
A Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora de saúde dos Estados Unidos, aprovou na semana passada um novo medicamento para o tratamento da doença de Parkinson, o tavapadon, da farmacêutica AbbVie.
O medicamento, que será vendido sob o nome comercial Juvmo, é um agonista dopaminérgico. “Ou seja, age como se fosse a dopamina”, explica Margarete Carvalho, neurologista do Hospital Samaritano Paulista. A dopamina é o neurotransmissor que ajuda a coordenar a fluidez e a precisão dos movimentos do corpo. Quando a doença ocorre, os neurônios que produzem a substância morrem.
“Temos outros agonistas dopaminérgicos que são comercializados no Brasil (o pramipexol e a rotigotina). Eles agem principalmente em receptores do tipo D3 e D2”, detalha Margarete. Ao serem estimulados, podem interferir em circuitos cerebrais que não têm a ver só com os movimentos, mas também com sono e sistema de recompensa. “O tavapadon, por sua vez, atua especificamente em receptores dopaminérgicos D1 e D5, muito presentes nas vias cerebrais que coordenam o movimento voluntário e o controle motor, e com menos efeitos colaterais”, afirma a médica.
Roopal Thakkar, vice-presidente executivo de pesquisa e desenvolvimento e diretor científico da AbbVie, disse que “a aprovação marca o primeiro avanço dopaminérgico para a doença de Parkinson em décadas.”
Ainda não há uma previsão de registro do novo medicamento no Brasil. O neurologista Danilo Donizete de Faria, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, entende que o medicamento traz uma inovação farmacológica importante, mas faz uma ressalva. “Não estamos falando de cura nem de substituição da levodopa, que continua sendo o tratamento sintomático mais eficaz para Parkinson.”
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
