A candidata a deputada federal, Regina Maura Zetone (PSD), participou do RDCast desta segunda-feira (21/09) e declarou que vem recebendo muitos apoios de eleitores em São Caetano em razão das circunstâncias que levaram ao racha dela, que é vice-prefeita da cidade, com o prefeito Tite Campanella (Republicanos). Ela relata que nas atividades de campanha tem encontrado pessoas que dizem que ela precisa vencer a eleição até por conta de tudo que ela passou. Regina rachou com Tite logo nos primeiros meses desta gestão e move um processo contra o prefeito por violência política de gênero.
Regina que é médica ginecologista, obstetra e foi secretária de saúde de São Caetano por vários mandatos, tem proximidade com o ex-prefeito José Auricchio Júnior e esse teria sido um dos motivos que a deixaram de lado no início da gestão. Ao RDCast ela conta que nunca mais voltou à prefeitura depois da crise. Que só frequentou o paço nos quatro primeiros meses desta gestão.
“Estou com você, principalmente depois de tudo que aconteceu, isso é o que eu mais ouço na rua. Outras pessoas ficam ressabiadas porque agora a saúde não vai bem e aí eu explicoo que aconteceu comigo. As pessoas que sabem me apoiam e já vêm falar disso, de que por tudo que aconteceu que eu mereço ganhar”, reproduz Regina.

A candidata diz também que tem ouvido críticas de eleitores sobre os apoios do prefeito a candidatos de São Bernardo. “A maioria não aceita isso, temos que ter candidato de São Caetano, pessoal fica bravo mesmo”, comenta.
A candidata a deputada federal pelo PSD, se diz de direita, que tem feito muita campanha para o candidato Ronaldo Caiado, e declara total apoio à reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ela comentou o fato político mais relevante na região na última semana, que foi a foto de secretários de São Caetano fazendo o “L” em apoio a reeleição do presidente Lula, com a liberação de Tite, que também posou para foto com o ministro do Trabalho, Luiz Marinho.
“Seria cômico se não fosse trágico porque em São Caetano, um prefeito de direita, bolsonarista como sempre se declarou, e prestar apoio ao presidente Lula que, sabidamente, é esquerda radical e colocar sete secretários para fazer campanha. É no mínimo incoerente”, critica.
Denúncia
Sobre a denúncia de violência política de gênero movida por Regina Maura contra Tite, a candidata disse que já prestou depoimento e que a Polícia Federal deve ouvir outras pessoas arroladas como testemunhas. “Eu fui ouvida em agosto, agora é o andamento normal das testemuhas. O delegado federal me perguntou dos fatos da denúncia e eu confirmei todos”, disse.
Regina diz que quer que o governo Tite se retrate. “Eu realmente m sinto humilhada, rechaçada, tolhida naquilo que eu poderia estar fazendo. No meio político, como quase todos os vereadores estão alinhados com o prefeito, alguns me olham com outros olhares, outros tem olhar de misoginia”, diz a candidata.
A vice-prefeita, por conta do racha, não exerce o cargo por conta do clima na prefeitura para a qual nem tem acesso mais. “Nunca voltei a prefeitura, só nos primeiros quatro meses da prefeitura estive lá, depois me tiraram o controle remoto para entrar no estacionamento, tenho até um certo receio de voltar lá. Não é medo, é coisa que não me faz bem. Logo eu que convivi 35 anos naquela prefeitura e agora não posso estar lá dentro”.
Propostas
A candidata, pela sua experiência na área de saúde da mulher conta que tem três bandeiras principais, a saúde da mulher principalmente quanto aos tratamentos da endometriose e menopausa; o combate à violência contra a mulher e a terceira é a ampliação da atenção aos idosos com um programa de saúde custeado pelo governo federal para cuidadores de idosos na rede de saúde.
“A minha bandeira é o SUS (Sistema Único de Saúde) com qualidade para todos e que outros municípios possam ter a experiência que tivemos em São Caetano até 2024. “Na saúde da mulher eu achei duas lacunas uma delas é o tratamento da endometriose, que demora de 7 a 8 anos para ser diagnosticada. Trata-se de doença benigna, mas que traz efeitos malignos como cólicas e sangramento, problemas com fertilidade e até situações de aderências e invasões de órgãos como o intestino e bexiga e que fazem a mulher sofrer cirurgias agressivas. Se a gente tiver um diagnóstico precoce e ter nos municípios polo, os centros de diagnóstico e tratamento, você minimiza muito e até o recurso financeiro pode ser poupado porque cirurgias mais agressivas custam mais caro, além das internações e os diversos atendimentos durante esses 7, 8 anos até chegar a cirurgia. É preciso ter médicos treinados para diagnóstico e exames. Hoje tem só tem isso em universidades e hospitais escola, são poucos serviços”, conta.
