
Passar horas conectado às redes sociais, responder mensagens a todo momento e alternar constantemente entre aplicativos se tornou parte da rotina de milhões de jovens. No entanto, um movimento ganha força entre estudantes: o detox digital, prática que consiste em reduzir, de forma consciente, o tempo de uso de celulares, redes sociais e outras tecnologias para preservar a saúde mental, melhorar a concentração e recuperar o equilíbrio entre o mundo virtual e a vida real.
Segundo Juliana Martini, docente do curso de Psicologia do Centro Universitário Fundação Santo André (FSA), o aumento do interesse por esse movimento reflete uma preocupação crescente dos jovens com os impactos do uso excessivo das telas.
“A tecnologia trouxe inúmeros benefícios, mas também criou uma cultura de conexão permanente. Muitos estudantes perceberam que estar disponível o tempo todo pode gerar ansiedade, reduzir a capacidade de concentração e comprometer o descanso. O detox digital não significa abandonar a tecnologia, mas aprender a utilizá-la de forma saudável e consciente”, afirma.
O uso intenso de dispositivos eletrônicos pode provocar uma sobrecarga cognitiva. A exposição contínua a notificações, vídeos curtos, mensagens e múltiplos estímulos dificulta a manutenção da atenção e favorece a sensação de cansaço mental.
Segundo a psicóloga, esse comportamento pode afetar diferentes aspectos da vida acadêmica. “O cérebro precisa de momentos de pausa para consolidar a aprendizagem. Quando alternamos constantemente entre redes sociais, mensagens e estudos, diminuímos nossa capacidade de concentração, memorização e resolução de problemas”, afirma.
Os sinais de alerta
A especialista destaca alguns comportamentos que podem indicar a necessidade de rever a relação com a tecnologia:
• dificuldade para permanecer alguns minutos sem consultar o celular;
• ansiedade quando está desconectado;
• perda de concentração durante os estudos;
• redução da qualidade do sono;
• necessidade constante de verificar notificações;
• sensação de esgotamento mental;
• comparação excessiva com a vida de outras pessoas nas redes sociais.
“O problema não é utilizar a tecnologia, mas quando ela passa a controlar nossa rotina e interfere no bem-estar, nos relacionamentos e no desempenho acadêmico”, afirma a psicóloga.
Benefícios do detox digital
Diversos estudos apontam que reduzir o tempo de exposição às telas pode trazer benefícios importantes para a saúde mental e para a aprendizagem.
• melhora da concentração;
• aumento da produtividade;
• redução da ansiedade;
• melhora da qualidade do sono;
• fortalecimento das relações presenciais;
• maior equilíbrio emocional;
• aumento da criatividade.
“Quando diminuímos os estímulos constantes, o cérebro consegue descansar, organizar melhor as informações e recuperar sua capacidade de foco”, diz. Juliana explica que não é necessário abandonar completamente a tecnologia. Pequenas mudanças já podem fazer diferença:
• estabelecer horários específicos para usar redes sociais;
• desligar notificações que não sejam essenciais;
• evitar o celular durante as refeições;
• deixar o aparelho fora do quarto na hora de dormir;
• reservar momentos do dia para leitura, atividade física ou lazer sem telas;
• praticar períodos curtos de desconexão aos finais de semana.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
