
Na manhã desta segunda-feira (19/10) cerca de 50 merendeiras que trabalham em escolas estaduais de Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra realizaram um ato de protesto e frente à Unidade Regional de Ensino de Mauá por conta do atraso de salários, benefícios e falta de insumos para trabalharem. As trabalhadoras são funcionárias da empresa CML Alimentação, empresa contratada pela Seduc (Secretaria de Educação do Estado de São Paulo) e, cansadas de problemas com a empresa, que se arrastam desde o ano passado, decidiram entrar em greve. A secretaria diz que fez mais uma notificação à empresa, que poderá sofrer sanções.
As merendeiras teriam que receber seus pagamentos no quinto dia útil do mês, mas até a semana passada a maioria não tinha recebido. Depois do aviso de greve ter sido protocolado na URE, a empresa pagou as funcionárias aos poucos. Segundo a Seduc a empresa informou que já acertou os salários em atraso, mesmo assim o movimento grevista vai continuar porque os atrasos são constantes.
Uma merendeira que conversou com o RD diz que não aguenta mais a forma como é tratada e decidiu aderir à greve. “O aviso de greve foi feito na semana passada, eu fui trabalhar acreditando que iam pagar, não pagaram e voltei para casa. A gente não aguenta mais essa situação, como fica a minha vida pessoal, como ficam as contas e o meu cartão de crédito? Tem quatro meses que essa empresa entrega material de limpeza aos poucos, já brigamos por não nos pagarem as férias, por falta de saco de lixo, de detergente, agora são os salários que estão atrasando, a gente não acredita mais na CML”, disse.
Outra merendeira que conversou com a reportagem disse ter recebido o salário com dez dias de atraso e que teria passado sérias dificuldades não fosse o salário do marido e dos filhos que mantiveram a casa. “Eu consegui apertar e pagar as contas, mas tenho colegas que são mães solo, que não tem outra fonte de renda, por isso a gente resolveu parar”, destaca a trabalhadora que denunciou que a CML colocou outros trabalhadores para cobrir os postos de trabalho de quem aderiu a greve. “Para nós não tem dinheiro, mas para contratar freelancer para ganhar R$ 150 por dia ela tem. Estão fazendo isso para desmobilizar o nosso movimento, mas não vão conseguir”.
Genivaldo Barbosa da Silva, presidente do Seerc ABC (Sindicato dos Empregados de Refeições Coletivas e Merenda Escolar no ABCDMR), disse que conforme a insatisfação das trabalhadoras foi aumentando o movimento paredista também cresceu. “Fizemos na semana passada o comunicado de greve na URE de Mauá e para a empresa, mas como não houve nenhum posicionamento, agora a greve é oficial. As escolas estão sem merendeiras e o Estado está arrumando gente para por lá. Foram duas semanas de atraso de salários, férias, INSS, Fundo de Garantia, Cesta Básica, 13° salário, atrasaram tudo. Enquanto não regularizar tudo a greve vai continuar”, diz o sindicalista.
Silva diz que depois do ato desta segunda-feira na porta da URE de Mauá, as trabalhadoras vão se concentrar em Ribeirão Pires, e farão atos nas escolas próximo ao centro. A intenção é conversar com a população da cidade e explicar sobre a paralisação. “Queremos fazer um ato na Vila do Doce e depois seguir para as escolas, vamos explicar para os pais o que a empresa está fazendo com as merendeiras. Trazer a população para o nosso lado”, completa.
Sanções
Pela primeira vez, diante das crises com a CML no último ano, a Seduc admite a possibilidade de sanções mais duras caso a empresa continue a atrasar pagamentos ou deixar faltar materiais nas escolas.
“A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP), por meio da Unidade Regional de Ensino (URE) de Mauá, informa que, conforme comprovação da prestadora do serviço, não há atrasos de salário e benefícios. Apesar da paralisação, A URE ressalta que todas as escolas foram atendidas pela empresa. A CML já foi notificada duas vezes para que siga cumprindo as obrigações trabalhistas, conforme prevê o contrato e a legislação vigente, bem como a comprovação documental da regularização de todos os pontos relatados. Caso contrário, se houver mais uma notificação e as demandas não forem atendidas, a Pasta adotará as sanções cabíveis, incluindo um processo administrativo que pode resultar na rescisão do contrato”, diz a secretaria, em nota.
O RD procurou a CML, para que a empresa se posicionasse diante dos atrasos e das denúncias das trabalhadoras, mas até o fechamento desta reportagem a empresa não se manifestou. O espaço segue aberto e esta matéria será atualizada caso haja algum comunicado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