Sobre o tratamento da menopausa, Regina diz que o que é feito atualmente são tratamentos de sintomas que não resolvem o problema e causam outros. “A menopausa não é uma doença, mas é um período que toda a mulher vai passar. Hoje no SUS não há um tratameto adequado, os médicos vão tratar com antidepressivos, com medicamentos para dormir, calmante, ou seja, não dão o tratamento que ela precisa, que é o tratamento hormonal, caso ela não tenha contraindicação, que é o que trata o que está no fundo. Tem muita coisa no fundo que vai acontecendo, que aos 60 anos começa aparecer a osteopenia, osteoporose e começa a ter fraturas, distúrbios cardiovasculares, hipertensão diabetes, aparecem também derrames e episódios isquémicos. Se dá hormonio fazem com anticoncepcional que tem consequências de tromboembolismo e alta dosagem, ou seja, está tudo errado. Esses centros seriam para tratar tanto a endometriose como para o tratamento correto da menopausa”, explica.
Como deputada ela avalia que teria que ser feita uma indicação para que o Ministério da Saúde tomasse a iniciativa. “Seja incentivo financeiro, ou resolução para que os municípios polo, que são referência para os menores, tenham esses centros e disponibilidade de medicamentos”.
Idosos
Das três principais bandeiras elencadas por Regina Maura, o cuidado com os idosos é a segunda em nível de prioridade. “Quero propor ao governo federal que venha com recursos para um programa, semelhante ao Saúde da Família, programa em que agentes vão cuidar dos idosos com baixa autonomia, vulneráveis, por razão financeira, sem família para dar um banho, medicação, levar ao médico, fazer exame, para conversar e levar para passear. Um agente teria 20 idosos para cuidar. No município de São Paulo e em Belo Horizonte já tem. E tem como fazer; o governo federal banca e o município dá a infraestrutura. São cuidados domiciliares porque o governo não tem como ter instituições de longa permanência para atender a todos”, descreve.
Feminicídio
Sobre a violência contra a mulher, diz que muito que tem sido feito é bom, porém tratam apenas a repressão sobre os crimes ocorridos e não tratam o que causa essa violência. Ela defende penas mais duras para agressores de mulheres, investigação mais apurada, mas, principalmente um plano de educação para tratar do respeito da mulher deste o Ensino Fundamental.
“Tudo o que está sendo feito e ótimo, tem iniciativas como o Protocolo Não Se Cale, disque denúncia, Delegacia da Mulher, Centros de Referência, tem o botão lilás, tem tudo isso, mas temos a impunidade. Tem que ter a punição mais rigorosa, não dá para deixar impunes todos esses aqueles que fazem a violencia contra a mulher. A tornozeleira eletrônica é bom metodo também, mas são meios de repressão, na minha opinião falta educação nas escolas para meninos terem, durante toda a fase escolar, como aprender o respeito a mulher, com aulas e atividades didáticas que incentivem a terem respeito pelas mulheres. As meninas aprenderem a reconhecer relacionamentos tóxicos, que possam se transformar em feminicídio. O feminicídio não começa com tiro e facada, começa com relacionamento que tenha excesso de ciúmes, do homem que tolhe a mulher dizendo que ela não pode usar tal roupa ou maquiagem, que não pode ir em tais lugares. Isso são tipos de impedimentos que vão piorando e a mulher se sente humilhada, retraída, sem poder ser ela mesma. Isso pode ser incluído pelo Ministério da Educação no currículo obrigatório”, sugere.

Campanha
Regina Maura diz que foi muito bem aceita no PSD, que tem feito muita campanha para elegar o nome do seu candidato a presidente, Ronaldo Caiado e que o partido tem lhe dado toda a infraetrutura que precisa. “Meu candidato é o Caiado e tenho esperança que ele vença, ele é mais preparado e tem a ficha limpa, são40 anos de vida pública sem nenhum problema. Mais direita que o Caiado não enxergo; ele inclusive é do agro, é médico, fez diferença em Goiás, foi um excelente governador. Me senti privilegiada, recebi o fundo partidário que me permite fazer a campanha sem tropeços, prestando contas. Me senti privilegiada pelo meu partido. No Estado sou Tarcísio até a morte. Acho que ele seria o nosso candidato da direita. Ele vai para governador e com certeza será eleito no primeiro turno. Acredito que ele terá um olhar diferenciado para o ABC, um olhar especial e tem vindo muito à região”.
Regina Maura diz que foca sua campanha em São Caetano e tem apenas uma dobrada, com o deputado estadual e candidato a reeleição, Thiago Auricchio (PL). Ela diz que a dobrada foi por conta do alinhamento político e programático também. “O Thiago Auricchio fez o código de Defesa da Mulher e o Protocolo Não se Cale, ele sempre militou nessa causa, então tem muito a ver com as minhas propostas. Ele sempre fez um reforço de emendas parlamentares para São Caetano na área da Saúde. Estou dobrando só com ele, e não vou trazer outro candidato para São Caetano. Acho que ele vai ser reeleito. Nossa campanha está bem independente, mas às vezes temos agendas em comum. Estou fazendo minha campanha bem prepositiva”, completa.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
