
Diadema encerrou as ações do Setembro Amarelo com uma palestra realizada no VIVA+, voltada à prevenção ao suicídio e à importância da criação de redes de apoio. A atividade reuniu profissionais da área da saúde para ampliar o diálogo sobre o tema e reforçar a escuta e o acolhimento como estratégias de cuidado em saúde mental.
O secretário municipal da Saúde, Dr. Antônio Carlos Nascimento, participou do encontro e destacou a importância de fortalecer as iniciativas de prevenção e assistência em saúde mental no município.
Para Lidiane Melo, chefe da Educação Permanente, os profissionais precisam estar atentos aos sinais de sofrimento e preparados para acolher sem julgamentos. Segundo ela, o trauma pode ser elaborado quando é reconhecido e cuidado, mas pode deixar marcas quando é ignorado ou minimizado.
Durante a palestra, a supervisora médica de Urgência e Emergência, Dra. Danielle Alfonso, apresentou dados do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU) sobre tentativas de suicídio registradas no município. Os números mostram maior concentração entre adultos de 20 a 39 anos, com 92 casos, seguidos por adolescentes de 13 a 19 anos, com 72 registros. Entre pessoas com 60 anos ou mais, foram contabilizadas seis tentativas.
O encontro também abordou os fatores sociais e relacionais associados ao suicídio. Margareth Arilha, psicanalista, doutora em Saúde Pública e pesquisadora do Núcleo de Estudos de População Elza Berquó (NEPO/Unicamp), destacou que o fenômeno não pode ser analisado apenas de uma perspectiva individual, mas também deve considerar contextos de desigualdade, opressão e sofrimento.
Em sua pesquisa, Arilha entrevistou familiares de 13 pessoas que morreram por suicídio, com idades entre 35 e 56 anos. As histórias analisadas apresentaram elementos como conflitos, solidão, desamparo afetivo e fragilidade nas relações familiares. Segundo a pesquisadora, os resultados dialogam com outros estudos que apontam a influência de fatores sociais e relacionais no contexto do suicídio.
A pesquisadora também ressaltou que uma conduta suicida não necessariamente surge de forma repentina. Mesmo quando o ato parece ocorrer de maneira abrupta, pode ser resultado de uma trajetória marcada pelo acúmulo de sofrimento.
“É importante compreender que uma conduta suicida não surge, necessariamente, de forma repentina. Mesmo quando parece acontecer de maneira abrupta, pode ser resultado de uma trajetória marcada por intenso sofrimento. Não se trata apenas de um episódio isolado, mas de um processo que pode se acumular ao longo do tempo”, afirmou.
A importância da pósvenção
A palestra também abordou a chamada pósvenção, conjunto de estratégias de cuidado e apoio direcionadas a pessoas afetadas por uma morte por suicídio.
Adriana Ferri, gestora da UBS Jardim ABC, destacou a importância de preparar os profissionais de saúde para acolher familiares e outras pessoas que enfrentam esse tipo de perda.
“Este encontro foi muito rico para os profissionais de saúde, especialmente por abordar a pósvenção, um tema ainda pouco discutido. Ampliamos nosso olhar sobre como acolher e apoiar, de forma humanizada, famílias que enfrentam o luto pelo suicídio, além de pensar em estratégias de prevenção e promoção da saúde para aqueles que ficam”, afirmou.
Ao encerrar a programação do Setembro Amarelo, Diadema reforçou a importância da escuta, do acolhimento e da formação de redes de apoio como parte das estratégias de prevenção ao suicídio. A iniciativa também destacou o papel dos profissionais de saúde na identificação de sinais de sofrimento e na oferta de cuidado às pessoas que precisam de apoio.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
