ABC - terça-feira , 30 de junho de 2026

Sofrimento de Alcino, de Cama de Gato, anima Carmo Dalla Vecchia

Em uma época na qual até as mocinhas sofredoras andam chorando menos, é de compadecer a via crucis enfrentada por Carmo Dalla Vecchia na pele do desventurado Alcino de Cama de Gato. Desde que a trama de Thelma Guedes e Duca Rachid estreou, a lista de infelicidades inclui, entre outros, a descoberta de uma doença terminal; a suposta morte do melhor amigo depois de um “trote” bolado pelo próprio Alcino; o encontro com uma filha que, na verdade, não era sua; a paixão pela protagonista Rose, de Camila Pitanga, que não lhe dá a mínima.

“Adoro fazer drama. Acho que é um canal que eu atinjo com uma certa facilidade. Existe uma teoria de que o homem não sofre, ou não expõe isso. Mas não tenho essa vergonha e isso me ajuda bastante”, garante o ator.

Experiência na arte de chorar não lhe falta, graças ao tempo que passou na Argentina para gravar a quinta temporada de Chiquititas. A novela infantil, produzida em parceria pelo SBT e o canal argentino Telefe, foi uma experiência e tanto no quesito “vale de lágrimas”. “Ela tinha esse apelo. Lembro que teve um momento em que o personagem doava o rim para uma menina, por exemplo. E aí, você pegava e fazia 18 cenas chorando – uma atrás da outra”, relembra, destacando ainda a ausência de corte em meio à cena.

O recurso técnico, que permite a retomada da gravação a partir de qualquer ponto – e geralmente usado em momentos de erro do elenco ou da equipe -, é praxe no Brasil. Na produção de Chiquititas, porém, o “cue” – como é conhecido – não era usado, o que obrigava os atores a voltar a cena do início se houvesse algum problema. “Para a gente, era muito árduo. Acho que, para quem morava lá e estava tão concentrada com esse trabalho, isso deu um domínio técnico grande”, afirma.

Dessa vez, porém, o drama tem um peso ainda maior na trama. Diagnosticado logo no início da novela com uma doença incurável que o levaria à morte em pouco tempo, Alcino tem desde então um “prazo de validade” incerto – mas que, na opinião de Carmo, não pode ser ignorado. “Acho que seria até uma traição com o personagem não matar esse homem depois de tanto desmaio, depois de tanto se ver que ele realmente está doente”, defende ele, que conta que, nas ruas, não são poucos os pedidos para que o empresário não morra no final de Cama de Gato.

À sugestão pública, a resposta do ator é clara: a morte de Alcino é mesmo inevitável. “Não sou o autor, mas imagino que não dá para chegar agora e dizer ah, descobrimos: não era um tumor, era uma espinha na testa!, e ele se salvar”, brinca, bem-humorado.

A composição de um homem que busca a serenidade para enfrentar o fim iminente da própria vida passou pela orientação religiosa de Carmo. Budista há 12 anos, ele buscou inspiração na filosofia de transformação da energia negativa para encontrar o tom de Alcino. Ele também usou como referência o livro Por um Fio, escrito pelo médico Drauzio Varella sobre pacientes terminais.

O exercício da aceitação, aliás, será muito bem-vindo nos próximos capítulos da novela das seis. O empresário sofrerá mais um revés nos próximos capítulos: depois de uma gravidez problemática, Débora – filha “postiça” de Alcino, vivida por Guta Gonçalves -, vai morrer após dar à luz uma menina. “O drama é um gênero que curto. Me divirto fazendo. Às vezes, quando faço muitas cenas seguidas, saio com uma dorzinha de cabeça”, admite.

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