
A promotora de Justiça Janine Baldomero recomendou ao município de São Caetano, no dia 14 de julho, a imediata interrupção das chamadas escutas protetivas realizadas pelo Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Infantojuvenil. Segundo informações levantadas pelo Ministério Público, a prática vem sendo conduzida sem a devida capacitação dos profissionais e em desacordo com parâmetros legais, o que pode levar a casos de revitimização e configurar violência institucional contra crianças e adolescentes.
Além da suspensão da prática, a Promotoria recomendou a nomeação de dois profissionais capacitados para conduzir as escutas especializadas e participar das reuniões da rede protetiva; o fim do uso de formulários criados pela Coordenação de Saúde Mental em desacordo com a legislação; e a retomada do modelo de escuta anteriormente aplicado mediante técnicas que passaram por formação específica, com base em protocolo aprovado por comissão intersetorial.
A recomendação tem como base inspeções realizadas em fevereiro e julho de 2025 que levaram à identificação de diversas irregularidades, como a ausência de atendimento presencial, uso de documentos sem identificação dos responsáveis, inexistência de reuniões de rede para articulação dos atendimentos e ausência de mecanismos formais de monitoramento. Em um dos casos citados, o atendimento foi registrado com base no relato de um irmão, sem que a vítima fosse ouvida.
O documento do MPSP ressalta que tais práticas ferem princípios constitucionais e legais, além de comprometerem a proteção integral da criança e do adolescente. O município foi notificado a informar, em até 15 dias, se acatará a recomendação. Caso contrário, o Ministério Público adotará as medidas judiciais cabíveis.
(Fonte: MPSP)
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
