicas, os valores encontrados estavam, aproximadamente, 27 mil vezes superiores ao limite estabelecido pela legislação para águas de classe 3, nas quais é permitido o contato humano, que sería de 2.500 UFC/100mL.
Já no Índice de Qualidade da Água (IQA), ferramenta crucial para a avaliação da qualidade da água em corpos hídricos, como rios, lagos, reservatórios e fontes de abastecimento, todos os pontos do estudo foram avaliados como “péssimo”. Este índice é calculado a partir de um conjunto de parâmetros físico-químicos e biológicos, que refletem o estado de conservação da água e sua aptidão para diferentes usos, como consumo humano, recreação, irrigação e preservação da vida aquática. Criado em 1970, nos Estados Unidos, pela National Sanitation Foundation, passando a ser usado a partir de 1975 pela Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo), o IQA é o principal índice de qualidade da água utilizado no País. os principais parâmetros avaliados no índice são: temperatura da água, pH, oxigênio dissolvido, resíduo total (sólidos totais), demanda bioquímica de oxigênio (DBO), coliformes termotolerantes (indicador de contaminação fecal), nitrogênio total, fósforo total e turbidez. Por meio da análise, o IQA proporciona uma visão integrada da qualidade da água, auxiliando na gestão e no monitoramento ambiental de recursos hídricos.
Os resultados foram enviados para as autoridades, além de uma devolutiva para a sociedade civil e ações em saúde com a comunidade local.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
