
O programa Minha Feira SBC, de São Bernardo, disponibilizou mais de 10 toneladas de alimentos para 844 moradores cadastrados nos primeiros 50 dias de funcionamento. Lançada em 26 de agosto, a iniciativa combina combate à fome, segurança alimentar e incentivo à reciclagem, permitindo que famílias em situação de vulnerabilidade troquem garrafas PET e outros resíduos plásticos por pontos para adquirir alimentos.
O sistema funciona por meio de um cartão disponibilizado aos beneficiários. Cada quilo de material reciclável vale 20 pontos, e moradores inscritos no Cadastro Único (CadÚnico) recebem pontuação dobrada. O limite semanal é de 40 pontos, chegando a 80 para quem está no cadastro.
Como referência, 20 garrafas PET de dois litros equivalem a aproximadamente um quilo de material reciclável.
Alimentos mais variados na mesa
Para Alice Pereira de Souza, de 60 anos, moradora da região entre os bairros Nova Petrópolis e Vila São Pedro, o programa ajuda a complementar a alimentação da família. Ela leva garrafas plásticas que seriam descartadas e utiliza os pontos para adquirir mantimentos e frutas.
“Sou sozinha, mas tenho um filho e cinco netos pequenos. Ele não consegue vir, porque trabalha, então pego pra mim e pra ele. Aproveitei hoje pra pegar uva e maçã, coisa que antes eu não tinha em casa, porque o dinheiro não dá pra comprar. A gente paga aluguel. Então, aqui ajuda muito”, contou.
Segundo a Prefeitura, o Minha Feira SBC integra a estratégia municipal de segurança alimentar e combate à fome. O prefeito Marcelo Lima destacou que a iniciativa permite aos beneficiários escolher os produtos que desejam levar para casa, incluindo frutas, legumes, verduras e itens básicos.
Reciclagem e geração de renda
Além da distribuição de alimentos, o programa recolheu 4,5 toneladas de garrafas e embalagens plásticas nos primeiros 50 dias. Os materiais foram destinados às cooperativas de reciclagem Cooperluz e Reluz, de São Bernardo, contribuindo para reduzir o descarte inadequado e fortalecer a geração de renda dos trabalhadores do setor.
A iniciativa também incentiva a ampliação das doações ao Banco de Alimentos do município, vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania. A unidade abastece o programa com hortifrútis frescos, alimentos secos e ração para cães e gatos.
Famílias imigrantes também são beneficiadas
Daiana Rossi Elmeus, de 32 anos, e a mãe, Maria Andressina de Ruiz Jambili, de 66, vieram da Venezuela há oito anos e vivem na Vila São Pedro. Para a família, o programa ampliou o acesso a frutas, verduras e legumes.
Daiana está inscrita no CadÚnico e recebe o Benefício de Prestação Continuada (BPC), que contribui para sua manutenção enquanto se dedica aos cuidados da filha diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA).
“Eu pego bastante fruta para fazer suco para meus filhos”, contou. Ela também destacou que a mãe gosta de escolher legumes e verduras no local. “É uma ação muito importante”, afirmou.
Como funciona a troca por alimentos
Os pontos acumulados no cartão podem ser utilizados para adquirir diferentes produtos, conforme a tabela do programa:
- Verduras: 2,5 pontos — por exemplo, um maço de alface.
- Frutas: 5 pontos — por exemplo, um quilo de banana.
- Legumes: 5 pontos — por exemplo, um quilo de batata.
- Alimentos secos: 10 pontos — por exemplo, um quilo de arroz.
- Ração para animais: 10 pontos — por exemplo, um quilo de ração.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
