
Os brasileiros estão vivendo cada vez mais e, para viver melhor, vão precisar se preparar financeiramente para a longevidade. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a expectativa de vida média dos brasileiros subiu para 76,6 anos, a maior já registrada desde 1940, quando começou a série histórica. E a evolução é rápida: em 2020, a expectativa era de 71,1 anos.
Em 2024, dado mais recente divulgado pelo IBGE, a população do País que chega aos 60 anos vive em média mais 22,6 anos. Isso dá uma nuance a mais de como é cada vez mais importante se preparar financeiramente para complementar a aposentadoria, já que a reserva pode precisar durar por décadas.
Tatiene Rokkaku, superintendente executiva de produtos de vida da Brasilseg, destaca que a longevidade é construída ao longo da vida e não envolve apenas acumular recursos. “É preciso pensar em preservar autonomia e contar com uma rede de proteção capaz de apoiar a pessoa diante de diferentes necessidades. Saúde, organização financeira e proteção precisam fazer parte do mesmo planejamento”, afirma.
Mas é preciso ter em mente que viver mais significa também lidar com questões financeiras – caso de gastos com saúde, tratamentos, despesas não previstas e bem-estar – por um tempo prolongado.
Ao pensar no objetivo da aposentadoria, geralmente, o investidor foca no “número mágico”, aquele patrimônio necessário para ser alcançado no futuro e cobrir o custo de vida. Mas Thaísa Durso, especialista em finanças pessoais da Rico, defende um outro caminho.
Para a especialista, melhor do que tentar adivinhar logo de cara quanto patrimônio será suficiente, a saída é tratar a aposentadoria como uma conta de fluxo de caixa, guiada por três pontos principais: quanto será necessário por mês, quanto já estará coberto por outras fontes de renda e por quanto tempo os investimentos vão precisar cobrir essa diferença.
O primeiro número tem a ver com a renda mensal desejada. Para fazer esse cálculo, a orientação é estimar qual será o custo necessário para cobrir o padrão de vida desejado na aposentadoria e, desse valor, descontar receitas já previstas, como o benefício do INSS, aluguel de imóveis, pensões e outros.
Na prática, alguém que deseje uma renda total de R$ 5 mil por mês na aposentadoria e vai receber R$ 2 mil do INSS precisa complementar com investimentos que lhe rendam R$ 3 mil mensais no futuro. “Só que essa conta não deve partir apenas dos gastos de hoje. Algumas despesas tendem a diminuir, como o deslocamento para o trabalho, enquanto outras ganham peso com a idade, especialmente saúde, medicamentos, seguros, adaptações na moradia e cuidados de longo prazo”, orienta Thaísa.
Definindo a meta de investimentos, é preciso fazer a conta usando como premissa o retorno real líquido das aplicações, ou seja, descontando a tributação e a inflação do período. Isso é importante porque, em um planejamento de longo prazo, o objetivo maior é preservar o valor do dinheiro.
Por isso, se basear no atual patamar de juros pode não ser a melhor escolha. “Os juros são cíclicos e oscilam conforme a economia. Além disso, custos como planos de saúde e alimentação são ajustados pela inflação, e não pela taxa básica de juros”, pondera Thaísa.
Simulação
A Rico fez uma simulação que mostra qual o patrimônio necessário para alcançar diferentes níveis de renda mensal no futuro e como investir para alcançar a meta (mais informações no quadro desta página). A simulação leva em conta a “regra dos 4%”, um cálculo traçado na literatura internacional de economia e usado no mercado para entender quanto acumular para a aposentadoria e qual porcentual sacar nos anos seguintes para evitar que o dinheiro acabe. Nessa regra, a sugestão é retirar cerca de 4% do patrimônio acumulado no primeiro ano de usufruto e ajustar os saques seguintes pela inflação.
A fórmula da Rico é a seguinte: o patrimônio é equivalente à renda mensal desejada, multiplicada por 12 vezes e, depois, dividida pela taxa de retirada. Como resultado, chega-se ao montante financeiro necessário para “consumir” entre R$ 3 mil e R$ 10 mil mensais no futuro.
Considerando a taxa de retirada de 4% ao ano e uma taxa de retorno real (ou seja, acima da inflação) de 5% ao ano, a simulação mostra o poder de começar cedo. Quem deseja gerar R$ 3 mil de renda mensal aos 60 anos precisa fazer aportes de R$ 3,3 mil se começar aos 45 anos, ou seja, 15 anos antes. Mas, se começar aos 30, o valor do investimento mensal necessário cai para R$ 1,1 mil. “Estender o prazo de 15 para 30 anos reduz o aporte mensal em 68%”, destaca Thaísa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
