
O mercado imobiliário do ABC registrou retração em julho de 2026, após dois meses consecutivos de resultados positivos. As vendas de imóveis usados recuaram 15,72% em relação a junho, enquanto as locações caíram 21,84%. Os dados fazem parte de levantamento do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP).
Apesar da redução no ritmo das negociações, os dados mostram que a demanda continua concentrada em determinados perfis de imóveis. Nas compras, os apartamentos permaneceram como a principal escolha, especialmente unidades de dois dormitórios e com até 100 m². Nas locações, as casas ganharam participação e responderam por 68% dos contratos.
O comportamento dos preços, das formas de pagamento e das garantias também indica um consumidor mais atento ao custo total da moradia. Mais da metade das compras foi realizada com financiamento bancário, enquanto, no mercado de locação, as faixas entre R$ 1 mil e R$ 3 mil concentraram a maior parte dos contratos.
Apartamentos continuam liderando as vendas
Os apartamentos representaram 63% dos imóveis vendidos em julho, contra 37% de casas. Embora a participação dos apartamentos tenha diminuído em relação a junho, quando chegou a 85%, esse tipo de imóvel continuou predominante nas negociações.
A preferência está associada às características urbanas do ABC, região marcada pela concentração populacional, ampla oferta de condomínios e proximidade entre moradia, comércio, serviços e transporte. Nesse contexto, apartamentos podem oferecer uma combinação de praticidade, segurança e custos de manutenção mais previsíveis.
Entre os apartamentos vendidos, as unidades de dois dormitórios concentraram 66,7% das negociações. Os imóveis de três dormitórios responderam por 20%, enquanto aqueles de até um dormitório representaram 11,1%. Apartamentos com quatro ou mais dormitórios tiveram participação de 2,2%.
O predomínio dos imóveis de dois dormitórios reforça a presença de unidades de perfil intermediário no mercado, capazes de atender famílias pequenas e médias, casais e compradores do primeiro imóvel. Esse perfil também pode ser atrativo para investidores, especialmente em razão da possibilidade de maior liquidez.
Nas vendas de casas, os imóveis de três dormitórios lideraram, com 57,1% das negociações. As casas de dois dormitórios representaram 32,1%, enquanto as unidades com quatro ou mais dormitórios responderam por 10,7%. Não houve registro de vendas de casas com até um dormitório.
A concentração das vendas de casas em imóveis de dois e três dormitórios mostra que, mesmo entre os compradores que buscam mais espaço e privacidade, a demanda permanece concentrada em unidades de tamanho intermediário.
Imóveis de até 100 m² concentram as compras
O perfil das áreas úteis reforça a preferência por imóveis compactos e intermediários. Entre os apartamentos vendidos, 56% tinham entre 51 e 100 m², enquanto 36% possuíam até 50 m². As unidades entre 101 e 200 m² representaram 7%, e apenas 2% tinham mais de 201 m².
A concentração nessas faixas sugere que tamanho e custo continuam sendo fatores importantes na decisão de compra. Imóveis menores também tendem a atender diferentes perfis de consumidores, desde famílias em busca da primeira moradia até compradores que pretendem investir em locação.
Entre as casas, 50% das unidades vendidas tinham entre 101 e 200 m². Imóveis com mais de 201 m² representaram 25%, mesma participação das casas entre 51 e 100 m². Não foram registradas vendas de casas com até 50 m².
A diferença em relação aos apartamentos evidencia perfis distintos de procura. Enquanto os compradores de apartamentos se concentram em áreas menores, quem opta por uma casa tende a buscar mais espaço interno e, dependendo do imóvel, características como quintal, privacidade e possibilidade de ampliação.
Localização
A localização também ajuda a explicar o perfil das negociações. As regiões classificadas como “demais áreas” concentraram 48,5% das vendas, seguidas pelas regiões centrais, com 32,4%, e pelos bairros nobres, que responderam por 19,1%.
O resultado mostra que a procura não está restrita às áreas tradicionalmente mais valorizadas. Preço, disponibilidade de imóveis e possibilidade de encontrar unidades maiores podem tornar outras regiões mais atrativas para compradores que precisam conciliar espaço e capacidade de pagamento.
As áreas centrais continuam relevantes pela proximidade de transporte público, comércio, escolas, hospitais e polos de emprego. Já os bairros nobres mantêm participação associada à infraestrutura, segurança, padrão construtivo e potencial de valorização, ainda que normalmente apresentem valores mais elevados.
Na prática, a escolha da localização envolve mais do que o preço de compra. Tempo de deslocamento, gastos com transporte e acesso a serviços também entram na avaliação do custo total da moradia.
Imóveis acima de R$ 501 mil chamam a atenção
A faixa de preço acima de R$ 501 mil concentrou 41,1% das vendas em julho. Na sequência apareceram os imóveis entre R$ 401 mil e R$ 500 mil, com 23,3%, e aqueles entre R$ 201 mil e R$ 300 mil, com 20,5%. A faixa de R$ 301 mil a R$ 400 mil representou 13,7%, enquanto os imóveis de até R$ 200 mil responderam por 1,4% das negociações.
Embora a faixa acima de R$ 501 mil tenha perdido participação em relação a junho, ela permaneceu como a mais representativa. O resultado mostra que existe demanda por imóveis de padrão intermediário e médio-alto, sobretudo quando localização, qualidade construtiva, segurança, vagas e estrutura condominial agregam valor à unidade.
