
A perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa, está associada a um risco cerca de 40% maior de sintomas depressivos e diagnóstico de depressão, segundo uma meta-análise publicada em 2024 no Journal of Affective Disorders. O estudo, conduzido por pesquisadores da University College London (UCL), reuniu dados de sete pesquisas com 9.141 mulheres de diferentes países.
O tema ganha destaque neste 10 de outubro, Dia Mundial da Saúde Mental. Embora a data costume mobilizar discussões sobre ansiedade, depressão e esgotamento, os impactos das mudanças hormonais na saúde emocional das mulheres ainda recebem pouca atenção.
A perimenopausa pode durar vários anos e provocar alterações no sono, no humor, na memória e na concentração. Segundo a psiquiatra Milane Valdek, especialista em saúde mental feminina, sono e longevidade, esses sintomas nem sempre são associados à transição hormonal.
“Muitas mulheres chegam ao consultório dizendo que não se reconhecem mais: estão mais irritadas, dormem mal, esquecem compromissos e sentem uma ansiedade que nunca tiveram. Boa parte delas não sabe que isso pode estar relacionado à perimenopausa, e muitas ouviram que é apenas estresse”, afirma.
Sintomas podem ser confundidos com transtornos mentais
As oscilações hormonais características da perimenopausa podem estar associadas a alterações no humor, no sono e nas funções cognitivas. Entre as queixas mais comuns estão insônia, despertares durante a madrugada, irritabilidade, ansiedade, cansaço persistente e dificuldade de concentração, além de lapsos de memória, frequentemente descritos como “névoa mental”.
De acordo com Valdek, a semelhança entre esses sinais e os sintomas de transtornos como depressão e ansiedade pode dificultar a identificação das causas do sofrimento emocional.
“Nem toda alteração emocional dessa fase é um transtorno psiquiátrico, mas também não deve ser descartada como algo natural que é preciso aguentar. A avaliação precisa considerar o momento hormonal, o histórico de saúde mental, o sono e o contexto de vida de cada mulher”, explica.
O impacto pode se estender ao trabalho, aos relacionamentos e à qualidade de vida. A transição hormonal também pode coincidir com períodos de sobrecarga profissional e familiar, quando muitas mulheres conciliam a carreira com o cuidado dos filhos e de pais idosos.
Acompanhamento e prevenção
A psiquiatra recomenda atenção aos sinais emocionais durante a transição para a menopausa, sem atribuir automaticamente todas as mudanças ao processo hormonal. Sono adequado, atividade física regular, convívio social e estratégias para lidar com o estresse podem contribuir para o bem-estar.
Quando necessário, o acompanhamento pode incluir psicoterapia, tratamento medicamentoso e avaliação conjunta com um ginecologista para discutir as opções terapêuticas, inclusive a terapia hormonal, conforme as necessidades e indicações de cada paciente.
“A psiquiatria não precisa começar só quando a pessoa adoece. Falar de saúde mental na perimenopausa é falar de prevenção, de qualidade de vida e de como atravessar essa transição bem, inclusive pensando no envelhecimento saudável do cérebro”, afirma Valdek.
Quando procurar ajuda?
Alterações persistentes no humor, no sono ou na concentração merecem avaliação profissional quando duram semanas, prejudicam as atividades cotidianas ou afetam os relacionamentos. Perda de interesse por atividades, desesperança e pensamentos negativos recorrentes também são sinais que exigem atenção.
O acompanhamento individualizado ajuda a identificar as possíveis causas dos sintomas e a definir o tratamento mais adequado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
