ABC - quarta-feira , 26 de agosto de 2026

Canadá diz que acordo dos EUA era ‘muito ruim’ e favorecia Washington

Autoridades do Canadá afirmaram nesta terça-feira (25/08), que o acordo comercial proposto pelos Estados Unidos era “muito ruim”, trazia demandas excessivas para os canadenses e dava vantagem demais a Washington, durante coletiva de imprensa para anunciar retaliação.

O ministro das Finanças e Receita Nacional, François-Philippe Champagne, ressaltou diversas vezes que a disputa comercial não foi uma escolha do Canadá. “Os EUA demandaram que fizéssemos uma escolha. Decidimos enfrentá-los em nome do povo canadense e nossos trabalhadores, porque não vamos aceitar ser controlados por outro país”, afirmou.

Champagne evitou entrar em detalhes sobre o que teria sido discutido nas negociações com os americanos, mas admitiu que uma das condições seria que parcerias comerciais de Ottawa tivessem de passar por aprovação de Washington. “Nosso futuro é nosso para decidir”, enfatizou o ministro.

As autoridades canadenses pediram que a população reforce campanhas a favor da compra de produtos locais e que empresas destaquem quais produtos foram feitos no Canadá em suas prateleiras. Segundo elas, dessa forma, os próprios canadenses fortalecem os negócios locais e as ferramentas do governo para retaliar Washington.

“Canadenses precisam ter confiança. Temos a economia de crescimento mais rápido entre os países do G7, uma das menores taxas de dívida em relação ao PIB e boa disciplina fiscal”, acrescentou Champagne.

A ministra da Indústria, Mélanie Joly, disse já ter conversado com representantes de empresas canadenses e multinacionais, incluindo do setor automobilístico, para manter os empregos no Canadá. Ela reconheceu a ameaça do presidente dos EUA, Donald Trump, de aumentar tarifas sobre carros para 50%, mas ponderou que ainda não há uma ordem executiva para implementar as taxas e que é cedo para comentar. “Agiremos se isso acontecer de fato, mas a taxa continua em 25%”, disse.

Joly também foi enfática ao apontar que a aliança com o vizinho norte-americano ainda é de interesse de Ottawa, mas que o Canadá “não quer ser parte dos EUA”. Segundo ela, as contramedidas foram selecionadas estrategicamente para atingir produtos americanos importantes e ampliar a pressão política sobre Washington.

“Não é uma questão de amar o canadense que fala francês, como disse Trump. Temos, sim, um trabalho de reconciliação a fazer com toda a população do Canadá, mas a verdadeira questão é a soberania. É proteger empregos e toda a nossa cadeia de produção”, afirmou. “Não podemos controlar as decisões de Washington, mas controlamos as nossas”.

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