Ao mesmo tempo, a participação das faixas entre R$ 201 mil e R$ 500 mil revela um mercado diversificado, com espaço para compradores do primeiro imóvel, famílias em mudança e consumidores que procuram substituir uma unidade menor por outra mais adequada às necessidades atuais.
Financiamento bancário responde por mais da metade das compras
O financiamento bancário foi a principal forma de pagamento utilizada nas compras de julho. A Caixa Econômica Federal participou de 36,8% das aquisições, enquanto outros bancos responderam por 17,6%. Somadas, as duas modalidades representaram 54,4% das compras.
As aquisições à vista corresponderam a 30,9% das negociações. As compras realizadas diretamente com o proprietário representaram 11,8%, e os consórcios, 2,9%.
Os números mostram o peso do crédito habitacional para o mercado regional. Mais da metade das compras dependeu de alguma modalidade de financiamento bancário, o que torna condições de crédito, renda e capacidade de comprometimento financeiro fatores relevantes para a evolução das negociações.
A participação de 30,9% das compras à vista, por outro lado, indica a presença de consumidores que utilizaram recursos próprios, reservas financeiras ou valores obtidos com a venda de outro imóvel.
Quase metade das vendas, 46,6%, foi realizada pelo mesmo valor anunciado. Em 27,4% das negociações houve desconto de até 5%, enquanto 13,7% dos imóveis foram vendidos com abatimento entre 6% e 10%.
Descontos entre 11% e 15% representaram 4,1% das vendas. Nas demais faixas, os percentuais foram menores, e não houve registro de descontos superiores a 30%.
O cenário indica espaço para negociação, mas sem predominância de reduções expressivas. A maior parte das transações ocorreu pelo preço anunciado ou com descontos de até 10%.
Em um mercado com menor ritmo de vendas, a definição de preços compatíveis com a realidade de cada região tende a ganhar importância. Para o proprietário, uma precificação adequada pode reduzir o tempo de exposição do imóvel; para o comprador, amplia as possibilidades de comparação e negociação.
Locações recuam 21,84% e casas ampliam participação
O mercado de locação apresentou retração ainda maior do que o segmento de vendas, com queda de 21,84% em julho.
Mesmo com a redução no número de contratos, houve mudança significativa na composição das locações. As casas representaram 68% dos imóveis alugados, enquanto os apartamentos responderam por 32%. Em junho, as casas representavam 54% dos contratos.
Entre as casas alugadas, os imóveis de um e dois dormitórios tiveram a mesma participação, de 40% cada. As unidades de três dormitórios responderam por 20%, sem registro de locações de casas com quatro ou mais dormitórios.
Nos apartamentos, os imóveis de três dormitórios lideraram, com 42,1% dos contratos. As unidades de dois dormitórios representaram 36,8%, enquanto os apartamentos de até um dormitório responderam por 21,1%.
A composição mostra que o mercado de locação atende perfis variados. Nas casas, há uma divisão entre unidades compactas e imóveis de tamanho intermediário. Já entre os apartamentos, os imóveis de dois e três dormitórios concentram a maior parte dos contratos.
Regiões centrais e demais áreas dividem preferência nas locações
As regiões centrais e as demais áreas concentraram, cada uma, 37,5% dos contratos de locação. Os bairros nobres responderam por 25%.
A presença das regiões centrais está relacionada principalmente à conveniência e à mobilidade. A proximidade de transporte público, comércio, escolas, hospitais e locais de trabalho pode compensar, em determinadas situações, um aluguel mais elevado.
As demais regiões também apresentam forte participação por oferecerem alternativas de preço, disponibilidade de imóveis e, em alguns casos, unidades mais amplas. Já os bairros nobres continuam atraindo consumidores interessados em infraestrutura, segurança e padrão de ocupação.
Mudanças de imóvel mostram diferentes situações financeiras
Entre os motivos informados para a mudança, 33,6% dos locatários passaram para um imóvel mais barato, enquanto 12,9% migraram para um aluguel mais caro. Em 53,4% dos casos, não foi apresentada justificativa.
A diferença entre os dois grupos identificados revela que uma parcela dos consumidores está buscando reduzir despesas, enquanto outra assume um custo maior para mudar de imóvel. O resultado também mostra a diversidade das situações financeiras e das necessidades que influenciam as decisões de mudança.
Corretor ganha importância em um mercado mais seletivo
Em um cenário de menor ritmo de negociações e maior atenção aos custos, o corretor de imóveis exerce papel relevante na aproximação entre proprietários, compradores, locadores e locatários. O profissional regularmente inscrito no CRECISP pode auxiliar na avaliação do imóvel, na análise da documentação, na definição do preço, na negociação e na escolha das condições de pagamento.
Nas compras financiadas, esse suporte inclui a organização da documentação e o acompanhamento das etapas da operação. Nas locações, pode contribuir para a análise das garantias, das condições do imóvel e da formalização do contrato.
Em um mercado no qual preço, localização, crédito e capacidade de pagamento têm peso crescente, a atuação especializada pode contribuir para tornar as negociações mais seguras e transparentes, aproximando as expectativas das partes das condições efetivamente praticadas no mercado.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
