
A multicampeã Ana Marcela Cunha atingiu mais um feito na carreira. A nadadora de águas abertas concluiu a travessia do Canal da Mancha nesta quarta-feira (22/07), aos 34 anos. Ela percorreu 43 quilômetros em 8h25min29s, o melhor tempo entre homens e mulheres, e estabeleceu um novo recorde sul-americano.
Após o feito, a brasileira não conteve a satisfação pelo resultado e comentou sobre o percurso e a conclusão da travessia. “Foi um momento de curtição. Independentemente de todos os fatores, das ondas que teve, de umas três caravelas que encontrei, graças a Deus não foi nada que me prejudicou, só uns encontros bem tranquilos. Nada demais. Já tinha experiência em provas longas. Isso me trouxe bastante tranquilidade, por conhecer bem o mar, saber para onde eu estava indo e sentir a correnteza. Acho que isso me deixou mais tranquila. Estou cansada, mas muito feliz e realizada”, afirmou.
O trecho que liga as cidades de Dover, na Inglaterra, e Calais, na França, é considerado a travessia mais difícil da natação em águas abertas. Com imprevisibilidade climática e intensas correntes marítimas, a brasileira concluiu a meta no segundo dia da janela prevista, entre 20 e 29 de julho.
Em abril, Ana Marcela revelou, em entrevista, o que esse percurso representa para ela e para a carreira como atleta de alto rendimento.
“Vejo o Canal da Mancha como algo que vai muito além do esporte de alto rendimento, das vitórias ou das conquistas habituais. Para um nadador, esse desafio é comparável ao de um corredor brasileiro que decide disputar a São Silvestre ou uma das grandes maratonas de 42 km. É um sonho e uma realização pessoal tão profunda quanto ganhar o ouro olímpico ou ser campeã de diversas etapas da Copa do Mundo. Acima de tudo, é a realização da Ana Marcela pequenininha, aquela que, com apenas 8 anos, nadou sua primeira prova no mar, de 400 metros.”
Segundo a atleta, o desafio permitiu enxergar outra dimensão da maratona aquática, sem foco apenas na conquista de medalhas. “Eu não trato isso como uma prova ou competição tradicional, pois não haverá disputa direta por posições”, comentou a nadadora na época.
Devido às condições climáticas e às limitações estabelecidas para a validação do recorde — roupas térmicas não são permitidas —, o corpo precisa passar por uma preparação específica para suportar o percurso.
“É tudo muito bem estudado com o nutricionista e o técnico. Normalmente, eu nado competições de 10 km com 65 kg, que é meu peso ideal, mas hoje estou com 69 kg para manter o peso, pois a nossa gordurinha aqui (aponta para a barriga) é a nossa capa. Também passamos lanolina, que é uma gordura de ovelha, que ajuda a manter a temperatura”, explicou Ana Marcela.
Na época, Ana afirmou que não buscava um recorde, apenas completar a travessia da melhor forma possível. Ainda assim, conquistou o melhor tempo da América do Sul.
“É uma prova que tenho colocado na minha cabeça que posso fazer entre 10 e 12 horas. Fala-se muito sobre recordes, mas estou muito tranquila. Não quero criar muita expectativa porque, se eu pegar uma correnteza contra, isso pode complicar mentalmente. Nadar aproximadamente 34 km em 8, 10 ou 12 horas, seja qual for o tempo, é um desafio enorme”, disse a brasileira em abril.
Ana Marcela Cunha atravessou o canal após largar nas primeiras horas do dia, da praia de Dover, com temperatura da água em torno de 19°C e do ambiente de 23°C.
RD – Jornal Repórter Diário Notícias sobre o ABC. Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra
