ABC - sexta-feira , 12 de junho de 2026

Custo-benefício das motos seduz usuários

Apesar do emplacamento de motos ter registrado queda de 26% na primeira quinzena de abril, na comparação com o mesmo período de março, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) estima crescimento de 5% nas vendas de motos em 2012 no País, em virtude, principalmente, do custo-benefício da motocicleta.

Enquanto um carro popular zero quilômetro custa em torno de R$ 25 mil, uma moto pode sair por pouco mais de R$ 4 mil. “O preço do produto, justamente com o baixo valor de manutenção e revisão, ajuda a alavancar as vendas”, comenta Roberto da Silva Santos, gerente da unidade Mauá da Japauto, especializada na comercialização de motos. Segundo o gerente, alguns modelos com menos cilindradas também estão atraindo cada vez mulheres, que se sentem seguras em pilotar motos menos potentes. Na loja, os preços vão de R$ 4 mil a R$ 56 mil.

A produtora Camila Mattos, de 25 anos, utiliza moto como meio de transporte entre sua casa e o trabalho, ambos em Santo André. Além da paixão de berço, a economia gerada pelo veículo é um dos principais motivos pela escolha da locomoção. “Com a moto gasto menos e chego mais rápido. Com o carro eu gastaria cerca de R$ 150 de combustível por mês e levaria 25 minutos até o trabalho. Com a moto, gasto R$ 30 e levo no máximo 15 minutos”, compara a produtora.

O mesmo acontece com José Rodolfo Irias da Silva, de 25 anos. “É muito mais cômodo ir de moto, não preciso pegar ônibus nem perder horas no trânsito até o trabalho em São Paulo”, conta o estagiário em Administração, morador de Santo André.

Abraciclo critica formação dos condutores

Para tentar diminuir os índices de acidente, a Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) investe em campanhas educativas para difundir junto aos motociclistas a pilotagem defensiva e a educação no trânsito.

“Apesar de promovermos trabalhos juntos aos usuários com distribuição de materiais didáticos e participação em eventos, também difundimos a educação no trânsito para todos os envolvidos, como pedestres e motoristas”, conta o diretor executivo da Associação, José Eduardo Gonçalves.

Para Gonçalves, a educação no trânsito é fundamental para reduzir os acidentes, mas os resultados não são imediatos. Por isso, a Abraciclo defende maior rigor no fornecimento da Carteira de Habilitação. Uma das ideias é dividir a Categoria A, que permite a condução de veículos de duas e três rodas, em subcategorias. “Elas seriam divididas de acordo com a cilindrada da moto, pois isso dá uma diferença grande na hora de guiar. Uma moto de 150 cilindradas é completamente diferente de uma de 650”, destaca.

Outra defesa é de mudança do local de treinamento dos condutores. “Hoje as aulas são feitas em locais fechados, sem trânsito. Acredito que assim como para tirar a Carteira de Habilitação para automóvel, os motociclistas devem aprender no ambiente a serem habilitados, na rua, no trânsito”, completa. “A indústria investe constantemente na melhoria e no desenvolvimento de novos produtos, mas quem investe no condutor?”, questiona.

Três causas
Gonçalves explica que três agentes contribuem para os acidentes de moto: a máquina (a moto), o homem (quem guia a moto) e a infraestrutura. Se a máquina estiver em boas condições de manutenção, já ajudará a evitar algum tipo de problema. O motociclista precisa estar não só habilitado, mas saber como conduzir a moto de forma adequada. Além disso, também é necessário boas condições das pistas e das sinalizações para o motociclista ter condições de conduzir a moto.

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