A Coop – Cooperativa de Consumo – completa 72 anos no próximo dia 20 de outubro e hoje está entre as 40 maiores redes de supermercados do País com faturamento que deve bater os R$ 2,7 bilhões este ano, que vem das suas 35 lojas, sendo duas em condomínio, 70 drogarias, um centro de distribuição, uma central de panificação e tudo isso junto emprega 6 mil colaboradores. A rede supermercadista surgiu em Santo André em 1954. Para falar dos avanços e das metas da cooperativa, o RDcast desta quarta-feira (14/10) recebeu o diretor geral da rede, Celso Furtado.
Com 30 anos de atuação no varejo alimentar, grande parte desta bagagem adquirida na própria Coop, Furtado, que também passou pela vice-presidência da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), está há um ano na direção da rede supermercadista. “Quando assumi a direção era um papel diferente, mas já tinha clareza dos principais pilares, um deles é a ressignificação da cultura cooperativista; a segunda alavanca, e não é menos importante, é a eficiência operacional, ou seja, em vez de olhar para fora, vamos olhar para dentro e cobrar o nível de rigor e exigência para que cada um trouxesse ações de melhoria. Com isso a gente trabalhou a construção de valor dentro de casa. A terceira alavanca é a de inovação em que trouxemos uma dinâmica diferente de ativar mais as lojas, de rever sortimento, de ampliar atendimento”, disse o diretor sobre as mudanças implementadas.
“O grande desafio é fazer o cooperado entender que ele é o dono de um pedacinho daquele negócio. Primeiro tive que trabalhar por dentro fortalecendo a cultura cooperativista para a nossa equipe. O cooperativismo é a economia do futuro e a Coop tem esse princípio muito arraigado. Agora tem que levar isso para fora, mostrar que o consumidor faz parte do negócio. Levamos também a aula de educação financeira para crianças, uma das atividades que mais tenho orgulho. O conceito econômico hoje não favorece o conceito de cooperativa, mas cada vez mais as empresas estão enxergando o valor do cooperativismo, do associativismo”, destaca o gestor.
Mesmo diante do crescimento do setor supermercadista na região, a Coop ainda tem uma grande participação neste setor onde a concorrência é grande. “A Coop começou em Santo André em 1954 e vai completar 72 anos, era só ela e hoje temos 1.300 supermercados na região; é um grande contingente de concorrentes e a Coop performa bem com 25% do share de mercado na região e é líder em todas as regiões onde ela atua, tanto no ABC como em outras, isso mostra a sua força”, diz.
Para fazer frente à concorrência, a Coop implementou mudanças visando melhorar a experiência de compras, entrou na guerra por preços atraentes e equipou melhor as lojas. “Em um ano a gente aumentou o fluxo de pessoas de dois a três dígitos a cada mês, então a gente voltou a ter o poder de atração e uma receptividade do cooperado maior. Nessa jornada de melhorar a experiência de compra, deixar a loja mais viva, mais ativada, com sortimento mais equilibrado, trazendo serviços fez o fluxo da loja”, diz Furtado.

A Coop partiu também para o atendimento 24 horas uma oportunidade de negócio em que o mercado não estava mais investindo e que deu certo. “No fim do ano passado, pensando nas lojas cheias por causa das festas de fim de ano, pensamos nessa ampliação do horário. Montamos um plano e começamos com duas lojas, a da Pereira Barreto e da Giovani Pirelli (em Santo André), deu tão certo o modelo que já estamos com 21 lojas e agora neste fim de ano o privilegiado é o nosso cooperado que vai ter 21 lojas com horário de atendimento maior para comprar com mais facilidade e tranquilidade neste final de ano. Pasmem, na loja 24 horas até durante o dia o movimento aumenta, porque o consumidor sente que pode ir a qualquer hora que vai estar aberto”, conta.
Farmácia
A Coop foi primeira rede de varejo a trabalhar com drogaria dentro das lojas, isso começou em 1991. Hoje todas as lojas têm uma farmácia. “A coop respeita muito a receita do médico e isso trouxe uma confidencialidade, um lastro grande em termos de princípios e valores, mas não fazemos como relação comercial. Na drogaria da Coop o consumidor escolhe se vai querer o genérico ou não”, explica sobre o crescimento desta área que já responde por 25% do faturamento total da cooperativa.
Outro movimento recente foi o de ampliar a drogaria Coop para fora das lojas de varejo. A marca de drogaria agora é vista nas ruas e até em shopping centers. “A Coop enxergou um outro movimento de mercado que tinha espaço para expandir; a drogaria de rua. Hoje temos 35 lojas e 71 drogarias, 33 internas e 38 de rua. A Coop tem um plano de expansão de 7 a 10 drogarias por ano, acabamos de inaugurar uma Shopping Metrópole (em São Bernardo) e já é um sucesso”, destacou o diretor geral.
A Coop também investiu em proximidade com cooperados, com colaboradores e com fornecedores para uma escuta ativa, que mudaram rumos segundo Furtado. “Ouvimos as dores e o que eles sentem no dia a dia. Na ótica da liderança a gente define uma coisa, mas será que é assim que se percebe do outro lado? Já ouvi coisas que mudaram rumo, tanto de colaborador como com cooperado. Quando a pessoa é ouvida ela se sente prestigiada, e aí passa a defender a qualidade, quando você faz algo que para aquela pessoa que é relevante a cultura muda”, afirma.
A meta é de crescimento. Furtado não cravou números, mas diz que são positivos o que aponta para mais crescimento da rede de lojas para o próximo ano. “A Coop consegue ter um crescimento maior que o mercado e tem performado um faturamento maior tanto no varejo quanto na drogaria, um pouco abaixo do previsto, mas ainda assim crescendo. Tivemos inaugurações de drogarias este ano que aconteceram, só uma ficou para o ano que vem”, explica. Além do crescimento das parte de farmácias, na área da panificação a Coop espera vender este ano 500 toneladas de panetones.
A Cooperativa de Consumo também tem investido no atendimento ao público idoso, com sortimento de produtos e serviços, mas é no e-commerce a maior aposta de crescimento. A rede vai unificar o canal de vendas. “Essa é uma ára com crescimento cada vez mais acentuado pela comodidade que oferece. “Hoje estamos em todos aplicativos, mas tem investimento importante até o fim do ano vai estar tudo num App só, tanto o varejo quanto drogaria. O trabalho digital de vendas online que vem crescendo de dois a três dígitos”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
