O Brasil tem mais de 11 mil startups ativas, segundo levantamento em 2022 da plataforma de inteligência Cortex. Do total, 28% são de tecnologia da informação, 22% da área de serviços e 16% do varejo. Porém, o que tem acontecido no País é a mudança na forma de se fazer inovação. De acordo com Bruno Rondani, CEO da 100 Open Startups e colaborador voluntário do Conjuscs (Carta de Conjuntura do Observatório da USCS (Universidade Municipal de São Caetano do Sul), o Brasil saiu de um modelo linear onde existia uma ideia, captava recursos para desenvolver o projeto e levar ao mercado – o famoso plano de negócio -, e foi para uma realidade onde a palavra inovação passou a ser cada vez mais relacionada a ecossistema, interação e colaboração.
O fenômeno ganhou mais força recentemente – na última década, e hoje as grandes corporações e empresas mais estabelecidas se abrem para startups. “Esse é um jogo novo, que tem crescido muito e gerado bons frutos”, afirma.
O termo ‘startup’ surgiu no famoso Vale do Silício, região da Califórnia, EUA, especializada em alta tecnologia e inovação. Bruno explica que a primeira ideia que surge na mente das pessoas é de jovens revolucionários que iriam construir algo totalmente novo. “Há 10 anos não existia a indústria do financiamento de startups, isso começou recentemente”, explica.
Com o amadurecimento do chamado ‘ecossistema’ de startups, também houve abertura do mercado corporativo. “Há 10 anos o empreendedor tinha receio que sua ideia fosse roubada. Então teve mudança dos dois lados, dos empresários e empreendedores”, pondera o engenheiro.
Investimento em startups
Nesse ramo existe a indústria chamada ‘venture capital’, ou capital de risco, uma modalidade de investimento com expectativa de crescimento rápido e rentabilidade alta. “Porém trata-se de uma categoria muito específica e são muito poucas startups que recebem fundo de investimento dessa natureza”, revela Bruno.
Hoje, a principal fonte de financiamento é a ‘Open Innovation’, conhecida como Inovação Aberta. Trata-se de uma abordagem de negócios que mobiliza fluxos de conhecimento internos e externos para acelerar a inovação. Ela estimula a colaboração entre empresas e startups para criar ou otimizar produtos.
A plataforma ‘100 Open Startups’, fundada pro Bruno Rondani, é uma rede criada com intuito de engajar startups, grandes empresas, executivos, cientistas e governos para alavancar oportunidades de negócio que gerem impacto no mercado e na sociedade. “Hoje, na plataforma, colocamos milhares de empresas em contato com milhares de startups para abrir conexões”, define o CEO.
Mas ainda existem os chamados ‘investidores anjos’, que entram em etapas iniciais das startups para dar um suporte muito mais de conexões e mentorias, do que financeiro. “Os anjos fazem aportes de aproximadamente R$ 1 milhão ou R$ 2 milhões, valor baixo para uma inovação que se tornará um empresa gigante no futuro”, pondera sobre uma métrica conhecida no ramo das startups como ‘100, 10, 1’. Isso significa que a cada 100 bons projetos, 10% conseguem receber recursos e, geralmente, apenas se torna grande empresa.
Conceito de inovação aberta
Toda corporação, independente do ramo, tem pontos a serem melhorados com ajuda da tecnologia e inovação. “Então, qualquer empresa consegue encontrar no ecossistema empreendedores que consigam ajudar a resolver desafios”, argumenta Rondani. O segundo ponto é o fator novidade. Pois, todos empresários reconhecem que é possível permanecer décadas no mercado sem inovação.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
