
A França se prepara para o terceiro fim de semana consecutivo de protestos pelo custo de vida e pela educação, com a mobilização de 70 mil policiais e gendarmes e a transferência da marcha para os arredores da capital, Paris, enquanto as manifestações lideradas por jovens se espalham pela Europa. O ministro do Interior da França, Laurent Nuñez, advertiu sobre um “risco muito alto” de desordens, especialmente ao cair da noite no Halloween.
A polícia de Paris proibiu, na sexta-feira (30/10), as marchas de sindicatos e dos coletes amarelos pelo centro da cidade e ordenou que as manifestações seguissem uma rota única pelos boulevards periféricos, da Porte de Bagnolet até a Porte de Charenton. Sindicatos e grupos estudantis recorreram das restrições perante os tribunais. O presidente do país, Emmanuel Macron, informou, na segunda-feira, 26, que as mobilizações seriam mantidas afastadas dos centros urbanos para proteger os comércios.
A polícia também proibiu o acesso à Praça da República e a Les Halles, dois locais afetados por distúrbios e saques no sábado (17), entre as 23h e as 6h, tanto no sábado (17) quanto no domingo (18). Para os menores desacompanhados, foi decretado um toque de recolher independente a partir das 21h nas imediações da Champs-Élysées.
O movimento começou com os protestos de estudantes do ensino médio contra as condições escolares e ampliou-se até se converter em uma mobilização massiva pelo custo de vida. As autoridades contabilizaram cerca de 550 mil participantes na marcha de sábado (17), quando desordeiros saquearam centenas de lojas, e 410 mil no sábado passado, quando os protestos foram, em grande medida, pacíficos, mas a polícia realizou mais de 1.300 detenções.
Na Alemanha, uma iniciativa juvenil chamada “Gen Z regelt” — que pode ser traduzida como “A Geração Z assume o controle” — convocou mobilizações em cerca de 30 cidades “pela educação, saúde, proteção do clima e uma vida acessível” e contra o retorno do serviço militar obrigatório. Segundo os organizadores, mais de 140 mil pessoas se inscreveram pela internet. A polícia de Berlim espera cerca de 10 mil pessoas no Portão de Brandemburgo.
Em Barcelona, segunda maior cidade da Espanha, a polícia catalã está em alerta máximo após a convocação de novas concentrações por uma rede anônima do TikTok chamada Blocus.
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