
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) participaram na noite deste domingo (18/10) do primeiro debate do segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Promovido pelo Grupo Bandeirantes, o encontro marcou o primeiro confronto direto entre os dois candidatos, ocorrendo a exatamente uma semana da votação decisiva, marcada para 25 de outubro.
Ausentes no primeiro debate da emissora ainda no primeiro turno, os candidatos aproveitaram o formato que permitia confronto direto – com um banco de 15 minutos de tempo livre para cada um administrar – para discutir propostas e trocar acusações incisivas sobre corrupção, gestão e políticas públicas.
Na chegada aos estúdios, os candidatos mostraram o tom que daria ritmo à noite. Flávio afirmou que esperava o embate desde o primeiro turno para “esfregar algumas verdades na cara” do petista. Lula, por sua vez, declarou à imprensa que esperava um debate focado no esclarecimento de propostas à sociedade.
Segurança Pública e Maioridade Penal
A segurança pública foi o tema que abriu o debate. Flávio Bolsonaro prometeu declarar “guerra ao narcoterrorismo”, classificando o PCC e o Comando Vermelho nesta categoria, e afirmou que endurecerá as penas, chegando a 80 anos para líderes de facções. “Eu vou recuperar cada território que foi tomado do povo brasileiro”, cravou o senador.
Lula rebateu lembrando que sancionou a Lei Antifacção em março deste ano e defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública para criar um ministério específico para a área, com maior integração entre União, estados e municípios. “Para o trabalhador, proteção. Para o bandido, prisão”, declarou o presidente.
Nesta reta final, os dois candidatos convergiram em um ponto polêmico: a redução da maioridade penal. Flávio defendeu a redução para 16 anos na maioria dos crimes (e 14 em casos específicos) e apoiou a castração química para estupradores. Lula reafirmou sua nova posição, anunciada recentemente, de apoiar a redução para 16 anos, mas restrita a casos de crimes hediondos.
Economia e Escala 6×1
A economia gerou fortes divergências. O atual presidente focou na necessidade de fazer a renda circular e prometeu ampliar os incentivos para os Microempreendedores Individuais (MEIs), além de focar nas economias verde e digital.
Flávio Bolsonaro questionou diretamente o eleitor se “a comida está mais cara ou mais barata” e criticou a “gastança” do governo federal. Ele prometeu fazer um ajuste fiscal com corte de gastos para renegociar as dívidas das famílias e do próprio governo.
Questionado por Lula sobre a escala 6×1, Flávio confirmou que votou a favor do fim desse modelo no Senado após ouvir as demandas dos trabalhadores durante a campanha, e garantiu que não proporá mudanças na medida. Sobre sua relação com o presidente argentino Javier Milei, Flávio esquivou-se de adotar o mesmo modelo no Brasil, mas afirmou que governos de direita precisam “consertar” os erros da esquerda.
Saúde e “Padrão Einstein”
No bloco focado na saúde, Flávio prometeu implementar um prontuário eletrônico unificado pelo CPF e defendeu o uso de Inteligência Artificial para levar o “padrão Einstein” ao SUS. Ele reiterou que seu ministro da Saúde será o médico Claudio Luiz Lottenberg.
Lula criticou duramente a escolha, afirmando que o adversário desconhece a saúde pública, e relembrou a gestão do governo de Jair Bolsonaro durante a pandemia de Covid-19, acusando as propostas de Flávio de serem um caminho para a privatização do SUS. Flávio admitiu que a saúde não teve “o melhor resultado” na gestão do pai, mas justificou os impactos devido à pandemia.
Troca de acusações e desafio de quebra de sigilos
O embate direto foi marcado por denúncias de corrupção. Flávio questionou Lula sobre as investigações do STF envolvendo seu filho, Lulinha, e a lobista Roberta Luchsinger. Lula negou qualquer interlocução ou contratos do governo federal com a empresária. Flávio também citou o indiciamento de envolvidos no esquema de fraudes no INSS.
Em contrapartida, Lula cobrou explicações de Flávio sobre a investigação da Polícia Federal envolvendo o repasse de R$ 134 milhões do ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. Flávio negou irregularidades e disse que o contrato “não foi cumprido”.
O presidente também insinuou uma subordinação da família Bolsonaro aos Estados Unidos na exploração de terras raras, o que o senador negou. Ao fim do debate, Lula lançou um desafio: propôs que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos antes do dia da eleição. Flávio retrucou afirmando não ter “absolutamente nada a esconder” e prometeu um “tesouraço” na corrupção do governo petista.
Cenário da Disputa
O debate da Band acontece em um cenário de indefinição. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente com uma diferença de cerca de 2,2 milhões de votos (1,87 ponto percentual).
No entanto, as pesquisas divulgadas na última semana apontam um empate técnico. Segundo o Datafolha, Flávio tem 47% das intenções de voto contra 45% de Lula. O levantamento da Quaest mostra um cenário similar, com Flávio marcando 46% e Lula, 44%.
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