O Sindicato dos Químicos do ABC assinou um acordo com a empresa Vitopel/Oben, de Mauá, assim finalizando com a greve iniciada no final de agosto. Ao RD Momento Econômico desta quarta-feira (03/09), o presidente da entidade sindical José Evandro ressaltou o trabalho feito para auxiliar os trabalhadores demitidos e as melhorias que foram dadas aos que ficaram na empresa. Agora o foco está na campanha salarial do setor que tem o dia 1º de novembro como sua data-base.
O acordo foi assinado na última terça-feira (02/09). Foram negociadas melhorias sobre o convênio médico e outros benefícios, além de uma ajuda para aqueles que foram desligados, principalmente no setor administrativo.
“Foi bem positivo, e eu acho que não só isso, mas eu acho que o recado que fica para as empresas que chegam aqui no País achando que vão fazer o que quiser, na hora que quiser, e não é bem assim. Pelo menos com o nosso Sindicato não é assim. O Sindicato tem 90 anos de trajetória, de muita luta, de muitas conquistas, em defesa da classe trabalhadora, não ia ser agora que a gente ia vacilar, então, foi muito tranquilo, de certa forma, eu acho que o importante é que a empresa entendeu que tem que respeitar os trabalhadores e o Sindicato, acho que isso também é o principal.”, comentou o sindicalista.
Os problemas com a empresa começaram no dia 25 de agosto, quando 50 trabalhadores foram demitidos após a chegada dos novos donos. Tal fato foi entendido como um descumprimento da convenção coletiva da categoria que estabelece regras de negociação prévia antes de qualquer desligamento. Uma greve foi aprovada e depois considerada justa pela Justiça do Trabalho. Com o acordo, o período de paralisação foi finalizado.
Campanha salarial

José Evandro participou de uma reunião com outros sindicatos da categoria dentro da Federação dos Trabalhadores do Ramo Químico da CUT no Estado de São Paulo (Fetquim). O encontro serviu para debater a próxima campanha salarial. Ficou definido que os sindicatos têm até o dia 27 de setembro para definir a pauta de reivindicações. Em outubro toda a pauta será entregue para o sindicato patronal, o Grupo CEAG-10, da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).
“Aqui no ABC, especificamente, a gente, além dessa pauta que nós construímos, nós temos como ponto importante também a questão da redução de jornada de trabalho sem redução de salário. Eu acho que é um dos pontos importantes que a gente debate, nesse ano, e a gente quer colocar em todas as pautas específicas, porque além do que a gente discute lá na Federação, a gente também procura algumas empresas, que a gente tem um acordo diferenciado, que nós chamamos, e a gente discute algo a mais até do que vem na convenção coletiva.”, explica José Evandro.
Segundo levantamento feito pelo Dieese e apresentado na reunião, 75% dos trabalhadores do setor químico estão com uma jornada menor que 44 horas semanais. A ideia é que tal cenário seja estabelecido para todos, principalmente pela categoria considerar que ocorre uma “demora” por parte do Congresso Nacional sobre o tema.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
